Planalto tremei por que aí esta por vir Gaby Amarantos, a malaca do Jurunas

Não fiz campanha para Dilma, tenho sérias divergências com o governo Lula e nem estarei em sua pose por motivos óbvios, mas não é sobre isso que quero falar, pelo fato de morar em São Paulo raramente escrevo por aqui coisas sobre o Pará.

Agora não há como não falar sobre o fato da Gaby Amarantos ser uma das mulheres que irão cantar na posse da presidenta eleita, não é qualquer coisa ela estar lá, é uma representação social, de gênero e raça importantíssima, ou quantas vezes vocês viram uma mulher, negra, nortista e do jurunão cantar na posse de algum governante? Principalmente na posse de um presidente da república?

Não é a primeira vez que a Gaby assume um lugar que por conta da divisão de classes existente, é bom lembrar que há alguns anos no 1º Prêmio Cultura de Música realizado no Theatro da Paz esta mulher foi a primeira cantora de technobrega a cantar em um espaço notoriamente conhecido como berço da cultura erudita e elitista.

É quebra de paradigma o que acontece, pois querendo ou não technobrega, funk, forró, hip hop e o escambau são visto como música populacho, nada erudita e que muitas vezes não deve ser encarado como cultura, a Flávia Alli discutiu isso muito bem em um post no Jornalismo B sobre funk e eu acredito que se espraia para uma análise para os demais gêneros (é assim que se fala?) musicais oriundos da periferia, óbvio que com as devidas proporções.

Do ponto de vista do simbólico é uma vitória e tanto termos uma mulher, negra, nortista e do jurunão cantando na posse da presidenta da república, particularmente para a carreira da Gaby Amarantos é um reconhecimento fenomenal e é coerente com a sua atuação política durante as eleições e gostaria de deixar claro que não concordo com os posicionamentos políticos da Gaby por N motivos, mas não vou cair na esparrela de não reconhecer que dentro deles a Gaby representa uma quebra de paradigma importantíssima.

Planalto tremei por que aí estar por vir Gaby Amarantos, a malaca do Jurunas – pois nesse caso é sim importante demarcar de onde ela veio.

Nem tão novidade assim, ou o PMDB no governo Jatene

Acabo de me deparar com uma entrevista inédita do Jáder Barbalho no blog A Perereca da Vizinha, coisas que não me admiram nem um pouco, só reforçam o maniqueísmo e a falta de discussão política ali pelo Pará e também no resto do país, seguem as três respostas que mais me chamaram a atenção, o resto vocês podem ler aqui.

Perereca: Como é que está a relação do PMDB com o PSDB? Vocês já conversaram, já há alguma coisa em vista; o PMDB vai compor ou não o novo governo?

Jader: Eu tive uma conversa com o Jatene, às vésperas dessa viagem que ele fez recentemente. Estivemos conversando longamente, onde ficou acertada a participação do PMDB no Governo. Agora, não ficou acertado aonde, que cargos, nomes, e nem fixamos percentuais. Ficamos de, no retorno dele, discutir, de forma objetiva, qual seria a participação do PMDB no governo. Quer dizer, os espaços, os nomes, nós ficamos de discutir exatamente nesse retorno.

Perereca: Não é meio estranho, depois de toda a oposição que o PMDB fez há quatro anos, agora integrar o novo governo do Jatene? Ou isso é uma coisa até natural, já que o PMDB, ao que parece, nunca teve problemas com o Jatene, mas, com algumas alas do PSDB?

Jader: Olhe, eu considero natural, já que a grande maioria do partido, quase a unanimidade, apoiou a candidatura do Jatene no segundo turno das eleições. Tivemos um candidato próprio, o deputado Domingos Juvenil…

Perereca: Que era um laranja…

Jader: Não, não era um laranja. Quando fizemos a opção pela candidatura dele, acreditávamos que fosse possível fazer essa candidatura crescer e efetivamente se transformar numa alternativa eleitoral e ter sucesso. A história de candidaturas, não só no Pará, mas em diversos pontos do Brasil, demonstra candidaturas que começam com um percentual pequeno, mas ganham densidade durante o processo eleitoral e acabam por se tornar viáveis.

 

A dica da entrevista está no Blog da Repórter

Assine a Carta aos Responsáveis pela Tragédia Ambiental no Xingu

Oi,

aqui é o Rodrigo e hoje o bidê vai fazer a linha utilidade pública:

Segue abaixo a Carta aos Responsáveis pela Tragédia Ambiental no Xingu, elaborada por ambientalistas e ativistas sociais em defesa de Belo Monte no Rio de Janeiro. O documento será protocolado no Ibama do RJ. Para assinar, basta enviar seu nome e documentação para o e-mail de Pedro Torres (pedrohtorres@yahoo.com.br), ambientalista que faz parte da organização do Ato Contra Belo Monte, que acontecerá nesta quarta-feira (24), às 10h, em frente à sede do Ibama, na capital carioca.

CARTA AOS RESPONSÁVEIS PELA TRAGÉDIA AMBIENTAL NO XINGU

No dia 1º de Fevereiro de 2010 o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) concedeu a Licença Prévia (LP) para a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte no Rio Xingu no Pará. Este empreendimento é considerado pelo Governo Federal como a principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC – com investimentos divulgados e estimados superiores a R$ 30 bilhões e expectativa de geração de 11.000 kW de energia, o que a tornaria a terceira maior hidrelétrica do mundo.

Exatos 24 dias após a assinatura da LP pelo Diretor do IBAMA, Roberto Messias Franco, integrantes da sociedade civil e de movimentos sociais, representantes e lideranças indígenas, estudantes e trabalhadores vem à sede do IBAMA, na cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de mostrar ao Ministro Carlos Minc, ao Ministro Edson Lobão, a Ministra Dilma Rousseff e ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não queremos e não aceitaremos a construção da UHE Belo Monte.

Primeiramente questionamos a viabilidade desta obra, porque não respeita as Oitivas Indígenas, obrigatórias pela legislação brasileira, e pela Convenção 169 da OIT, que garante aos indígenas o direito de serem informados de forma objetiva sobre os impactos da obra e de terem sua opinião ouvida e respeitada.

Cabe ressaltar o grave desrespeito a Convenção 169 da OIT, assinada pelo Presidente Lula em 19 de Abril de 2004, que normatiza o respeito aos Povos Indígenas e ao debate público. A sociedade civil foi afastada das quatro audiências públicas da UHE Belo Monte realizadas entre os dias 9 e 15 de setembro de 2009, já que foram realizadas em localidades distantes e sem condições para a participação da maioria da população atingida.

Consideramos que os estudos e relatórios técnicos para a concessão da LP de Belo Monte estão incompletos e favorecem alguns interesses políticos e econômicos, já que negligenciam ou subdimensionam gravíssimos impactos ambientais e sociais negativos oriundos do projeto da UHE Belo Monte.

Repudiamos o fato de que técnicos do IBAMA, contrários a LP, foram afastados ou tiveram que se afastar o que evidencia de que o procedimento científico para avaliar os impactos ambientais não passa de mera formalidade – abrindo perigoso precedente, e que esta decisão é, portanto, vertical, vindo de cima para baixo, não respeitando a independência dos funcionários do Instituto.

Parece-nos inadmissível e autoritário o posicionamento da Advocacia Geral da União de ameaçar o Ministério Público por sua atuação e ação pública de questionar os procedimentos que permitiram a concessão da LP, levando assim a voz e a indignação da sociedade civil e dos povos indígenas do Xingu à esfera institucional.

Belo Monte já é, sem dúvida, um dos maiores crimes ambientais da história. No entanto, a história ainda pode absolver seus culpados, porque ainda é possível anular esta primeira LP concedida. Há mais de vinte anos os guerreiros povos do Xingu lutam contra essa usina, planejada na década de 70 como mais uma das grandes obras projetadas durante a ditadura militar. Até parece uma ironia um governo formado, em sua maioria, por aqueles que lutaram contra um governo autoritário quererem agora empurrar de qualquer forma este projeto.

Por outro lado, a história pode dar a estes a possibilidade de ficarem marcados como aqueles que enterraram de vez este empreendimento.

Sempre existe tempo para refletir, reconhecer o erro, voltar a atrás, e a partir daí, andar para frente! É por isso que clamamos para que anulem já esta LP e respeitem os povos da floresta, a democracia e a legislação brasileira!

Apoiamos os movimentos contrários a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e as ações públicas contra esta usina.

A sociedade civil está atenta e os povos indígenas em alerta!

Vamos reescrever essa história!

É por isso que lutamos por um Xingu Vivo para Sempre!

Assinado pelos ambientalistas:

Erika Berenguer

Guilherme Bessa

Luiz Philyppe Lima da Motta

Maíra Borges Fainguelernt

Marina Seixas

Pedro Henrique Torres

Representantes dos seguintes povos Indígenas do Xingu.

Representantes dos seguintes povos Indígenas do Acre.

Um novo olhar sobre o Araguaia

 

Por Luka Franca – lukissima@gmail.com

Desde o final dos anos de chumbo no Brasil, em 1985, a sociedade busca respostas para os acontecimentos ocorridos durante esta época, ações tanto dos militares quanto dos militantes contrários ao regime. Neste período, o país presenciou diversas formas de organização que faziam frente ao regime militar instaurado em 1964. Uma das mais famosas foi a Guerrilha do Araguaia, que teve como palco os estados do Pará, Maranhão e Tocantins – que naquela época ainda fazia parte do estado de Goiás. Até hoje uma boa parte do que é conhecido sobre o Araguaia tinha sido escrito com base em documentos dos próprios guerrilheiros e do PCdoB; mas durante suas pesquisas, Hugo Studart teve acesso a documentos fornecidos por militares que estiveram nas três campanhas da Operação Araguaia.

 

A Lei da Selva é uma dissertação de mestrado que teve seu conteúdo ampliado para a publicação. Studart faz uma análise de todo o imaginário que envolvia a situação, como os militares atuantes na região encaravam os atos dos guerrilheiros e os respeitavam. Tanto que quando se referem aos guerrilheiros desertores antes das operações militares começarem na região, parecem tratá-los com indiferença, como se os guerrilheiros presentes durante as incursões militares merecessem ser respeitados por enfrentarem os militares em combate. No livro, o autor usa como base um dossiê entregue a ele pelo exército que o ajudou durante a pesquisa. Para ter um contraponto das situações apresentadas no dossiê, foram utilizados três documentos escritos por guerrilheiros: Relatório Arroyo, Relatório Pomar e O Diário do Velho Mário.

 

Os documentos usados para a construção de A Lei da Selva tratam sobre o cenário anterior as três campanhas realizadas no Araguaia e a realidade vivida durante a operação. De todas as incursões, a terceira foi a que mais feriu as Convenções de Genebra e os direitos humanos, além de ser a mais obscura. Ao mesmo tempo em que Studart analisa os acontecimentos tendo como pano de fundo os relatos dos militares e de alguns guerrilheiros, também remete a outros fatos históricos: no trecho em que os militares relatam a execução da guerrilheira Dina, o escritor compara a história  da execução com o mito de Aquiles e Perciléia – Aquiles teria se apaixonado por Perciléia no momento em que seus olhares se cruzaram, instante em que ele matara a moça. Em outras passagens são percebidas divergências naquilo que é contado pelos ex-guerrilheiros e militares, como no episódio em que o corpo  de um dos líderes da guerrilha, Osvaldão, teria sido pendurado pelo pescoço em um helicóptero. Segundo os militares, tal acontecimento foi acidente.

 

O livro vai mostrando as discordâncias de imaginário, como os acontecimentos tinham uma significação diferente para os dois lados. Trata-se de mais uma peça que dá continuidade à montagem dessa parte do quebra-cabeça que é a época do regime militar, principalmente a Guerrilha do Araguaia.

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