A eterna misoginia de Bolsonaro e estupro como manutenção de poder

Não é algo novo o deputado federal do PP-RJ, Jair Bolsonaro, apresentar em seus discursos sua concepção militarista, machista, homolesbobitransfóbica e racista de sociedade. Óbvio que no dia que antecederia a entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade à presidente Dilma ele reafirmaria sua faceta de representante do setor mais reacionário da sociedade e do Congresso Nacional.

Nesta terça, durante os pronunciamentos dos parlamentares na Câmara dos Deputados, Bolsonaro reafirmou que só não estupraria a deputada federal do PT-RS Maria do Rosário por que ela não merecia.

“Fica aí, Maria do Rosário. Fica aqui para ouvir. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei: ‘Não estupraria você porque você não merece'”, foi como Jair Bolsonaro iniciou sua intervenção no plenário sobre o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

O início da fala de Bolsonaro se remete a episódio acontecido em 2003 nos corredores da Câmara dos Deputados quando o deputado chamou Maria do Rosário de vagabunda, a empurrou e disse que só não a estuprava por que ela não merecia. Não é a primeira vez, nem a última que Jair Bolsonaro demonstra todo seu escárnio por aqueles que são mais marginalizados socialmente do que ele.

A primeira coisa importante a se lembrar é de que estupro no Brasil é crime hediondo, para além disso é bom lembrar que esta forma de violência contra mulheres, lésbicas, homens e mulheres trans também é uma foram de nos retirar a humanidade. Tanto que  estupro é usado amplamente como arma de guerra em diversos conflitos pelo mundo, justamente por ser uma forma de destabilizar comunidades inteiras. Estupro é sempre uma questão de poder e é isso que Bolsonaro acaba reivindicando ao reafirmar que esta ou aquela mulher não “merece” ser estuprada.

Porém usar violência sexual como arma de guerra não é especificidade da Líbia, tal tática é usada amplamente em diversos conflitos no mundo, como já vem alertando a Anistia Internacional há bastante tempo. Normalmente as mulheres são vistas como símbolos de honra nos povoados, assim os ataques às mulheres e meninas são formas de subjugar e desmoralizar os homens de determinada região, ajudando assim a espalhar o medo e afugentar as pessoas. As mulheres vítimas de violência sexual em territórios de conflitos não sofrem apens de traumas psicológicos e emocionais por conta dos abusos, mas também sofrem com o receio de serem negadas por suas famílias. (FRANCA, Luka. Estupro não questão de sexo, é questão de poder)

Bom lembrar da importância da campanha “Eu não mereço ser estuprada” deflagrada pelas redes sociais no começo deste ano após divulgação de pesquisa realizada pelo IPEA sobre o tema. A questão é que a reafirmação de Bolsonaro demonstra profundamente o quanto da desumanização das mulheres ainda existe e é perpetuada pela cultura do estupro em nossa sociedade. O quanto o se utilizar da coerção sexual é algo colocado como aceitável para ensinar a todxs que subvertem o local social atribuído a cada gênero o que devem fazer e quais lugares devem ocupar de forma submissa e inquestionável.

A misoginia manifesta de Jair Bolsonaro já teve como alvo não só Maria do Rosário, como Marta Suplicy e Marinor Brito em 2001 quando do debate sobre os direitos LGBTs no Senado. Em todas as vezes a postura do macho branco hetero que coloca as mulheres que ousam questionar e se posicionar politicamente se reforça. O “coloquei fulana no seu devido lugar” é o demonstrar com truculência de que a política não é o lugar das mulheres e que ao estarem nestes espaços elas devem apenas cumprir seu papel histórico: o de baixar a cabeça e se submeter aos homens do Congresso Nacional.

Infelizmente Bolsonaro não representa apenas sua opinião própria. Foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro reforçando um cenário de Congresso Nacional mais conservador desde 1964. Suas opiniões marcadas pelo desprezo as lutas por igualdade e pelo fim da exploração e genocídios diversos existentes na nossa história estão hoje mais uma vez no Congresso Nacional. Bolsonaro ao dizer que Maria do Rosário “não merece ser estuprada” ataca a todas as mulheres que já foram vítimas ou não de violência sexual, ignora que em 2013 o número de estupros em nosso país foi maior do que o de homicídios dolosos.

Inclusive dando vazão para a perpetuação desta forma de violência e de tortura. Cabe sempre a nós apontar e reivindicar que a violência sexual não é aceitável, a ameaça – seja velada ou não – de estupro a qualquer mulher demonstra o quanto precisamos realmente avançar na emancipação e empoderamento de todxs aquelxs que são marginalizdxs na nossa sociedade.

Sexismo e eleições: Estupro é sempre uma questão de poder

questãodepoderQuando li a notícia do caso da menina no Rio de Janeiro que foi estuprada por conta de divergências políticas eu congelei. Ela foi violentada por três homens que estavam identificados como eleitores de Aécio Neves. A primeira questão que me passou pela cabeça foi a eterna palavra de ordem: Estupro não é sobre sexo, é sobre poder.

Apesar de acreditar que tremenda violência está associada sim ao cenário animoso que se acirrou ainda mais durante o 2º turno, não tive como relembrar de diversos casos na política que envolviam da violência sexual a violência psicológica. Rememorei cada uma das histórias que já ouvi, passei ou acompanhei no tempo em que sou militante política.

Infelizmente, esta não foi a primeira mulher abusada por conta de divergência política, também não será a última. A política é espaço de poder e o poder por fazer parte do mundo público não é legado as mulheres, mas aos homens e a forma mais brutal de se lembrar qual lugar da mulher nesta sociedade patriarcal e capitalista: o de ficar quieta sem opinar sobre nada que faça parte da disputa de poder.

latuffviolênciamachistaA violência sexual em um cenário de acirramento do debate político só é movida por uma intenção: Mostrar para a mulher que aquele lugar é do homem cis e não dela e quando não há mais argumentos se ganha pela violência, se ganha utilizando a arma de guerra mais deplorável que existe.

Quando adentramos a política, ainda mais se ousamos disputar espaços com os homens, estamos afrontando o status quo da organização social que diz que o nosso lugar é organizando a vida privada e não atuando na vida pública e talvez essa seja uma lição que precisamos levar não apenas estas eleições 2014, mas de diversos processos políticos pelo mundo.

Durante as manifestações na praça Tahrir, no Egito, mulheres tiveram sua virgindade verificada pelo exército. O processo de acirramento político também se vale também de subjugar os outros, para manter o patriarcado, a detenção do poder vale tudo: de um olhar altivo de um homem de bem até o estupro de uma mulher que defende o direito democrático de outra fazer campanha para quem quiser.

sexismomataDeixo aqui toda a minha solidariedade a esta mulher, ela poderia ser qualquer uma de nós que ousa lutar, ousa subverter o status quo para mudar o mundo, para defender o que pensa e ser solidária a quem está sofrendo algum tipo de intimidação ou opressão.

A marca mais profunda está nela, mas sua história marca a todas nós mulheres. Feministas ou não, de esquerda ou não. Pois qualquer mulher que ouse levantar sua cabeça, disputar um poder que, segundo o patriarcado, não é da sua alçada disputar e modificar está a mercê de violência.

Sabe qual a pior bunda do mundo? Sustentabilidade com grandes pitadas de machismo

Hoje é um daqueles dias em que tu chegas ao trabalho e a única coisa que se quer fazer é adiantar o trabalho e não se deparar com coisas execráveis. Pois bem, quando abri o Chrome a primeira coisa com a qual me deparei foi esta imagem aí.

Bunda

Fui atrás para saber do que se tratava e descobri a página de uma ONG chamada “Rio eu amo, eu cuido” e logo de início já tem uma chamada perguntando: Sabe qual a pior bunda do mundo?

A tal iniciativa é mais uma daquelas coisas do faça a sua parte que o mundo será melhor. No caso a máxima de que “pequenos gestos que estão ao alcance de todos e são capazes de transformar a cidade”.

Minhas questões com movimentos de sustentabilidade ambiental que acabam não questionando a estrutura da sociedade e como o debate ambiental anda de mãos dadas com o debate de superação sistêmica são grandes e acho que no blog “O que você faria se soubesse o que eu sei?” tem coisas melhores sistematizadas sobre as limitações do debate da sustentabilidade por si só.

A campanha foi organizada por Joaquim Monteiro de Carvalho, ele é um dos herdeiros de um dos maiores grupos empresariais do país, o Grupo Monteiro Aranha e também é funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro. E por que eu fui atrás de todas essas informações? Por que eu não acho que machismo é algo que brota do nada nas pessoas, acredito que seja socialmente construído e, pra mim, localizar quem é a pessoa que desenvolveu esta campanha misógina é fundamental. Ou seja, trabalhar para o Eduardo Paes nesse momento e ainda ser herdeiro de um grande  grupo empresarial aponta qual o status quo que o rapaz e suas ações se baseiam.

Bem, acontece que o tal movimento sustentável lançou uma campanha para diminuir o número de bitucas de cigarros no chão, praia e afins. O meio em que encontrou para fazer este trabalho não foi o pensar quais ações de políticas públicas que ajudassem a coibir o jogar a bituca de cigarro na rua ou praia. Até por que, desde quando bituca, guimba de cigarro é chamada de bunda?

A estratégia usada por Monteiro de Carvalho e a “Rio eu amo, eu cuido” foi apenas se utilizar de maneira machista do corpo das mulheres para fazer uma piada ruim e que acaba reforçando uma série de paradigmas e esteriótipos que deveriam ser combatidos. Até por que para alguns sustentabilidade não é apenas o catar o cigarro na rua, mas também o lidar com as relações de opressão existentes na sociedade.

Fico pensando, quantas mulheres cis e trans fumam e não serão atingidas pela mensagem? A mensagem não chega, pois a depreciação aparece primeiro, e de qual corpo estamos falando? Qual o padrão? Ora, minha bunda não tem padrão e, acredito, a de nenhuma mulher tem.

No final das contas além de organizar uma campanha machista na “tentativa” de mostrar a necessidade de envolvimento dxs cariocas com a cidade a campanha não ajuda a dialogar. Fora o discursinho “cada um fa zo seu que tudo melhor” que só serve pra desresponsabilizar o poder público da sua tarefa de organizar e apresentar políticas públicas que beneficiem toda população e não apenas uma parcela.

O negro fujão, os “justiceiros” e a perigosa água que vem batendo na nossa bunda

A cada dia mais eu fico barbarizada com o quanto o imaginário coletivo brasileiro é cada vez mais reacionário. Tem circulado por aí uma matéria do Extra sobre um adolescente vítima de “justiceiros” no Rio de Janeiro. O rapaz, negro e pobre, foi atacado por três caras no Flamengo e teve a orelha rasgada por uma faca. Além disso os tais “justiceiros” o prenderam com uma trava mul t lock a um poste pelo pescoço. Uma cena que remonta os escravos no século XIX.

Grupo de extermínio não é uma novidade no Brasil. Nos anos 80 haviam vários por São Paulo e continuam a existir de formas distintas. Talvez seja a face mais dura do estado penalista, militarista, burguês, racista em todas as suas nuances amis nefastas. É a possibilidade de se organizar grupos de extermínio, seja para dar coça nos marginalizados por praticar furtos, seja por ter uma orientação sexual diferente do convencionado pelo patriarcado, ou uma outra identidade de gênero que não é suportada por conta da transfobia.

Ainda no começo dos anos 90, a polícia prendeu na Paraíba o “justiceiro” João Baiano, acusado de 140 homicídios na região de Santo Amaro, São Paulo. Na mesma ocasião, a lista dos “justiceiros” foi engrossada com a captura de José Ferreira Campos, o Zé Prego, acusado de ter matado mais de 30 pessoas nos bairros de Parque Santo Antônio, Jardim Taboão e Capão Redondo; e Gildaci Santos Silva e José Wilson Alves, que faziam parte de um grupo da Zona Sul responsável por pelo menos 70 por cento dos homicídios na região desde 1983, segundo a polícia. (FERNANDES, Ademir. Mais de mil já morreram em mãos de justiceiros)

Mata-se, espanca-se, cria-se tribunais de exceção por todo Brasil e boa parte da população brasileira aplaude, aplaude por que a lógica do “bandido bom é bandido morto” nunca foi combatidade realmente, fosse com medidas efetivas de política pública, fosse ideologicamente.

Continuamos tapando o sol com a peneira, continuamos dando pano pra manga pruma sociedade penalista e racista, continuamos financiando uma mentalidade de segurança pública que só pensa no “olhor por olho, dente por dente”. Na morte dos indesejáveis, dos párias, pois incomoda perceber que eles se fazem existir.

A preocupação sobre a criação de mais grupos de extermínio pelo Brasil não é algo banal. No começo do ano foi divulgado que o número de mortes realizadas por PMs durante as folgas aumentou nos últimos anos em São Paulo, foi um aumneto de 50% e isso por si só já é um indício preocupante, ao meu ver.

O “não somos racistas” do Ali Kamel cai por água abaixo a cada dia, hora e minuto. Somos um país racista, somos um país onde se prefere jogar para baixo do tapete os problemas nefrálgicos da sociedade como se fossem a cereja do bolo. Talvez estejamos presenciando a volta de musculatura para o aparato paraestatal dos mais perigosos e no fim, a sanha punitiva e racista só tem um alvo: Nós mesmos.

O medo, a política e o momento de não se omitir

Os “partidos” podem se apresentar com os mais diversos nomes, incluindo o de anti-partido ou de ‘negação de partidos’. Na realidade, até os chamados ‘individualistas’ são homens de partido, apenas gostariam de ser ‘chefe de partido’ pela graça de Deus ou da imbelicidade de quem os segue. (GRAMSCI, Antônio)

Com tudo o que está acontecendo eu ainda estou confusa, acho que o momento é delicado, é inédito para a minha geração e carece de uma reflexão mais aprofundada. Porém apesar do momento ser confuso e necessitar reflexão profunda da esquerda como um todo é importante lembrar que não é momento de se omitir.

Qualquer caracterização apressada é equivocada. Porém uma coisa é real: O sentimento anti-partido que está disseminado na massa não é permeado nem de longe dialoga com o debate posto há anos entre socialistas e autônomos.  O debate que reverbera nas ruas contra partidos políticos é por conta da negação do que aí está e abre brecha para que a direita organizada se aproprie do discurso e legitime processos de linchamentos público como os que vimos ontem. É por isso que não podemos ser afobados.

Ontem eu estava na Av. Paulista. No bloco da esquerda unificada. Foi a primeira vez que fui as manifestações novamente como militante, até então ficava mais afastada cobrindo para o trabalho. Fui como militante por que na terça-feira eu me assustei, me assustei de como a massa assimilava com facilidade um discurso nacionalista, fascista e totalitário. Fui por que acredito na revolução e na destruição do estado, assim como muitos dos meus companheiros autônomos ou organizados em outros partidos políticos. Ontem eu temi perder um amigo, temi assim como temo perder meus companheiros nas mãos da PM.

Engana-se, porém, quem diz que essa era uma massa fascista uniforme. Havia, sim, um pessoal dodói da ultradireita, que enxerga comunismo em ovo e estava babando de raiva e louco para derrubar um governo. Que tem saudades de 1964 e fotos de velhos generais de cueca na parede do quarto. Essa ultradireita se utiliza da violência física e da intimidação como instrumentos de pressão e que, por menos numerosos que sejam, causam estrago. Estão entre os mais pobres (neonazistas, supremacia branca e outras bobagens), mas também os mais ricos – com acesso a recursos midiáticos e dinheiro. A saída deles do armário e o seu ataque a manifestantes ligados a partidos foi bastante consciente

Mas um grupo, principalmente de jovens, precariamente informado, desaguou subitamente nas manifestações de rua, sem nenhuma formação política, mas com muita raiva e indignação, abraçando a bandeira das manifestações. A revolta destes contra quem portava uma bandeira não foi necessariamente contra partidos, mas a instituições tradicionais que representam autoridade como um todo. Os repórteres da TV Globo, por exemplo, não estão conseguindo nem usar o prisma com a marca da emissora na cobertura – e não é só por conta de militantes da esquerda. Alckmin e Haddad, que demoraram demais para tomar a decisão de revogar e frear o caldo que entornava, ajudaram a agravar a situação de descontentamento com a classe política. “Que se vão todos”, pensam esses jovens. “Não precisamos de partidos para resolver nossos problemas”, dizem outros, que não conhecem a história recente do Brasil. “Políticos são um câncer”, que colocam todo mundo no mesmo balaio de gatos. (SAKAMOTO, Leonardo. E, em São Paulo, o Facebook e o Twitter foram às ruas. Literalmente)

Acredito haver espaço de disputa nestas mobilizações. Tenho dúvidas se elas permanecem massivas se não convocadas pela esquerda. Por que sim os atos que se massificaram foram atos organizados pela esquerda, seja autônoma ou organizada em partidos, e como normalmente são chamados com pauta específica tenho sérias dúvidas se continua a massificar. Caso continue, creio que há espaço de disputa ideológica, mas é preciso saber dialogar. E mais pra além da disputa ideológica necessária a ser feita é preciso refletir o que nos fez chegar até aqui. Por que nestes mais de 20 anos de redemocratização vemos eclodir no senso-comum posições que dialogam mais com a direita do que com a esquerda.

Se abriu um processo que está em disputa sim, mas não uma disputa fácil, não uma disputa com a qual estamos acostumados normalmente, pelo menos a minha geração não está. Estamos disputando com a direita e precisamos nos diferenciar da burocracia, não é simples, pois estamos lidando com um sentimento de insatisfação com as instituições muito pesado. Porém é preciso apontar que a esquerda socialista e autônoma tem um projeto de destruição do estado e não um melhorismo como tem sido apontado pelos governos Lula e Dilma.

O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos. (Nota no. 11: sobre o ato dessa 5a feira)

Para a disputa que se abre é necessário unidade da esquerda anti-capitalista, é necessário que aqueles que lutam contra a redução da maioridade penal, pela demarcação de terras indígenas, contra o genocídio da juventude negra, pela legalização do aborto, contra a homofobia, por uma cidade sem catracas, pelo transporte público e tantas outras pautas que temos construído mês após mês se unam para debater e apresentar saídas programáticas reais, sem capitular a burguesia e a direita.

O momento é difícil, apavora e é um erro não falarmos com todas as letras que dá medo. Dá medo de perder um companheiro, dá medo de perder um amigo, dá medo de perder a si próprio. Mas o medo não pode nos imobilizar, é ombro a ombro, é olhar nos olhos de quem é do PSOL, PSTU, autônomos e encontrar ali a segurança de que estamos na mesma luta, na mesma disputa ideológica e no mesmo confronto social. Nos reconhecermos e disputarmos com a direita o senso-comum presente nas manifestações.

É importante notar que a revolta apresentada na quinta-feira não foi apenas com os partidos, mas também com organizações civis do movimento sindical, do movimento negro, do movimento feminista e afins. Foi uma demonstração de que há um setor na sociedade que preza pela despolitização dos espaços e se aproveita para dar respostas e apontamentos fascistas para a massa. É preciso refletir, ou ninguém notou que entre as principais matérias da grande mídia sempre se destaca matérias ressaltando o apartidarismo, por que isso interessa aos poderosos? Alguém se perguntou isso?

Eu quero mudar o mundo, eu quero a revolução, eu quero a morte do capital e eu milito em um partido e em movimentos sociais e não quero mais ter medo de colocar as minhas camisas e levantar as minhas bandeiras!

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva pela Democracia!

Tchau 2012, olá 2013

Aprendi a fazer balanço do ano que vai findando com o primeiro cara que eu beijei na vida, ainda quando estava em Belém. De lá para cá balanços foram ficando mais cotidianos na minha vida, principalmente quando se trata de política, também beijei outras pessoas e percebi que não necessariamente paixonites de adolescência são eternas.

2012 começou tenso e em crises múltiplas. Começou com uma paixão maluca que foi se esvaindo e se tornou uma amizade engraçada, junto tinha uma crise, uma crise que foi superada de mãos dadas. 2012 começou em Carapicuíba, passou pelo Vale do Paraíba, São Carlos, Franca, Vitória, Rio de Janeiro, Belém e termina em São Paulo.

Vi a maior ocupação urbana da América Latina ser trucidada pelas mãos do tucanato, antes de ver o Pinheirinho no chão eu o vi erguido e falar com aquelas pessoas e naquelas assembleias foi a uma das experiências mais catárticas da minha breve vida política.  Foi também no episódio do Pinheirinho que vi nos olhos do meu companheiro uma preocupação única: o meu bem-estar e o da Rosa.

Foi ano de eleição e uma das campanhas para vereador em São Paulo mais lindas que eu já fiz na vida, foi ano de esperança em Belém, mas que por diversos motivos não floreceu. Ano duro, quando pela primeira vez me vi perdendo gente próxima a mim da minha idade, da minha época de militância e por crime de ódio.

Em 2012 o meu relacionamento mais longo terminou, mas também foi época de reencontros. Juntamos as amigas da época de colégio em Belém, Rosa conheceu a madrinha dela, vivemos a cidade das mangueiras de forma intensa e única. Reabastecemos as baterias. Reencontrei amores antigos de uma forma doce, sensível, madura.

Consegui um emprego fixo. Ouvi um “eu não quero te fazer chorar, só sorrir”. Tive um átimo, dei uma bicicleta para a minha filha. Dei um tempo de desgastes, organizei as ideias.

2012 foi conturbado, com momentos duros. Mas os saldos são positivos: um emprego, uma filha feliz, um átimo e reorganização de atuação política. Eu fui feliz, tenho sido feliz nos últimos dois anos, algumas dores vão doendo menos, as coisas se organizando da sua maneira e um sorriso gigante voltando ao rosto para ficar, pelo menos é o que eu espero.

2012 termina e eu estou estável e não tem nada melhor pra mim do que estar estável. Como de costume eu aguardo 2013 com ansiedade, viver tem sido uma aventura primorosa nestes últimos anos.

Um tributo ao lutador Paulo Piramba

Não tenho conseguido tempo para blogar, mas hoje eu tirei um minuto antes de dormir pois é dia importante, dia que infelizmente quem trazia risadas nos trouxe lágrimas, como em uma pegadinha sem sentido.

Perdemos um camarada fantástico, alguém que povoava o twitter com críticas ácidas e certeiras não apenas sobre o governo, mas também sobre a esquerda socialista.

Lembro de como conheci Paulo Piramba pessoalmente, foi na sede do PSOL em São Paulo, enquanto ele esperava a camarada Lu Lacerda sair de uma de nossas exaustivas reuniões para organizar o encontro de mulheres do partido.

Confesso que para mim é muito louco ter tanto querer bem por uma pessoa conhecida mais pela internet do que pessoalmente, mas a dor sentida hoje ao receber a notícia de que este jovem ecossocialista e novo amigo tinha partido militando foi um choque tremendo.

O PSOL perdeu um grande militante ecossocialista, antimachista e antirracista, o #Eblog perdeu um grande camarada na luta pela democratização da comunicação e nós como um todo perdemos um amigo, um irmão… Pois quando nos colocamos na luta anticapitalista nossos aliados e camaradas são também irmãos, mesmo que mediados pela @ e pelo #FF.

Não tenho como compreender a dor dos camaradas do Enlace que militaram anos com este querido moço, ainda mais a dos camaradas do setorial ecossocialista do PSOL que perderam um de seus maiores entusiastas, mas sei que eu e diversos outros camaradas recentes de Paulo Piramba sofremos muito, tínhamos planos de organizar luta, debates e afins, fosse na internet ou fora dela.

Torço, mando boas energias e força para a companheira Lu Lacerda, pois não é fácil confrontar a perda de pessoas importantes e amadas em nossas vidas, o desafio é continuar a batalha e a luta por uma sociedade ecossocialista, antimachista e antirracista pela qual tanto militou Paulo Piramba com quem tive a honra de militar no mesmo partido e por algumas semanas no #Eblog, ele vive em nossa raça para criticar a direita e o governo, de nos contrapor àqueles que exploram os mais necessitados e lucram com nosso sofrimento diariamente…

Por fim, a matéria morre, mas a idéia não. Seremos combatidos, mas não seremos vencidos e mesmo perdendo mais um em nossas fileiras continuamos a luta e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos nós, pois é isto que gostaria tão valoroso, amado e querido camarada Paulo Piramba.

Ele se junta a tantos que já se foram, mas deixaram legado importante para nós, se junta para depois nos contar se deus existe ou se é só falácia mesmo e olhar mais a frente futuras peripécias da esquerda socialista.

Deixo aqui registrada minha tristeza e dor por ter perdido um camrada que tenho certeza teria se tornado um amigo enorme, fosse pelas piadas internéticas, fosse pela discussão política.

PAULO PIRAMBA! PRESENTE!

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