“Educação nunca foi uma prioridade no Brasil”

Em audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte a professora e militante do PSTU Amanda Gurgel fala sobre a realidade da educação no Rio Grande do Norte, mas que vale bastante para o resto do país.

A professora-militante escreveu também um texto que pode ser lido no Maria Frô:

A proletarização do professor, o fracasso da educação brasileira neoliberal e a velha retórica oportunista – Amanda Gurgel

Fora entrevista publicada no Portal do PSTU:

“É necessário transformar nossa angústia em ação” – João Paulo da Silva

Bom lembrar que no Estado de São Paulo as ETECs e Fatecs estão em greve por tempo indeterminado pode-se obter mais informações sobre a greve aqui, aqui e aqui.

Carta dos Movimentos Sociais de Nova Friburgo à População

Basta de irresponsabilidades e mortes. As tragédias podem ser evitadas!
A região serrana do Estado do Rio de Janeiro assistiu, na madrugada do último dia 12, a reprise de um filme de catástrofes. Ao amanhecer é que se pôde visualizar e ter as primeiras dimensões do ocorrido. O cenário era de devastação e tragédia: ruas inundadas, encostas desbarrancadas, residências desmoronadas, pessoas desesperadas e aos prantos, pela perda de parentes, amigos e vizinhos.

Na contramão do individualismo competitivo e ganancioso praticado pela burguesia, a população prontamente dedicou-se à solidariedade no socorro imediato às vítimas. Eram voluntários cavando com as próprias mãos, rompendo isolamentos, oferecendo teto e consolando os que tudo haviam perdido, mesmo que derramando lágrimas pelos entes queridos e pelo quadro geral de desolação.

Após os momentos iniciais de incredulidade e pavor, as pessoas se perguntavam: não seria possível evitar tamanha perda material e de centenas de vidas? Já não se produziu conhecimento científico capaz de prever fenômenos naturais como este e evitar as conseqüências tão devastadoras? Não existem exemplos no mundo de tragédias similares para as quais foram encontradas soluções de forma a reduzir ao mínimo as perdas? A quem caberia tomar as iniciativas necessárias a impedir tamanha catástrofe? Por que as autoridades não tomaram as medidas preventivas?

Na verdade, os trágicos acontecimentos são o reflexo direto de diversos fatores que atuam em conjunto, tais como a devastação da cobertura vegetal do planeta e o lançamento, na atmosfera, de um enorme volume dos chamados gases do efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e muitos outros.
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No entanto, a causa mais grave e evidente é a ocupação desordenada de encostas, margens de rios e outros espaços impróprios nas cidades, sem respeito às exigências técnicas de segurança. As áreas de risco são ocupadas por vias públicas e famílias de baixa renda que não têm para onde ir e precisam estar perto dos centros urbanos, mas também por habitações voltadas às camadas de rendas média e alta, construídas em ações de especulação imobiliária.
De igual forma, a falta de estudos e ações preventivas, aliada ao despreparo e à precariedade dos equipamentos das entidades de Defesa Civil e à total falta de concatenação dos governos e dos diversos órgãos que têm a possibilidade de atuar em situações de emergência, denuncia a visão imediatista dos políticos burgueses, praticantes da troca fisiológica de favores por votos, deixando ao léu qualquer perspectiva de administração planejada das cidades em prol do interesse popular. Fica clara a total falta de compromisso dos governos com as camadas populares e suas necessidades.
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Neste momento de dor e sofrimento, a tarefa imediata é prestar solidariedade, arregaçar as mangas, ajudar as vítimas. Mas uma tragédia como essa é uma demonstração clara de que o uso do solo para os interesses do capital, a ocupação das cidades em benefício dos ricos, a falta de participação direta da maioria da população nas decisões políticas não podem continuar.
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Já passou a hora de a população, que paga seus impostos e produz a riqueza através do trabalho, mudar este estado de coisas. A classe trabalhadora tem o direito de receber de volta e a fundo perdido os recursos (no lugar do saque do Fundo de Garantia) para adquirir moradia digna em local seguro, com todos os equipamentos urbanos e sociais que o Estado tem a obrigação de oferecer: pavimentação, iluminação pública, saneamento básico (coleta de lixo, água potável e esgoto tratado), energia elétrica (com tarifas equivalentes às contas de luz das indústrias), telefonia, transporte público a preços justos, educação, cultura e lazer. Se há dinheiro sobrando para socorrer grandes empresas e bancos durantes as crises do capitalismo, é inaceitável não haver recursos para salvar e manter a vida dos trabalhadores. Além disso, é preciso decretar a garantia de empregos e salários.

É urgente a união dos movimentos e organizações representativas dos trabalhadores para ações conjuntas no caminho da (re)construção das cidades sobre novas bases, visando ao atendimento dos interesses populares:

– plano emergencial para atendimento às necessidades imediatas das populações atingidas pela tragédia, com acolhimento aos desabrigados, aluguel social, alimentação e atendimento médico;
– isenção de impostos, taxas e tarifas aos atingidos pela catátrofe;
– recurso a fundo perdido para aquisição de bens móveis extraviados;
– campanha de saúde preventiva para toda a população;
– garantia de empregos e salários;
– formação de conselhos populares para acompanhamento da aplicação das verbas federais nos municípios arrasados pelas chuvas e das políticas públicas a serem adotadas;
– construção de moradias populares em áreas seguras e com dignas condições de vida (infraestrutura, saúde, educação, transporte);
– plano permanente de preservação ambiental, na contramão da lógica capitalista destruidora;
– construção do Poder Popular com vistas à democracia direta na tomada de decisões.
Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos, Têxteis, Vestuário, Saúde e Previdência, Professores e Profissionais da Educação no Estado do Rio de Janeiro (SEPE), Associação de Docentes da Faculdade Santa Dorotéia, PCB, PSTU e PSOL

 

Memórias de uma trajetória eleitoral bem curta

Sempre gostei de política e das eleições, desde pequena tenho histórias e mais histórias de acompanhamento da política ou do momento eleitoral, seja 89 quando disse para a minha mãe que queria fazer boca de urna para o Lula ou quando minha irmã chorou quando perdemos as eleições por conta do golpe da Globo no mesmo ano. Depois veio o impeachmant do Collor e eu pirralha querendo sair de preto igual aos caras pintadas e a minha mãe, acompanhando a votação do congresso para saber se o Collor iria continuar nosso presidente ou não.

Acompanhei a virada histórica do Edmilson Rodrigues em 1996 quando ele ultrapassou nas eleições municipais a Elcione Barbalho e depois deu a volta no Ramiro Bentes fazendo a esperança vencer o medo… Eu tinha fé no que viria pelas mão do PT, pelas mãos do Lula. Mas já em 2002 ouvi algo tão estranho, o expoente mór do coronelismo estudantil do meu colégio puxando voto no meu arauto socialista, naquele que levaria o que eu acreditava e colocaria em prática junto com o MST, sindicalistas e afins. O primeiro baque tão duro e violento, mas que ainda assim não me fez desistir de acreditar na mudança vermelha.

De lá pra cá as coisas mudaram muito, vi o vermelho pelo qual tanto meu coração bateu, chorou, militou tomando face cada vez mais de algo que abominava, veio a Reforma da Previdência, veio a Reforma Universitária, veio a capitulação da UNE e da CUT e com tudo veio meu descrédito com a política com todos.

Aos poucos fui voltando para a discussão da política brasileira pelo movimento estudantil, vendo que tinha sim outro jeito de fazer política e de que era necessário pensar para além das eleições, pensar nas mobilizações sociais de forma autônomas e que havia sim organizações partidárias que apoiavam estas mobilizações mesmo sabendo que isso possivelmente não se reverteria em votos e hoje, hoje eu fui votar pela primeira vez em São Paulo, pela primeira vez desde meus 16 anos votei com alguém me acompanhando na cabine e me fazendo acreditar sim no futuro e na revolução, a cada voto a carinha de reconhecimento da pequena Rosa dizendo estes daí eu conheço, são aqui do lado, tão junto com a mamãe quando tem o enfrentamento que seja em mostrou que apesar de duro e pedregoso o caminho socialista existe e precisa ser reconstruído como alternativa.

Neste 3 de outubro de 2010 o retorno mais válido das minhas crenças por mudanças sociais foi consolidado e está pronto pra muitas lutas, sejam eleitorais ou não. Ainda tem muito caminho pra ser reconstruído e é isso que eu vou ajudar a fazer.

Violência contra a mulher e oportunismo eleitoral

Confrontamos nestas eleições um debate estéril sobre violência contra a mulher no país. O assunto ganhou mais relevância no cenário político este ano por termos na disputa de uma das vagas paulistanas ao senado o Netinho de Paula notoriamente conhecido por seu quadro dominical Dia de Princesa e ter em seu passado caso de agressão contra a ex-mulher.

O tema infelizmente não ganhou a pauta eleitoral devido a gravidade da situação da mulher no Brasil e ser relevante discutir política para se assegurar a vida de milhares de mulheres país a fora que são ameaçadas de morte, espancadas e violentadas diariamente no país, mas por que Netinho de Paula concorre a uma vaga no senado pela coligação União Para Mudar que apoia a campanha de Aloísio Mercadante para o governo de São Paulo e Marta Suplicy para senadora. É óbvia a tremenda incoerência do PT em construir esta campanha, visto que é um dos partidos mais importantes na formulação movimento feminista, até por que Netinho de Paula em nenhum momento tocou em assuntos como centros de referência, casas abrigos, Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) ou até mesmo se colocou como um defensor dos direitos das mulheres.

Quem vem tentando se colocar como arauto da defesa da mulher contra a violência é o candidato Aloysio Nunes do PSDB, o mesmo partido que não colocou um vintém no Pacto de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher no estado de São Paulo, não investindo na construção de centros de referência ou estruturando as DEAMs pelo estado. O candidato tucano utiliza-se de maneira eleitoreira e oportunista de uma pauta crucial para nós mulheres, pois os governos do qual fez parte não investiram nada no combate a violência, saúde da mulher ou qualquer outra política que alterasse a relação entre nós e os homens na sociedade.

Neste mar de incoerência a esquerda faria uma diferença qualitativa neste debate, para mostrar o eleitoralismo do Aloysio Nunes e colocar avanços e retrocessos que tivemos junto a discussão de violência doméstica, mas que ainda não avançou para uma compreensão de violência de gênero.

Infelizmente os candidatos da esquerda ao senado não conseguiram ainda fazer esta mudança de debate. A candidata Ana Luiza do PSTU poderia ter sido ponta de lança nesta discussão, por conta de ser a única mulher socialista disputando o pleito na vaga ao senado poderia apontar a ineficiência estatal tanto de São Paulo quanto do Brasil na ineficácia de cumprir esta importante agenda política, porém resolveu atacar pura e simplesmente a Lei Maria da Penha, fora a linha editorial que lembra o programa do Datena ou o Notícia Populares, espreme e sai sangue, acredito que a ineficácia de se identificar uma pauta dessas em um formato sensacionalista é mais do que comprovado.

É bom lembrar que apesar da Lei Maria da Penha não dar conta da violência de gênero em geral, ela é sim um avanço pontual nesta pauta, pois a violência doméstica conseguiu sair do patamar de relação social na qual a sociedade não se intrometia e se tornou algo de grande relevância social, porém a implementação desta lei acaba passando por todos os subterfúgios da política burguesa e como a emancipação da mulher não é algo presente no status quo burguês acaba-se fazendo igual ao PSDB, ou seja, investimento quase mínimo nas políticas de assistência a mulher em situação de violência.

Apesar da Lei Maria da Penha ter sido implantada no governo Lula o investimento na infra-estrutura de atendimento a mulher deste mesmo governo é irrisória e não consegue atender a contento a quantidade de mulheres que sofrem violência no Brasil. Além de não conseguir implementação decente a Lei Maria da Penha não tem a compreensão de violência de gênero, ou seja, prostitutas, militantes ou qualquer outra mulher que sofrer da forma de violência que for não está coberta pela lei.

É preciso que o feminismo seja recolocado na pauta, para que seja compreensível o quanto é descabido ter um candidato que bate em mulher e outros que se utilizam desta pauta de forma oportunista, precisamos discutir a violência não do ponto de vista sensacionalista da grande mídia, mas de forma qualificada, conseguindo formar mulheres feministas e socialistas que compreendam seu lugar na sociedade .

Infelizmente isso não acontecerá enquanto o feminismo for tratado de maneira anexa pelas próprias mulheres, enquanto não retomarmos a prática de disputar nossas demandas no movimento misto para que possamos avançar a consciência não apenas das mulheres, mas dos homens para que nossa luta tome força.

Contamos ainda com situação tão adversa quanto a de outros movimentos sociais e de uma necessidade real de que o feminismo e o socialismo seja recolocado na pauta junto a sociedade, porém isso é assunto para outro dia.

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