O machão e o machista: Duas faces da mesma moeda e o equívoco do socialismo moreno

Aí que eu chego em casa, vou fazer pipoca para a minha pequena e ao entrar no twitter um monte de gente está falando sobre este texto aqui da Cynara Menezes. Gosto de escrever sobre teoria política, debates programáticos, coisas diversas da política e para mim o feminismo se enquadra aí na disputa política, na estruturação de movimento social e normalmente não me meto em tretas de internet, mas hoje deu.

Esse texto aqui não pretende ficar dizendo se é de boa se interessar por pessoas x ou y. O desejo sexual entra em outra esfera do debate e pra mim esse não é o eixo organizador do que ali tá escrito, até por que há limites entre o livre exercer da sexualidade e relações abusivas. O intuito deste texto é localizar os debates programáticos feministas numa real perspectiva de esquerda, pois me causa espanto um blog chamado “Socialista Morena” não conseguir localizar os debates sobre opressão de gênero junto às pautas da esquerda socialista.

Digo isso por que ao abrir o site hoje para ler o post não conseguia conceber alguém que se reivindica de esquerda localizar tão mau um debate que, ao meu ver, é estratégico para a esquerda. Primeiro por que recai numa heteronormatividade tacanha e cissexista, ajuda em um processo de apagamento da população LGBT. Quero crer que foi apenas um deslize esquecer que as pessoas não se relacionam ou se sentem atraídas apenas por gente de gêneros diferentes. Ou seja, o texto publicado hoje pela jornalista e blogueira atenta a luta LGBT de forma rasteira e desinformada.

Além do mais, o texto parece ser retirado de algum blog da Veja. Sim, o conservadorismo político e a manutenção do machismo, racismo e LGBTfobia andam de mãos juntas. Pois é necessário ao capital estas relações de opressões permanecerem, é onde a exploração consegue se permear melhor é mantendo à margem as “minorias”. É esta estrutura conservadora e opressora que a posição ao se tentar dividir questões que não são divisíveis, pois o machismo, como já disse neste texto e em outros que circulam por aí, é estruturante do capitalismo. O machismo tem representação concreta nas relações abusivas entre os gêneros e também tem representação ideológica, não existe essa de dividir as coisas, por que não se divide categorias que formam a nossa atual sociedade.

Não é um maniqueísmo de que os homens cis são maus e o resto é bom. Não por que todas nós fazemos parte desta sociedade e as contradições dessa estrutura social aparece cotidianamente. Machismo é estrutural, assim como o racismo e a LGBTfobia e sendo estrutural dessa sociedade é preciso ser combatido de forma estratégica e não se utilizando de justificativas bobas, vazias para tentar provar o que não existe.

A lógica das mulheres serem propriedades dos homens é perpetuada ao longo dos séculos, é quando olhamos pra localização social do gênero que percebemos que o “proteger” que a Cynara ovaciona contra o “submeter” fazem parte de um mesmo enredo, nada mais do que isso. O “proteger” é o proteger algo que é seu, a sua propriedade privada, a sua propriedade mulher e não dá para a esquerda socialista achar isso de boa, um mal menor e afins.

Não é um debate sobre por quem tu te atraís ou não. Sexo, relacionamento, como vão se estruturar e os limites nós resolvemos no nosso cotidiano. A questão é o como um post de um blog que pretensamente se diz de esquerda consegue ajudar a manter uma série de preconceitos e estruturar um discurso de mal menor que foi construído pelo stalinismo e isso deve ser combatido cotidianamente.

No fundo esse texto só demonstra o quanto é preciso avançar no debate político para haver a compreensão de que as pautas feministas, anti-racistas, socialistas se dialogam dentro de um mesmo projeto de forma paritária e não proporcional. Não existe opressão menor ou maior, existe opressão e ela ajuda a manter um sistema de exploração que cotidianamente quer nos matar, nos aniquilar, pois somos os indesejáveis. Tá aí o problema do texto, ele simplesmente conserva o que a burguesia, os poderosos, os reacionários de plantão querem deixar quieto.

Meninx para namorar e meninx para ficar, só que não

Resolvi fazer um post de auto-ajuda paras os garotos cis adolescentes prestarem atenção. Me baseei neste link para dar para vocês meninos cis dicas importantes sobre garotas cis pra ficar e garotas cis para namorar.

A primeira dica é: Se libertem! Por que sinceramente, há mais no mundo do que apenas namorar ou ficar com meninas cis. Vocês podem se apaixonar por outro garoto cis, podem se apaixonar por uma menina trans ou por um menino trans. O importante é se apaixonar, viver as experiências com gente que acolha e ajude a vocês crescerem. E não arranjar namoro só por que todo os moleques cis na sala de aula ficam te oprimindo para ficar com a fulana cis. Relacionamentos são diversos e a beleza deles é essa.

A segunda dica é: Não existe gente pra namorar e gente pra ficar. Isso é uma mentirada que inventaram só para manter as coisas como estão. Tu és jovem, és o futuro da nação, és burguês sem religião (opa! baixou o Legião Urbana agora), viver as diferentes formas de relacionamento é importante. Não to dizendo que é fácil, relacionamento nunca é fácil. Mas relacionamento não é só ficar ou namorar, tem tanta forma boa de se relacionar por aí e respeitar essa diversidade é melhor ainda.

A terceira dica é: Não ache que todas as meninas e meninos te querem. Forçar qualquer coisa com a pessoa que for pode ser considerado assédio, violência, opressão e estas coisas são crimes. Relações devem ser sempre consensuais e nunca uma relação de poder entre você e a pessoa que você gosta. Se tu gostas de submeter as pessoas aos teus quereres, isso quer dizer que gostas de uma relação de abuso e relações abusivas são crime.

A quarta dica é: Assim como tu gostas de sair de balada a menina ou o menino também pode gostar, ficar na nóia achando que só por que antes de vocês estarem juntos ela/ele ficavam com muitas pessoas na festa é bobo  demonstra total falta de confiança nos acordos firmados no relacionamento.

A quinta dica é: Seja feliz. Se liberte e pense diverso. Nada melhor.

PS: Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão “alinhados”. (O que é cissexismo)

Atualizado às 18h40

A Capricho retirou o post do Márcio Picolly do ar. Mas não é a primeira vez que a revista faz post do gênero no seu site, em setembro de 2011 ela tinha produzido algo parecido.

A necessidade da esquerda socialista compreender o direito ao corpo

Cada vez o domínio sobre o corpo das pessoas tem aumentado e isso tem reverberado diretamente em políticas para a classe trabalhadora, ou seja, o direito ao nosso corpo precisa ser encarado como um patamar importante da luta das mulheres da classe trabalhadora também, não na lógica da liberação sexual pela liberação sexual, isso é limitador, mas como a necessidade da busca de uma sociedade plenamente igualitária e emancipadora. Perder este pé e a noção de que hoje no mundo se reorganiza um pedaço do movimento feminista que precisa ser disputado é um tanto cego, pois a maioria das mulheres que mais precisa destas políticas são trabalhadoras e negras.

A legalização do aborto tem sido um dos temas mais nefrálgicos do programa feminista há muito tempo, ainda mais em países em que a laicidade do estado é uma lenda urbana muito mal contada. Semana passada mais um capítulo da luta pela legalização da prática no país foi escrita, o Ministério da Saúde acabou por divulgar que iria estudar medidas para reduzir os danos do aborto ilegal em nosso país. A notícia obviamente causou furor entre os conservadores de plantão que dizem esta política ser ilegal, confirmando que em nada se preocupam com a vida das mulheres. Pois mesmo uma política recuada do governo que primeiramente só pensa em estudar a possibilidade de uma política de redução de danos (ou só eu acho que a possibilidade da possibilidade é algo recuado?).

Segundo a proposta em discussão, os médicos passariam a orientar as mulheres decididas a tomar o remédio. Explicariam como usá-lo e qual é a dose ideal, de forma a reduzir o risco de complicações. É possível que o governo crie uma cartilha para orientar os profissionais sobre o que fazer quando atendem uma paciente antes ou depois do aborto clandestino. (SEGATTO, Cristiane. O Estado e a mulher que aborta)

Porém esta política necessita de um olhar sobre o que é a saúde pública brasileira hoje. Um país onde parte considerável do serviço público é vendido para OSs e OSCIPs, das quais a maioria é administrada por entidades religiosas e impõe dentro da sua administração seus dogmas. Muitas vezes se negando a atender mulheres em situação de abortamento. Lembrando que no caso das mulheres negras a situaçãod e sangramentos e risco de vida acaba sendo 6 vezes mais do que as mulheres brancas, pois normalmente somos nós que recorremos ao SUS privatizado e desmantelado.

O debate está aberto há tempos, é um embuste dizer que este movimento do Ministério da Saúde reabre o a discussão junto a sociedade, até por que foi este o debate que pautou as eleições de 2010, onde a atual presidenta capitulou de todas as formas aos tucanos e aos verdes, assim como tirou do papel a MP 557 (cadastro de gravidez) para viabilizar o seu Rede Cegonha e escanteou de vez o PNAISM (Plano Nacional de Atendimento Integral à Saúde da Mulher) e o PNHP (Plano Nacional de Humanização do Parto). Ambos de formulação da época do governo Lula  e que atendiam a diversidade de mulheres (negras, lésbicas…) existentes na classe trabalhadora hoje.

A política sobre direitos sexuais e reprodutivos acaba sendo tão controversa no país que é preciso sentar e observar atentamente as movimentações do poder público na área. Como já disse a política de privatização da saúde por parte do governo petista é uma realidade no país. São leitos do SUS terceirizados para planos de saúde, postos de saúde administrados por empresas privadas e não pelo poder público e tudo isso interfere diretamente na aplicação de uma política que leve em conta os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, ou seja, o direito sobre o corpo das mulheres tem relação direta com as políticas existentes hoje em nossa sociedade sobre saúde pública. E debate saúde pública e direitos sexuais e reprodutivos deve ser muito pequeno burguês mesmo para parte da esquerda brasileira não fazer esta ligação e não disputar nos espaços do movimento de saúde, feminista, sindical, estudantil e o escambau uma concepção de saúde que contemple a maioria da classe trabalhadora.

A política de privatização da saúde acaba por interferir diretamente no próprio debate de humanização do parto, pois a industria da cesárea no país e a desumanização do atendimento obstétrico, pois a maioria das cesarianas feitas em nosso país é no setor privado, que em alguns lugares chega a quase 80% das taxas de parto.

O Brasil é o país com maior índice de partos por cesariana no mundo.

Isso é uma grande preocupação para os governantes e para as famílias.

Para cada 1% que se cresce no índice de partos por cesariana, o custo operacional para o país e para a sociedade é aumentado em US$ 9,5 milhões. (*)

Uma em cada 1000 mulheres morre em partos por cesariana (**)

Na América Latina estima-se um número de 850.000 partos por cesariana desnecessários e o Brasil tem o índice de 32% bem acima dos Estados Unidos e todos os outros países latino americanos.(***). O Organização Mundial de Saúde desde 1985 recomenda que este número não ultrapasse 15%. (OLIVAS, Walter. Partos Normais x Partos por Cesariana)

Ora, se há um processo de privatização da saúde pública brasileira e os números mais alarmantes da industria da cesárea é na rede privada de saúde é só somar os dois dados para saber o que vai aprofundar nesta seara da saúde da mulher, ou não? Casas de Parto públicas com gerência direta ao governo são raríssimas, mesmo que saiam nos planos votados nas conferências de mulheres e de saúde. O que há na verdade é um descaso geral com os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, mas não apenas aquelas que nasceram com vagina e útero. Porém fomos acostumadas a não compreendê-las como parte também do mundo do gênero feminino.

Sim, as mulheres trans e travestis também sofrem diretamente com essa política aí colocada e que interfere na discussão do direito ao corpo.  Na última Parada Gay de São Paulo o governo tucano soltou nota pedindo para que as travestis e transsexuais se vestissem de maneira “comportada”, além disso a organização da para tirou estas mulheres do carro oficial da parada, onde o querido governador paulistano Chuchu estaria presente.

As travestis e transexuais iriam vestidas de professora, enfermeiras, advogadas. “Eles [os organizadores] pediram que nós não fossemos peladas ou de vestido curto. Mesmo a gente achando que no fundo tinha algum preconceito porque boy de sunga branca sem camisa iria ter aos montes, nós concordamos porque era uma maneira de dar visibilidade aos transgêneros.”

Toda esta situação escancara um certo desdém, mesmo que implícito, pelas vítimas mais visíveis da homofobia. “Com esta gestão não conseguimos diálogo algum, existe uma invisibilidade para as travestis e transgênros. A Parada Gay hoje é uma parada machista e misógina”, desabafa Janaína. (ANGELO, Vitor. Travestis e transexuais protestam contra Parada Gay: “É machista e misógina”)

Compreender o momento histórico onde o qeu há de mais conservador na sociedade acaba nos marginalizando, tirando direitos e justificando isso pela moral e bons costumes é fundamental. Pois o direito ao aborto legal e seguro, ao parto humanizado e a não marginalização dos LGBTs, em especial as TTs é importante. Pois as mulheres marginalizadas por realizarem abortos, por não serem biologicamente mulheres e que sofrem com cesáreas desnecessárias estão de um lado importante da classe trabalhadora, pois na maioria destes casos quem sofre a opressão é quem está na base da sociedade e por estar na base da sociedade é quem mais sofre com as retiradas de direitos e o descaso existente seja pelo governo, seja pela não compreensão de suas lutas por parte da esquerda sectária.

Família, sociedade e a declaração mais política de Bento 16

As lideranças da igreja católica tem conseguido se superar neste começo do ano, primeiro a infeliz declaração do arcebispo de Granada sobre o fato das mulheres que praticaram aborto devessem ser estupradas e esta semana o papa Bento 16 declara que o casamento gay é uma ameaça para a humanidade. óbvio que a declaração causou furor tanto entre os mais religiosos mais dogmáticos, quanto entre militantes LGBTs, dos direitos humanos e feministas. Pois apesar de diversos indícios e o forte apego dogmático a necessidade da formação da família do final do século passado para o começo deste – pelo que eu me lembre, né? – os pontífices não faziam declarações tão claras do ponto de vista da moral, era algo muito mais velado.

Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia? Com todo o respeito e sem medo de ser linchado, eu diria que, nesses casos, nenhuma. O polêmico líder da Igreja Vitória em Cristo é conhecido por declarações contundentes na defesa de uma visão conservadora e seus discursos, não raras vezes, confundem liberdade religiosa e de expressão com uma guerra contra a diversidade. Somos mais coniventes com o ex-cardeal Ratzinger por conta do tamanho da Igreja Católica e sua influência na formação da nossa sociedade ocidental, mas o conteúdo contra direitos dos homossexuais está presente nas falas de ambos.

De tempos em tempos, homossexuais são vítimas de preconceito nas ruas só porque ousaram andar de mãos dadas. Enquanto isso, seguidores de uma pretensa verdade divina taxam o comportamento alheio de pecado e condenam os diferentes a uma vida de inferno aqui na Terra. (SAKAMOTO, Leonardo. Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia?)

Não é de se estranhar que em um momento onde há um notório recrudescimento o conservadorismo pelo mundo e em especial no Brasil haja espaço para tanto preconceito e para uma visão conservadora do que deve ser uma família, pois sabe como é: LGBTs só podem criar crianças LGBTs, e héteros só podem criar crianças héteros. Essa é a norma divina instuída, mas esperem! Quantas famílias LGBTs existiram até hoje no mundinho azul? Quantas héteros? Tenho certeza que até hoje a maioria das famílias que criaram pessoas LGBTs eram famílias héteros, algumas mais liberais, outras mais conservadoras; porém tudo família hétero em sua maioria.

Sendo assim, se o casamento LGBT é uma ameaça para a sociedade, então os héteros são bem mais, por que famílias héteros criaram pessoas LGBTs que hoje querem se casar e ter sua própria família. Até por que são héteros que começam guerras, aplicam política de austeridade na economia dos países etcetc.

Nessa hora me lembram do Kassab e da sua política genocida na cidade de São Paulo, aí eu só coloco uma ressalva: minha gente! Ele entregou a chave da cidade ao nazi papa, considerá-lo um aliado na luta LGBT é meio demais, né? Este debate não é apenas um debate liberal, mas também um debate de classe, compreender a quem se ataca quando se prega um modelo hermético de família, pois se fossemos seguir a risca o que é a família para a igreja e fossemos ver a realidade constataríamos que a declaração de Bento 16 se coloca frontalmente contra a toda constituição familiar que fuja da heteronormatividade, seja LGBT ou não.

Por fim, a declaração do pontífice também ataca as mulheres, pois se uma família serve para gerar descendentes, então a mulher é uma incubadora e apenas isso e o homem continua em seu belo status de herdeiro e chefe de família. A declaração de Bento 16 nada mais é do que um projeto societário, que a burguesia mais reacionária também defende e ao qual precisamos nos opor com outro projeto societário e para mim esse projeto é sim o socialismo.

Blogueiras Feministas: Preservativos para gays e heteros, e as lésbicas ficam onde?

Segue o sétimo texto publicado no Blogueiras Feministas.

Poucos sabem, mas sou aficcionada por animações, desde as do mainstream, portfólios e experimentais. Tanto que quando cheguei em São Paulo durante alguns anos me metia durante 4 dias em julho no Memorial da América Latina para assistir as sessões do Anima Mundi. Tanto que achei o tema deste post acompanhando o Smelly Cat, blog sobre animação.

Sim, pois foi lá que encontrei a animação Sexy Fingers, parte de uma campanha da Ong francesa AIDES com o principal mote de convocar as pessoas sexualmente ativas para fazer o exame de diagnóstico do HIV. Porém não foi exatamente esta campanha que me fez parar para escrever este post, na verdade foi uma série de outras animações sobre o uso da camisinha que também é de iniciativa da mesma Ong.

O texto pode ser lido completo aqui.

PSC e rabo preso atrás do moralismo religioso

Há tempos aqui neste blog se fala sobre o recrudescimento do conservadorismo no Brasil, que perpassa valores morais, políticas públicas e tantas outras coisas, este ano vimos recuos por parte do governo Dilma em programas de ministérios que ajudariam a combater a homofobia nas escolas para poder manter a governabilidade em seu mandato.

Não é de hoje que sabemos o governo federal e até mesmo nos estados e municípios está refém da governabilidade e para assegurar acaba se aliando a partidos conservadores como no caso do PSC, falo isso por que esta semana assisti o programa partidária do PSC – tenho assistido pouco televisão e na semana que foi veiculada a propaganda eu estava em atividade de mulheres em Curitiba – e não há palavras melhores para descrevê-lo a não ser: machista, homófobo e conservador.

A lógica binomial do que deve ser uma família e de que esta no Brasil vem sendo atacada, leia-se PLC122, legalização do aborto, união civil homoafetiva e tantas outras bandeiras das mulheres e LGBTs questionadoras da estruturação social que hoje é base da nossa sociedade.

É um motivo de vergonha que a categoria de políticos-pastores seja geralmente muito mais conhecida por seu ódio ao diferente que divirja dos dogmas cristãos e pelos escândalos de corrupção do que pelos esforços pela educação, saúde, segurança, ética na política, habitação, meio ambiente, mudanças sociopoliticoeconômicas etc. (SOUZA, Robson Fernando. Homofobia velada: propaganda partidária do PSC só reconhece um tipo de família como verdadeiro)

Ao mesmo tempo que o PSC propaga uma visão dogmática da família e das relações sociais, veladamente excluindo casais homoafetivos e até mesmo qualquer outra conformação familiar diferente da família heteronormativa clássica, não aponta o dedo para problemas importantes que hoje existem no país, como o fato da comunidade LGBT ser diretamente atingida pela violência machista dia após dia e não ter assegurado direitos como o resto da sociedade, assim como não fala da situação das mulheres e do povo negro que hoje sofre com despejos por causa das megaobras, militarização das polícias e pela cegueira moralista que impera em nosso país.

Bom lembrar que o PSC faz parte da base do governo Dilma e atua ali para pressionar o governo a direita, compõe frentes parlamentares retrógradas e também se posiciono favorável a mudança no Código Florestal. Isso demonstra o quanto estão atrelados não apenas a valores morais que retiram direitos de “minorias”, mas também aliados ao agronegócio e ruralistas e para compreender melhor este furdunço que foi a votação do novo Código Florestal é sempre bom lembrar do velho e saudoso Paulo Piramba em seu Ecossocialismo ou Barbárie.

O PSC em sua propaganda fala tanto de família e valores, porém no começo do ano na discussão do salário mínimo apoiou o aumento irrisório dado pelo governo federal que afeta diretamente milhares de famílias brasileiras, muitas delas que não tem a conformação apontada em seu programa partidário, mas sim muitas vezes composta por uma mãe solteira ou uma avó que precisa dar conta do mundo do trabalho e da casa ao mesmo tempo vivendo mensalmente com pouco mais de R$ 500 para manter a família toda.

Os mesmos que atacam os direitos das mulheres, LGBTs e do povo negro também atacam a classe trabalhadora brasileira, se escondem atrás de seu ultrapassado conservadorismo e ajudam a aprovar medidas e leis que oneram os mais necessitados e liberam os mais abastados, não tem compromisso nem com a pretensa família que julgam ser a maioria dos lares brasileiros.

É por estas e outras que não dá para fazer recortes e mais recortes na política, pois os temas e os posicionamentos políticos se entrelaçam, se conversam. Agora eu quero saber qual vai ser a posição do defensor da moral e dos bons costumes PSC no caso Orlando Silva, pois compunham bloco com o PCdoB no congresso nacional…

Carta aberta à Frente Mista Parlamentar pela Cidadania LGBT

Recebi o manifesto da Frente Paulista Contra Homofobia pelos militantes do Coletivo LGBT 28 de Junho sobre o substitutivo ao PLC 122/06, e também há uma Petição Pública para ser assinada apoiando este manifesto e se posicionando contra o substitutivo articulado pela Senadora Marta Suplicy e os Senadores da bancada da fé Marcelo Crivella e Demóstenes Torres. Para assinar é só clicar aqui.

A FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA – iniciativa de união de grupos do movimento social LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), de partidos políticos, órgãos públicos municipais e estaduais de São Paulo, entidades religiosas, centrais e sindicatos de diversas categorias de trabalhadores, entidades representativas de segmentos da iniciativa privada e cidadãs e cidadãos paulistas que atuam contra a homofobia, vem manifestar-se sobre a proposta de projeto substitutivo ao PLC 122/2006, encabeçada pela Senadora Marta Suplicy e pelos Senadores Marcelo Crivella e Demóstenes Torres.

Embora reconhecendo o esforço da Senadora Marta Suplicy no desarquivamento do projeto de lei da câmara no início deste ano, o que foi fundamental para a continuidade das discussões sobre a criminalização da homofobia, a referida proposta de projeto substitutivo nos parece extremamente insuficiente.

A Frente entende que a negociação faz parte do processo parlamentar e reconhece o esforço que vem sendo empregado para obter uma proposta de consenso, porém, qualquer negociação deve ter parâmetros mínimos, sendo que só é possível apoiar um projeto de lei que criminalize a conduta de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito por orientação sexual e identidade de gênero, sem o que não seria possível garantir a todas as LGBTs direitos elementares garantidos aos demais cidadãos, como: demonstração pública de afeto, pleno acesso à educação e ao trabalho e tratamento igualitário nas relações comerciais e de consumo. / span>Queremos salientar que embora alguns desses direitos pareçam banais até para muitas lésbicas e gays, eles são negados diariamente a travestis e transexuais, o que torna imperativa a sua garantia legal.

Além disso, é muito grave que a discriminação às LGBTs seja classificada como inferior a outras, como aquelas contra negros, grupos étnicos, grupos religiosos e estrangeiros, pois não se hierarquizam opressões, portanto, todas elas devem ser criminalizadas de forma idêntica.

Por fim, não queremos assistir a uma discussão apressada sobre essa matéria e entendemos que ela deva envolver o movimento social LGBT em toda a sua pluralidade e complexidade, sem se restringir a uma única organização, por mais representativa que seja.

A presente carta poderá ser subscrita por todas as pessoas, organizações e mandatos que assim o desejarem.

julho/2011

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