Para inspirar o maternar

Faz tempo que não venho por aqui falar sobre maternidade, até por que tem tantos outros blogs interessantes para falar sobre o tema que me sinto um pouco coagida a falar sobre minhas experiências de mãe solteira-jovem-feminista-socialista. Deixo o andor com as meninas do Mamíferas que é um canto ótimo para se ler sobre maternidade ativa, parto, amamentação e nóias de mãelocka.com.br.

Já disse que realmente fui ganha para o feminismo depois de ser mãe, durante um caminho com algumas pedras, mas que resultou em um parto lindo e numa história de amamentação, troca e companheirismo inigualável com a minha filha.

Porém dentro deste percusso de quase 2 anos acabei encontrando duas referências fantásticas, pessoas com as quais não consigo conviver muito por conta da rotina de trabalho, mas que tenho me esforçado para conseguir estar mais perto. Por coincidência essas duas mulheres são baianas, moram na periferia de São Paulo, lutam muito para poder ter o que tem e são ícones importantíssimos em seus ciclos de militância e amizade e por uma conspiração do destino acabei atravessando pela vida delas.

A primeira é a Edna, moradora há 20 anos do Jardim Pantanal, vítima das enchentes de 2009, uma das principais figuras públicas da ocupação do terreno da Vila Curuçá no começo do ano, mãe de uma filha e mulher que consegues se impor de uma forma magnífica, a entervistei para meu primeiro projeto de TCC e ela me ganhou durante os dias que consegui passar lá na ocupação da Vila Curuçá. No meio do ano foi entrevistada pelo Azenha para uma matéria sobre alcoolismo veiculada na Rede Record, é integrante do Terra Livre e apoia ativamente o MULP, passou por poucas e boas vida a fora e espero um dia conseguir publicar por aqui a perfil que fiz com ela no começo do ano.

A outra é a Mara, presidenta da Cooperativa de Catadores da Granja Julieta, mãe de 13 filhos a conheci na primeira Tribuna Popular organizada pelo Tribunal Popular, a cooperativa da Granja Julieta havia acabado de pegar fogo e ela lutava para reabrir o espaço junto a prefeitura de São Paulo, quase não via ois filhos pois tinha que batalhar para eles terem onde morar e comer e neste final de ano recebeu um presente fantástico que foi a Laíssa ter passado no vestibular, a Maria Frô publicou a história delas aqui.

A cooperativa da Granja Julieta foi reaberta, porém as dificuldades de manter o local funcionando são grandes, em épocas de chuva as prensas estão dando choque a torto e a direito e a prefeitura fez uma instalação elétrica das piores, conversei com a Joelma e com a Mara e elas contaram que tem locais onde passam rios de água por baixo da fiação elétrica podendo ocasionar um novo incêndio, ou quiçá, a morte de alguém por eletrocussão. Fora que novamente os vizinhos estão reclamando da cooperativa e a prefeitura já ligou para lá dizendo que vai proibir a entrada dos caminhões pela parte da noite, mas é importante lembrar que caminhão pela marginal pinheiros agora tem hora pra circular, e aí eles vão trabalhar como sem material pra prensar?

Lá no Pantanal também as coisas vão caminhando para o que foi o começo de 2010, famílias já arrumando trouxas de lençol com roupa dentro e esperando o rio subir a cada milímetro e sexta passada, enquanto na Granja Julieta se comemorava o aniversário da cooperativa, no Pantanal 2 pessoas eram presas pela polícia civil sem ter mandato algum  e sob alegação de que elas recebiam bolsa-aluguel, porém segundo os moradores de lá há muito que nem as pessoas presas como várias outras não recebem auxílio algum da prefeitura.

Sob a égide de uma prefeitura que não garante acesso a creches para as crianças dessa cidade, visto que só no começo do ano já existiam mais de 20 mil crianças na fila de espera por vagas nas escolas da capital, desabamentos já começando a aparecer pela zona leste de São Paulo e gente querendo continuar a trabalhar e não podendo. Não é de se admirar mulheres que sejam mães nestas condições? Seja tendo 1 filha ou 13, é nessas horas que o mundo fica pequeninho com tanta mediocridade de quem está no poder.

Email da @Thatalsr sobre a desocupação da Alagados do Pantanal

Companheiras e companheiros,
É com grande pesar que lhes envio a notícia de que hoje a algumas horas atrás a PM entrou com tudo na ocupação alagados do Pantanal e feito animais, deram trinta minutos para que nos retIrassemos, o oficial de justiça que estava com o pedido de reintegração de posse, além de fura greve era um moralista e impossibilitou qualquer tipo de negociação. Mais uma vez eles vieram com seus braços de ferro, mostrando que quem manda é quem tem arma na mão. Entretanto na ultima ligação que fiz, ainda pude ouvir as famílias gritando, resistindo e dizendo que vão resistir até o fim, entre gritos e lágrimas, essas famílias nos dão a lição de coragem, do porque o socialismo é preciso! É isso gente, agora elas estão indo, com a única coisa que ás resta, que é a coragem, para a sub prefeitura de São Miguel Paulista, reivindicar os seus direitos.
É isso, eu não sei como dar esse informe melhor.

“NA LUTA, NA LUTA, NÓS VAMOS RESISTIR, PELA NOSSA CASA, PELA MORADIA, PELA TERRA LIVRE LUTAREMOS TODO DIA!”


Thais Dourado
LSR / CIT!
Partido Socialismo e Liberdade!
Coletivo Nacional Construção!

Mulheres em LUTA!

“Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário”
CHE

Assine abaixo-assinado contra o despejo das 100 famílias da ocupação Alagados do Pantanal

Assine abaixo-assinado contra o despejo das 100 famílias da ocupação Alagados do Pantanal

Reintegração de posse vai remover 100 famílias
vítimas das enchentes na Zona Leste
Ao governo estadual de São Paulo, à Prefeitura de São Paulo e às demais instâncias do poder público.

Nós, abaixo assinados, apoiamos a luta da população da região do Pantanal que teve suas casas inundadas e perderam quase tudo nas enchentes de 2009 e 2010. Famílias, homens, mulheres e crianças ficaram sem suas casas, roupas, eletrodomésticos e até sem comida e água, além daqueles que perderam seus entes queridos. Muitos não tiveram para onde ir, mas essas pessoas não perderam a coragem.

Desde 17 de abril, cerca de 100 famílias estão acampadas num terreno abandonado na Vila Curuçá na luta por moradia digna, por um teto para morar e viver. Nós, solidários aos “Alagados do Pantanal”, queremos pedir aos senhores que intervenham para abrir negociações e evitem que mais uma vez estas famílias sejam despejadas. Atuem para que ocorra a desapropriação do terreno e para diminuir a repressão policial, pois nós queremos paz, justiça e moradia digna para todos.


Polícia invade ocupação urbana na Zona Lesta de São Paulo

Ontem de madrugada 8 viaturas da polícia militar, sendo uma da Força Tática, foram a ocupação Alagados do Pantanal – Zona Leste de São Paulo – entraram no acampamento e começaram a ameaçar as famílias que ocupam há 2 semanas um terreno na Rua Osório Vilhena na Vila Curuçá, entre outras coisas cortaram a energia da ocupação, ameaçaram a jogar bombas e destruir os barracos já construídos no terreno e a “meter” bala nas famílias que saíram do Jardim Pantanal e ocuparam o terreno na Vila Curuçá. Além do assédio moral, os policiais ameaçaram com armas o funcionário da Sabesp Marzeni Pereira que caso ele saia da ocupação ele seria preso.

A ocupação Alagados do Pantanal

100 famílias ocuparam na madrugada do dia 17 para o dia 18 de abril um terreno na Vila Curuçá, estas famílias são vítimas das enchentes que aconteceram no Jardim Pantanal no começo do ano que as fizeram perder casas, eletrodomésticos e diversas outros bens. A reivindicação das famílias ocupadas no terreno da Vila Curuçá é a de que a prefeitura de São Paulo dê novas casas aos moradores atingidos pelas águas de janeiro.

Até agora a única política que a prefeitura viabilizou para as famílias atingidas pelas enchentes do começo do ano foi a bolsa-aluguel que tem uma duração de três meses, não resolvendo diretamente o problema de moradia instaurado naquela região. As famílias ocupadas na Vila Curuçá reivindicam novas casas da prefeitura e continuam no terreno da Rua Osório Vilhena, mesmo com a polícia ameaçando e coagindo os ocupantes.

A polícia já havia assediado as famílias no começo da ocupação, proibindo a entrada de doações e comida para os ocupantes da Alagados do Pantanal.

Para mais informações: Marzeni Pereira: (11) 9734-6736

Maria Zélia: (11) 7362-2841

100 famílias ocupam terreno na Zona Leste de São Paulo

Na luta, na luta, nós vamos resistir

Na luta, na luta, nós vamos resistir

Pela nossa casa, pela moradia

Pela Terra Livre, lutaremos todo dia!

Na madrugada de 17 para 18 de Abril de 2010, cerca de 100 famílias organizadas no TERRA LIVRE – movimento popular do campo e da cidade, ocuparam um terreno na Zona Leste de São Paulo. Esta é uma ação organizada pelas vítimas das enchentes de dezembro de 2009 e janeiro de 2010, causadas pelo governo estadual ao realizar o fechamento das comportas da barragem da Penha.

Queremos denunciar à toda sociedade que as enchentes não são uma catástrofe natural, mas o manejo das comportas das barragens do rio Tietê, numa política planejada do governo e da prefeitura para facilitar a retirada de famílias para a construção do Parque Linear Várzeas do Tietê.

Não é admissível a política atual de retirar as famílias de seus lares para que as mesmas famílias paguem para morar o resto de suas vidas. Ou que em troca recebam uma bolsa-aluguel de R$ 300 por seis meses. Reivindicamos do governo estadual e da prefeitura uma real política de habitação, em que as famílias que perderam suas casas recebam outra no lugar.

Fazemos um chamado às pessoas e entidades comprometidas com as lutas populares. Precisamos de apoio material e político em mais esta luta. Nós, trabalhadores e trabalhadoras atingidos pelas enchentes não deixaremos nossa situação cair no esquecimento. Lutaremos até o fim por uma moradia digna e por uma sociedade mais justa e igualitária.

Aqui estão as famílias vítimas das enchentes do governo Serra, que perderam tudo menos a coragem de lutar!

Uma casa por outra!

Queremos moradia digna!

Reforma Urbana Já!

TERRA LIVRE – movimento popular do campo e da cidade

Regional São Paulo

Fonte: www.terralivre.org

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