novembro de 2014 em Belém, maio de 2006 em São Paulo

5 de novembro de 2014, entro no computador para ler as notícias da manhã. O coração fica apertado como há tempos não ficava. Durante aquela madrugada diversos bairros de Belém haviam ficado sitiados após a morte do Cabo Antônio Marcos da Silva Figueiredo, também conhecido como Pet. Pet estava afastado da ROTAM (Ronda Ostensiva Tática Metropolitana) por ser alvo de inquérito na Polícia Civil investigando o envolvimento dele e de outros policiais em um assassinato. Além deste inquérito, há outras denuncias recebidas pela ouvidoria do Sistema de Segurança Pública do Pará e pelo Comitê Estadual de Combate e Prevenção à Tortura sobre envolvimento de Pet com milícia organizada na cidade, porém, assim como o inquérito da Polícia Civil, as denúncias e os encaminhamentos relativos a elas seguem sigilosos.

ConvocatóriadarotamUma página da Rotam no Facebook, mas que não é um instrumento oficial de comunicação mantido pelo governo paraense, assim que a notícia de que o cabo Pet estava morto publicou uma mensagem dizendo que a “caça havia começado”. Não apenas esta página da Rotam afirmou que a caça havia começado pelas periferias paraenses como em alguns perfis de PMs afirmavam coisas semelhantes.

Na quarta mesmo a Segup (Secretaria Estadual de Segurança Pública) confirmou que 9 pessoas teriam morrido na Mangueirosa durante a madrugada, este número até a última sexta-feira subiu para 11. Porém, moradores afirmam que o número é maior, ainda há pessoas desaparecidas na cidade e não se tem notícia sobre entrada de feridos nos Prontos Socorros da cidade, mesmo que os óbitos informados depois de quarta tenham sido de pessoas que estavam internadas em PS da cidade. Na mesma página da Rotam quecontagemrotam informou o início da “caça” em retalhação por conta da execução do cabo Pet era possível ver uma postagem com a contabilização de quantas pessoas poderiam ter morrido durante a ação.

A narrativa contada pelas redes sociais, nas conversas ao telefone era algo muito comparável ao que ouvíamos em 2006 em São Paulo. Comércio fechando, escolas avisando que não dariam aula naquele dia, uma falta de informações oficiais grande e quando estas saiam o desencontro com informações coletadas na rua era brutal. Segundo H.L., morador da Terra Firme, havia uma diferença grande entre o pânico nos bairros periféricos e nos bairros centrais “Na TF o nosso pânico é de quem viveu e constantemente vive situações como essa, enquanto em bairros mais nobres o medo é que a violencia que nos assola chegue até eles”.

Acompanhando de longe, parecia que o dia não teria fim, olhando hoje parece que a semana ainda não terminou. “Os suspeitos [dos assassinatos ocorridos naquela madrugada eram sempre descritos como] dirigindo uma moto, encapuzados [seguidos] por um carro preto”, afirma Francisco Batista da Comissão de Justiça e Paz do Pará.

Fato é que a resposta no dia seguinte foi real. Durante a madrugada, nove pessoas foram assassinadas em bairros pobres paraenses. Testemunhas apontaram a presença de motoqueiros com capacetes e capuz como autores. Na página da Rotam no Facebook, não é de hoje que são feitas referências ao “motoqueiro fantasma” que entra em ação para executar criminosos. Um jovem de 17 anos e um cobrador de ônibus estavam entre os mortos na quarta. A busca do caçadores, ao que aparenta, foi aleatória e matou pessoas que estavam no lugar errado na hora errada.(MANSO, Bruno Paes. Esquadrão da Morte 2.0. e a epidemia de violência no Pará)

RossicleyDurante uma coletiva de imprensa realizada por na própria quarta-feira o presidente da Associação de Cabos e Praças da PM do Pará, sargento Rossicley Silva, apareceu dizendo que os fatos ocorridos eram por conta de uma guerra de facções em Belém e que não envolvia a PM. Porém, o sargento no mesmo espaço foi confrontado, pois havia sido um dos PMs que postaram mensagem afirmando que a PM daria resposta à morte do Cabo Figueiredo. Dois dias após o acontecido o sargento apagou a publicação, postandoRepórter70 outra dizendo que a posição dele havia sido mal-interpretada. Ao que parece desenha-se um processo de encontrar um bode expiatório para a #ChacinaEmBelém, digo isso pelo fato de que no Repórter70 – coluna tradicional de um dos jornais de maior circulação do estado – foi publicado uma nota apontando que Rossicley foi o grande incitador de pânico pelas redes sociais.

“Os policiais mesmos fazem questão de explicitar [que] “isso ainda não acabou”. Esses milicianos estão dizendo que após o enterro do policial haverá toque de recolher e que eles vão atrás de quem estiver devendo”, diz H.L.

Durante a tarde Eder Mauro, deputado federal eleito pelo PSD e delegado de polícia, publicou um vídeo dizendo que estava voltando para Belém para colocar ordem na casa e não deixaria “bandidos fazerem em Belém o que fazem no Rio de Janeiro”.

Ao final do dia a cidade ficou deserta. Relatos de moradores do Marco diziam que havia pelo menos 3 helicópteros sobrevoando a região com holofotes ligados apontados para as ruas do bairro, o mesmo relato foi feito por moradores da Terra Firme na sexta. Porém, a partir desse momento a comoção nacional sobre o que vinha acontecendo em Belém abaixou, a invisibilização que acompanha o norte cotidianamente voltou.

De sexta para cá mais não se divulgou mais nenhuma morte em decorrência do massacre da madrugada de terça para quarta. Mas ao ouvir moradores e gente próxima a moradores é possível constatar que ainda há pessoas desaparecidas desde aquele dia.

A desconfiança de se falar sobre o que ocorre em Belém publicamente é um fato, o medo que toma qualquer quebrada sudestina quando se depara com violência desse calibre é se fechar com medo dos algozes. Houve famílias que saíram da zona mais afetada para outros bairros para fugir de uma possível “Operação Pente Fino” na região.

Infelizmente este não será o primeiro ou último episódio da violência contra a periferia que veremos em Belém, ou em qualquer outra capital brasileira. A Mangueirosa é uma as capitais mais violentas do país, tendo aumentado o número de homicídios na região nos últimos 10 anos.

Dados da Ouvidoria de Segurança Pública do Pará mostram que, em 2013, foram identificados 135 homicídios cometidos por agentes de segurança pública, sendo 122 realizados por PMs, 12 por policiais civis e um por Bombeiro Militar. No mesmo período, os casos de lesão corporal chegaram a 118, e outras 13 pessoas denunciaram tortura. No entanto, a própria Ouvidoria acredita que este quantitativo é bem maior, haja vista que muitas denúncias nem chegam às delegacias.

[+] Trecho de texto anônimo falando sobre a Chacina em Belém

Padrões: Sorrisos, medo e estagnação

Tem aqueles momentos que o mundo para, estagna e mesmo as coisas simples da vida que cotidianamente achávamos o máximo apreciar se tornam cinza. Estou em um desses momentos, onde acho tudo uma grande caganeira eterna e que a vida não irá seguir.  Se há um tempo eu achava a minha rotina a coisa mais maravilhosa do mundo, não é que a vida está uma merda, ela simplesmente está parada.

Dia desses assistia algum episódio antigo de “Sex and The City”, sim sou uma dessas pré-balzacas que assistem “Sex and The City” e fica tentando se identificar em algum padrão comportamental. Em resumo, sou completamente maluca mesmo. Pois bem, lá estava eu prostrada em cima do sofá assistindo um episódio que falava justamente sobre padrões e lá fui eu cair em uma eterna discussão de relacionamento comigo mesma.

É óbvio que pelo fato de estar há duas semanas em uma discussão de relacionamento eterna comigo mesma eu cai na cilada maior de ir chafurdar qual seria o meu padrão de relacionamento. Aqui cabe uma explicação, sou uma daquelas mulheres que gosta da vida provinciana tradicional, gosto de chegar em casa encontrar com a minha filha, receber uma ligação e saber que o/a namorado/a está indo pra casa jantar. Pois bem, o meu padrão de relacionamento é o de ter medo de relacionamentos. Se eu já sabia disso? Sim, sabia.

Tenho uma teoria de que nasci afetivamente quebrada e todas as vezes que há a remota possibilidade de viver algo muito bacana com alguém eu prontamente saboto a história. Isso muitas vezes é visto como não se importar com as pessoas, mas na verdade é só a minha fobia gigante de me relacionar com as pessoas e ter que lidar com possíveis entreveros que existem em uma relação.

Amei 3 pessoas na minha vida toda, o fato deu ter amado 3 pessoas em toda minha vida não quer dizer que não existiram rolos, casinhos e afins. Porém, amor, amor mesmo, de contar as horas para se encontrar, de ficar cantarolando musiquinhas tema, de acordar do lado e ser feliz por tudo que é importante está ali contigo na cama foram só 3 vezes.

A primeira vez que eu amei encontrei a pessoa no lançamento de uma lei de incentivo a produção cultural, era o sorriso mais lindo que eu já tinha visto. Era a primeira vez que percebia alguém se interessar por mim – então, além de ser uma medrosa de marca maior também tenho uma síndrome de patinho feio gigante, não disse que eu era toda quebrada?

Foi a primeira vez que eu me caguei de medo também, lembro o momento em que travei tudo, foi entre uma ligação ou outra e ele virou pra mim e disse: É mais pro namorado a gente conta às coisas. Pronto, naquela hora eu comecei a agir de uma forma a afastar qualquer possibilidade de encontro, apontar indisponibilidades bobas de horário.

A segunda vez que eu amei também começou com um sorriso, era um churrasco e ele veio elogiar o meu sorriso e era um sorriso tão lindo, tão acolhedor. Acordava de manhã e ficava olhando aquele corpo do meu lado, até o dia em que estávamos andando pela Augusta e eu olhei para o céu, a lua estava gigante. Falei para ele olhar e o pequeno virou e disse: Pera, olha pra lá. Tá mais bonito olhar a lua daqui. E quando percebi ele estava observando a lua refletida nos meus olhos, congelei de medo e dali para frente eu comecei a fazer uma série de coisas que ajudaram a história terminar.

Meu terceiro amor, meu Último Romance, também começou com um sorriso, um sorriso em banheiro público, daqueles sorrisos que tu nunca acha que pode dar em alguma coisa, mas surpreendem a cada minuto. Foram tantas coisas ditas e não ditas. Se eu não fosse um lixo, eu casava contigo. O quanto essa sentença ainda pesa, o quanto depois disso comecei a me afastar até culminar no último beijo. Tudo fruto do medo, da insegurança, da dificuldade de entender que dá para confiar e entregar o coração para as pessoas.

E por que isso pra mim é tão importante? Pelo fato de ser algo que ainda não consegui resolver comigo mesma, é o meu padrão de relacionamentos. Dar presentes, ter músicas temas, se sentir plena, mas ao mesmo tempo criar uma couraça onde qualquer manifestação do outro lado de algum carinho maior é necessariamente sinal para ser refratária. Faz um bom tempo que eu não noto mais sorrisos, que não tenho vontade de olhar a lua, ou então ir ao supermercado para preparar alguma coisa diferente para jantar.

Cada um dos meus amores me trouxe algo fundamental para compreender a vida, e inclusive avançar nesse meu combate diuturno do medo que sinto quando percebo as coisas caminharem. Sei que preciso reencontrar o meu eixo e essa é uma das minhas tarefas para o próximo período, preciso reaprender a ser feliz sozinha.

É momento das feministas disputarem corações e mentes nas massas

A política voltou a ser debatida nos espaços para além das organizações políticas. Tem gente conversando sobre o país e seus problemas nos bares, nos almoços de família, nos locais de trabalho e até nas festinhas juninas das escolas infantis. O Brasil está discutindo o país e não se deve ter medo disso. A população foi para a rua, e o que esperar de uma população que já vinha demonstrando paulatinamente nestas últimas décadas o recrudescimento de um senso-comum conservador?

O susto de ver a população reverberar ações da direita conservadora como o ataque aos militantes partidários, cartazes pedindo a redução da maioridade penal e um discurso moralista sobre a corrupção é reflexo da desorganização do debate político na sociedade neste período de redemocratização do Brasil. Mas é bom lembrar que este recrudescimento conservador nunca foi motivo para os movimentos feminista, LGBT e negro baixarem suas cabeças e voltarem para casa. Quantas vezes fomos às ruas pela legalização do aborto e fomos chamadas de assassinas, mas ao mesmo tempo conseguíamos dialogar com outra parte da sociedade. Disputa de consciência é assim, e a omissão acaba dando espaço para quem está lá disputando o senso-comum dizendo que não tá disputando.

Outro tema: é um erro igualar hino nacional e bandeira nacional com direita. Outra coisa é que a direita pode se valer disso, mas o sentimento da massa é honesto, de resgate da nação contra quem ela considera que está usurpando e roubando o país, isto é e sempre foi a simbologia da massa em relação a bandeira e ao hino. Nos anos 80, com grande peso de massa da esquerda era muito comum os atos das diretas já e mesmo assembleias operárias de massa no ABC serem encerradas com o Hino Nacional. Nós temos que disputar essa consciência da massa para a esquerda, mas entendendo o valor do sentimento nacionalista anti-regime ou anti-corrupção no caso atual, no caso da minha geração era uma nacionalismo anti-ditadura do tipo dizer “o hino e a bandeira são nossos e não da ditadura”. Hoje tem isso de fundo “a bandeira, o hino, a nação são nossos e não dos corruptos”. Esquerda que não entender isso vai virar pó nesse movimento. (SILVA, Fernando. Uma rebelião popular progressiva e o início de uma crise institucional)

Esse processo de ascenso, ou seja, das pessoas saírem de seus trabalhos, das suas casas e locais de estudo para ocupar as ruas por temas diversos é positivo e devemos tomar este parâmetro como base. O povo na rua é bom. Agora, esperar que o povo na rua tenha o mesmo nível de consciência do que as pessoas que tem formulado política, ou organizado manifestações e atos sobre diversos motivos nos últimos anos.

Não se pode fetichizar, mas também não dá para entrar em uma de que: bora sumir de lá por que é só reaça e não dá para disputar. Ora, é o povo fora de sua rotina que abre espaço para podermos disputar sua consciência muito melhor do que quando estamos imbuídos em nosso cotidiano enfadonho.

As pautas que mais tem ecoado nestes espaços são pautas que se relacionam diretamente aos direitos das mulheres. As remoções feitas pelos governos federal e estaduais por conta da Copa e Olimpíadas, a mobilidade urbana, a permanência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Câmara são pautas nossas também.

Nossa responsabilidade política nesse exato momento é enorme. Até por que nunca vimos manifestações destas proporções em nossa vida política, só as vimos passar na TV ou em documentários e mesmo assim tinham características diferentes. É continuemos nas ruas até a tarifa baixar e durante esse processo que estejamos em unidade, por que disputar ideologicamente com o status quo conservador é tarefa hercúlea e todxs lutadorxs devem tomá-la para si. (FRANCA, Luka. Pílula sobre as mobilizações em São Paulo)

É preciso que as feministas estejam nos atos, em bloco ou não para combater a violência sexista que ali possa haver, para nesse processo de mobilização de massas possamos disputar homens e mulheres (cis ou trans) de que espaços de protesto social não é espaço para assédio contra as mulheres.

Há muitos depoimentos de mulheres agredidas ou violentadas nas manifestações ao redor do país. Testemunhas oculares, com direito a vídeos amadores postados no YouTube, não deixam mentir: as mulheres precisam temer não apenas a repressão policial, mas também a misoginia e a intolerância dos próprios manifestantes. São dezenas os relatos de abuso sexual, tanto por policiais armados quanto por manifestantes homens. Várias mulheres, por conta de qualquer suspeita de pertencer a algum partido político de esquerda, sofreram agressões físicas. Além da violência direta, os manifestantes portavam uma quantidade exorbitante de cartazes machistas, acompanhados de piadas e gritos hostilizando as mulheres. (ARRAES, Jarid. A misoginia marcha ao lado)

Para além de disputarmos que as mobilizações sociais não devem ser espaços da nossa opressão, é preciso que nós feministas estejamos lá para dizer: A Copa, a falta de mobilidade urbana e o conservadorismo de ter Marco Feliciano na CDH nos atingem frontalmente! A maioria das pessoas removidas pelas obras da Copa são mulheres, quem mais é atingida pela falta de mobilidade urbana nas cidades (seja por conta de violência sexual nos transportes públicos, seja por conta da questão econômica) são mulheres, a votação do Estatuto do Nascituro, o vilipendio dos direitos humanos no Brasil atingem primeiramente as mulheres negras.

Além destes temas norteadores, o espaço nos abre possibilidade de questionamento importante sobre a militarização da polícia no Brasil. Ora, qual o tratamento dado pela polícia militar às mulheres em situação de violência? Ou nos casos de estupro? O processo de militarização da nossa segurança pública também ajuda a manter o pilar do patriarcado no estado Capitalista, pois tem o poder de manter o status quo da culpabilização das vítimas de opressão e nossa tarefa como feministas é combater tudo que mantenha os pilares patriarcais.

Sim, nesse momento de grandes mobilizações sociais no país nós feministas temos tarefa importante, não é a hora de ficarmos com medo de gente na rua, esperamos por isso em diversos atos que já chamamos.

É hora de tirar do bolso as nossas camisetas lilás e dizer que nós vamos disputar ideologicamente as pessoas, por que apenas o anti-capitalismo sem a desconstrução do machismo, homofobia e racismo não nos contempla. É preciso nos organizarmos para chamar manifestações e disputar as já convocadas. É o momento que temos para ampliar a disputa ideológica que fazemos cotidianamente, e conseguir debater e pautar questões que em momentos de maré baixa são tabus gigantescos.

Não é hora de nos omitirmos, não existe espaço vago na política e não podemos deixar que a direita misógina ganhe uma batalha de disputa ideológica, é hora das feministas disputarem corações e mentes da forma aguerrida que sempre fizemos.

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva pela Democracia!

Cordialidade modernista – Um infeliz corporativismo

Bem, ontem pelo Facebook começou um debate sobre a atuação de uma escola em Belém em um caso envolvendo duas crianças de 3 anos. Pois bem, eu estudei nesta escola da 8ª ao Convênio (vulgo 3º ano), minha irmão também e apesar de termos conquistado grandes amigos ali naquela instituição, lidar com situações limites nunca foi fácil.

Pedi ontem para a Paloma Franca Amorim, minha irmã e também ex-modernista para escrever um guestpost sobre a passagem dela pelo Colégio Moderno, a qual foi muito difícil e até questiono muitas vezes se minha mãe não deveria tê-la mudado de escola.

Fui estudante do Colégio Moderno entre os anos de 1999 e 2004, iniciei minha jornada modernista aos 12 anos, na sexta série, depois de longo período estudando no Núcleo Pedagógico Integrado, escola de aplicação da Universidade Federal do Pará. À época, eu e minha irmã trocamos de escola porque o NPI passava por muitas greves e nossa mãe, como professora recém-contratada da Universidade da Amazônia (instituição essa atrelada ao Colégio Moderno e ao CESEP), tinha direito a um abatimento nos valores das matrículas e mensalidades da instituição.

Ao chegar ao Moderno senti uma diferença gritante em relação a meu antigo colégio no tocante ao vínculo entre os estudantes e o corpo docente. Lembro-me de três situações específicas que ficaram marcadas a ferro e fogo em meu percurso no ensino fundamental.

A primeira delas foi quando os indivíduos da classe começaram a ser punidos de modo tradicionalista e pedagogicamente reacionário quando esqueciam algum material ou faziam bagunça em demasia em sala de aula: éramos obrigados a escrever cem vezes em uma folha de papel, a ser entregue para a professora e para a orientadora pedagógica no final das aulas, que não deveríamos nunca mais realizar essas ou aquelas contravenções.

É curioso que um colégio chamado Moderno possa aderir a metodologias tão arcaicas em seu programa pedagógico. Quando eu e uma amiga comentamos com alguns colegas que iríamos denunciar tal punição ao MEC (sem saber exatamente o que isso significava, na verdade) nos chamaram na coordenação, a portas fechadas, e nos perguntaram quais professoras utilizavam aqueles métodos. A coordenadora afirmou não saber de nada, no entanto, eu e minha amiga sabíamos que isso era praticamente impossível visto que aquela prática era explicitamente assumida e corriqueira em nosso cotidiano escolar.

A coordenadora nos pediu desculpas e afirmou que aquilo nunca mais aconteceria, ali fizemos um pacto silencioso. A punição acabaria e nós ficaríamos caladas diante de nossa pequena vitória na sala da coordenação. Mais tarde, quando já estava no ensino médio, ao conversar com uma amiga que fazia teatro comigo e era mais nova, descobri que as longas páginas escritas pelos estudantes contraventores continuaram a ser confeccionadas. E isso deve ter se prolongado nos anos seguintes, quando eu já não fazia mais parte do corpo discente da instituição.

A segunda experiência de opressão educacional eu vivi também na sexta série, quando o professor de matemática me pegou conversando no meio da aula e escreveu no quadro branco as notas que eu e o colega com o qual eu conversava havíamos tirado em um teste. Foram notas baixas. O professor fez umas contas, pedindo ajuda para a classe o tempo todo que ora ria de nós, ora ficava constrangida junto conosco, e afirmou que a partir daquela pontuação já era possível se verificar que nossas médias não seriam suficientes para a aprovação no final do ano. Isso durou uns dez minutos. O tempo todo o professor procurava a cumplicidade dos outros estudantes para nos expor ainda mais, para que entendêssemos que deveríamos nos comportar e aprender. Em tempo, nessa situação não fui desrespeitosa com meu professor de forma alguma, embora eu tenha a consciência de que agi de modo pretensioso e desrespeitoso em muitas situações na escola. (Ainda se tivesse levantado a voz para reclamar da situação, penso que o professor não poderia ter agido de tal forma).

Acatei todas as afirmações e me calei, morrendo de vergonha não por minha nota, mas pelo fato de naquele momento eu ter sido obrigada a ocupar um lugar de exemplo para a classe – o velho chapéu de burro havia adquirido um novo formato para que pudesse caber nas cabeças dos maus alunos com maior sutileza.

O terceiro episódio foi o que mais me marcou e aconteceu na sétima série. Apenas posso dizer que uma professora de Geografia fez um comentário a respeito de um problema físico pelo qual eu passava para algumas pessoas da classe e isso se propagou como uma onda gigante, de modo que muitas pessoas começaram a falar coisas ruins de mim, comentários que me magoavam e me deixavam estranhamente envergonhada, eu não tinha vontade alguma de permanecer na sala de aula durante o tempo em que estava na escola.

Eu tinha vontade de ser invisível, pensava apenas nisso o tempo todo, pensava que todos na escola me conheciam por causa do falatório que se construiu a meu respeito. Contava os minutos para que as aulas terminassem logo e eu pudesse ir embora dali.

Mais uma vez a coordenação foi envolvida e, ao invés de entrar em contato com meus pais – procedimento mais do que razoável em uma situação dessas – puseram-me frente a frente com a professora que falara de mim em uma conversa tensa mediada pela mesma coordenadora que há um ano havia me dito para não fazer a denúncia ao MEC sobre as garatujas do que devemos ou não devemos fazer quando desempenhamos o papel de estudantes.

A professora disse que eu deveria trocar de classe na hora em que a nossa mediadora saiu da sala, quando ela voltou o discurso da professora tornou-se outro. A professora afirmou que eu deveria me manter na classe e que ela deveria ser remanejada. Eu não entendi nada, falei: você acabou de dizer que eu devia mudar de classe. Ela, surpreendentemente, disse que eu estava mentindo. A coordenadora começou a rir e eu comecei a chorar e tentar provar que não estava mentindo. Perdi o controle e não consegui mais falar nada, as duas riam ironicamente de mim como se eu tivesse inventado absolutamente tudo, eu gritava e dizia que elas estavam me impedindo de falar a verdade e todos os estudantes, através da porta e janelas de vidro da coordenação (dessas que os restaurantes põem para que você possa ver se a cozinha do estabelecimento é limpinha), ficaram me olhando como se eu estivesse descompensada. Ao fim da guerra, resolveram entrar em contato com minha mãe.

Passei uma semana sem voltar ao colégio, depois não pude mais inventar histórias que minha mãe sabia serem falsas para fugir da sala de aula. Não troquei de escola, embora implorasse por isso todos os dias. Só consegui superar de fato a situação no ensino médio, talvez ao final do segundo ano, quando minhas atividades para além dos muros escolares tornaram minha vida adolescente muito mais interessante.

Hoje, minha irmã me passou um relato de uma mãe que abriu um processo de sindicância para apurar uma situação que ocorreu com sua filha de apenas três anos de idade no Colégio Moderno. Minha irmã foi testemunha de toda a minha angústia nos primeiros anos em que estudei no Moderno e comentou ter achado particularmente semelhante a atitude dos coordenadores e orientadores da escola em relação à denúncia da mãe, ao episódio que vivi em 2000.

Ao relatar em seu blog pessoal o ocorrido, Cíntia Galvão detecta pontualmente o protecionismo existente na instituição. Fatos foram omitidos sobre o episódio e alguns depoimentos não foram realizados como preveem os protocolos. O depoimento pode ser lido aqui.

Sabemos que os problemas aqui evocados não pulsam apenas no coração dos colégios particulares, as instituições escolares no país estão em crise profunda, sobretudo aquelas que integram a esfera pública educacional, entretanto não podemos fechar os olhos ao que acontece dentro das sociedades civis escolares, sobretudo quando há situações concretas através das quais saltam aos olhos os equívocos educacionais tomados como verdade por muitos professores, coordenadores, psicólogos e orientadores.

No Colégio Moderno tive excelentes professores dentre os quais posso citar Balbina Coimbra, Eliene Nina, Dionelpho Júnior, Renato Torres, Norma Sá e Laílson Viana (todos conheci no final do Ensino Fundamental, início do Ensino Médio. Hoje não tenho certeza se ainda atuam no Moderno), mas também me deparei com injustiças e desvirtuamento educacional, tudo sempre muito velado pelos poderes organizativos da escola.

Também me tornei professora após concluir a graduação em Licenciatura em Artes Cênicas na Universidade de São Paulo, no ano de 2012, e avalio a partir de minha formação como docente e de minha experiência como estudante, que o Moderno é uma extensão dos costumes culturais e políticos da provinciana elite paraense. Dentre tantos quesitos para integrá-la há o mais especial/fundamental de todos: a aparência gera lucro e portanto, não pode ser ferida por palavras de denúncia e contraponto. Ainda é clara para mim a voz da então diretora da escola afirmando em certa ocasião por mim presenciada que não queria alunos questionadores, queria alunos que passassem no vestibular – Isso torna mais do que claro o tipo de processo educacional que se constrói nas cartilhas modernistas, aquele que serve às demandas do mercado e ao capital, aquele que exalta a meritrocracia como pressuposto de formação humana, civil e política.

A questão é grave na medida em que não estamos falando de uma experiência parca de formação intelectual, física e social, o campo da aprendizagem e do saber é vasto e importante, deve ser tratado com respeito e cuidado pois é a partir dele que no mundo se frutificam as ações de mulheres e homens em formação.

Foi uma escolha não citar o nome daqueles que feriram meu processo educacional particular posto que não tenho interesse algum em individualizar a questão mais do que já fiz trazendo à baila minhas experiências pessoais nos corredores e salas de aulas modernistas. Nomeio apenas aqueles que foram fundamentais a minha formação, agradecendo-os por nadarem contra a corrente de um sistema político-educacional absolutamente restritivo e ineficiente. Este texto produzi em apoio a esta mãe que como a minha, em certo momento da vida, percebeu-se em uma luta quase vã (mas nunca vã, porque as lutas são transformadoras em menor ou maior escala) contra as forças do infeliz cordialismo corporativo tão expressivo na cidade de Belém.

Em Belém morreu Almir Gabriel: o ex-governador privatista e mandante do massacre de Eldorado do Carajás

Cheguei hoje em Maringá, liguei o computador para subir um texto no Blogueiras Feministas e ver emails e me deparo com uma notícia: Almir Gabriel morreu. Bem, muitos não conhecem o Dr Almir Gabriel, eu nunca o vi cara a cara, mas o conheço. Ele foi o símbolo da minha primeira noção da contradição de votar no menos pior e do voto útil. Mas não é por causa da minha história pessoal que faz este senhor ser importante na política paraense.
Almir Gabriel foi governador do Pará de 1994 até 2002, mesma época do queridão FHC na presidência do país. Porém não é só por ser tucano que Almir Gabriel foi uma figura importante no estado, e também não foi apenas por ser governador.

O tucano foi eleito em 1994 como sendo alternativa ao menos pior ao Jarbas Passarinho (esse mesmo, o da ditadura). E seu governo culminou em nada mais ou nada menos com o Massacre de Eldorado de Carajás, pois Almir Gabriel foi o principal mandante deste banho de sangue.

Os 19 mortos eram integrantes da “Caminhada pela Reforma Agrária”, iniciada no dia 10 de abril por 1.500 famílias de trabalhadores rurais sem terra. Um dia antes do massacre, por volta das 15h, essas famílias montaram um acampamento no Km 96 da PA-150, na deno­minada “Curva do S”, próxima à cidade de Eldorado dos Carajás. Os trabalhadores interditaram a estrada e exigiam alimentos e transporte, em negociação com a Polícia Militar, que acompanhava a marcha.

Naquele momento, a tropa do 4º Batalhão de Polícia Militar, em Marabá, estava pronta para realizar a desobstrução da rodovia. Por volta das 20h, a operação foi cancelada em um acordo entre integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Polícia Militar. O major José Maria Pereira de Olivera, comandante da 10ª CIPM/1ª CIPOMA, que negociava com o MST, garantiu que as reivindicações dos trabalhadores seriam levadas às autoridades competentes nos âmbitos federal e estadual. No dia seguinte, data do massacre, às 11h, o tenente da PM Jorge Nazaré Araújo dos Santos informou que as negociações estavam encerradas e que nenhuma das reivindicações seriam atendidas, nem mesmo a doação de alimentos.

Enquanto isso, na capital, o governador do Estado, Almir Gabriel, ordenou ao secretário de Segurança, Paulo Sette Câmara, ao superin­tendente estadual do Incra, Walter Cardoso, e ao presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Ronaldo Barata, a desobstrução do Km 96 da PA-150. (CARVALHO, Sandra. O Massacre de Eldorado dos Carajás)

Além do sua forma peculiar de dialogar com os movimentos sociais parenses, o ex-governador também protagonizou processos de privatização brutal das empresas públicas paraenses. O caso mais conhecido é o da venda da CELPA (Centrais Elétricas do Pará) em 1998, quando a empresa foi comprada pelo Grupo Rede por um valor muito abaixo do que valeria e que agora protagoniza um processo de falência brutal.
Na época do leilão da CELPA outro coronel da região, senhor Jader Barbalho que também merecerá post por aqui quando morrer, denunciou que o dinheiro do leilão havia servido para pagar a campanha de reeleição de Almir Gabriel ao governo paraense. Como tudo que é denuncia eleitoral o caso não foi investigado.

Depois da Celpa vendida justamente para o Grupo Rede, voltamos a carga para denunciar que a Empresa compradora estava usando a Celpa para arrancar dinheiro do BNDES, juntar com os lucros obtidos aqui para capitalizar outras empresas do Grupo, aumentando o endividamento da empresa paraense que passou a correr o risco de ficar insolvente. Mais uma vez fomos ignorados pela imprensa paga e pelos políticos vendidos que apóiam sempre quem está no poder, independente de cor e de bandeira. São os mesmos que passaram de tucanos a petistas como se tudo fosse a mesma coisa. (LIMA, José Carlos. Blog do Zé Carlos do PV)

Acho que os dois casos são emblemáticos sobre qual foi a real transformação que este senhor fez no Pará. Não comemoro mortes, não faz parte da minha formação política, mas quando políticos morrem só vemos obituários bonitos, sem lembrar das entregas que fizeram, dos desmontes, das mortes e do entreguismo dos políticos. É como se morrer desse para eles uma habeas corpus eterno ao qual eles não tem direito.

Almir Gabriel desmantelou o serviço público paraense, se refestelou com a privataria tucana, matou trabalhadores sem terra.
Além do mais é bom lembrar que em 2010, quando Almir Gabriel rompe com o PSDB e seu filhote Simão Jatene, seu apoio foi recebido com entusiasmo pela candidatura petista a reeleição ao governo do Pará de Ana Júlia Carepa – com direito a chamadinha misteriosa no horário eleitoral e suspense animado por parte dos petistas. Este fato para mim foi de uma incongruência petista tremenda, pois o PT durante todo o governo Almir Gabriel se colocou contra
suas políticas, enfrentou bravamente o boicote que o governo estadual tentava fazer a prefeitura de Edmilson Rodrigues iniciada em 1996.
Não, eu não comemoro mortes da direita, mas também não choro a morte de quem oprimiu e matou gente trabalhadora

Tchau 2012, olá 2013

Aprendi a fazer balanço do ano que vai findando com o primeiro cara que eu beijei na vida, ainda quando estava em Belém. De lá para cá balanços foram ficando mais cotidianos na minha vida, principalmente quando se trata de política, também beijei outras pessoas e percebi que não necessariamente paixonites de adolescência são eternas.

2012 começou tenso e em crises múltiplas. Começou com uma paixão maluca que foi se esvaindo e se tornou uma amizade engraçada, junto tinha uma crise, uma crise que foi superada de mãos dadas. 2012 começou em Carapicuíba, passou pelo Vale do Paraíba, São Carlos, Franca, Vitória, Rio de Janeiro, Belém e termina em São Paulo.

Vi a maior ocupação urbana da América Latina ser trucidada pelas mãos do tucanato, antes de ver o Pinheirinho no chão eu o vi erguido e falar com aquelas pessoas e naquelas assembleias foi a uma das experiências mais catárticas da minha breve vida política.  Foi também no episódio do Pinheirinho que vi nos olhos do meu companheiro uma preocupação única: o meu bem-estar e o da Rosa.

Foi ano de eleição e uma das campanhas para vereador em São Paulo mais lindas que eu já fiz na vida, foi ano de esperança em Belém, mas que por diversos motivos não floreceu. Ano duro, quando pela primeira vez me vi perdendo gente próxima a mim da minha idade, da minha época de militância e por crime de ódio.

Em 2012 o meu relacionamento mais longo terminou, mas também foi época de reencontros. Juntamos as amigas da época de colégio em Belém, Rosa conheceu a madrinha dela, vivemos a cidade das mangueiras de forma intensa e única. Reabastecemos as baterias. Reencontrei amores antigos de uma forma doce, sensível, madura.

Consegui um emprego fixo. Ouvi um “eu não quero te fazer chorar, só sorrir”. Tive um átimo, dei uma bicicleta para a minha filha. Dei um tempo de desgastes, organizei as ideias.

2012 foi conturbado, com momentos duros. Mas os saldos são positivos: um emprego, uma filha feliz, um átimo e reorganização de atuação política. Eu fui feliz, tenho sido feliz nos últimos dois anos, algumas dores vão doendo menos, as coisas se organizando da sua maneira e um sorriso gigante voltando ao rosto para ficar, pelo menos é o que eu espero.

2012 termina e eu estou estável e não tem nada melhor pra mim do que estar estável. Como de costume eu aguardo 2013 com ansiedade, viver tem sido uma aventura primorosa nestes últimos anos.

Eleições 2012: Eu não vou ajudar a eleger um parlamentar de direita, e você?

Faltam poucos dias para o 7 de outubro, dia em que os municípios brasileiros (tirando Brasília e Fernando de Noronha) escolheram seus representantes no poder legislativo e executivo. Tarefa difícil em tempos de uma especularização gigantesca do processo eleitoral, onde o que mais vale é o fetiche de transformar os candidatos em mercadoria. Guy Debord teria muito orgulho do que vem acontecendo conosco, só que não.

Segundo um estudo do TSE pela primeira vez o Brasil superou a cota de 30% de mulheres nas chapas que disputam a vereança, o mesmo não se pode dizer das prefeituras, são apenas 15% de mulheres na disputa. Porém dados pelos dados, sem análise profunda do que significam ou a própria compreensão liberal de que ser apenas mulher basta para resolver os problemas do mundo. Uma mulher ligada a um partido conservador ajuda a manter o status quo, ou não?

A mesma coisa quando discutimos fortalecimento dos partidos, é preciso que os partidos políticos estejam comprometidos com a luta feminista de forma programática e pra isso é preciso sim estar assegurado o fortalecimento ideológico dos partidos que muitas vezes acaba sendo deixado de lado em coligações proporcionais para poder eleger parlamentares e depois garantir a governabilidade. E são nessas e outras que as pautas feministas sofrem um arremedo aqui, um tirada de cena ali e uma diluída acolá para poder assegurar as coligações nas candidaturas proporcionais, pensar isso também é pensar intervenção feminista para a reforma política, por que não queremos apenas mulheres no poder, queremos mulheres com formação feminista e sem rabo preso com acordos eleitoreiros. (FRANCA, Luka. O lugar da mulher na reforma política é para além da paridade e das cotas)

Saber em quem votar e como funciona o processo eleitoral é fundamental. Eu pessoalmente me tensiono muito com a lógica de votar em uma mulher para ficar de consciência em paz do ponto de vista liberal, porém acredito que para emancipar mulheres (cis ou trans) é necessário um programa que dialogue com a totalidade da política, que não seja uma colcha de retalhos sem senso algum e infelizmente com a corrida desenfreada para ver quem vai continuar gerindo o mesmo barco furado isso ficou de lado.

Por fim, quando você vota em um candidato a vereador, você está votando automaticamente em todos os candidatos da coligação. Numa eleição proporcional nunca se vota apenas em uma pessoa, o voto sempre conta para toda coligação do qual seu partido faz parte. O voto no honesto que está coligado ao desonesto ajuda também o desonesto. Pense nisso antes de votar. (AMARAL, Eduardo e LIMA, Matheus. Como se elegem os vereadores?)

Eu apoio diversas candidaturas, muitas delas com problemas, mas que hoje por hoje para mim são as que mais expressam a coerência de um programa político de totalidade junto a sociedade. Poderia aqui citar nomes do PT que as vezes se aproximam dos debates que julgo importantes, porém não há como indicar preferência política a quem vai contabilizar voto para ajudar a eleger gente da direita para a câmara de vereadores. Política também se faz pensando nestas coisas e não pensando apenas: Ah, esse cara legal e tem umas ideias ótimas. (Nisso uma das inserções do Haddad sobre o tema acertou em cheio, viu?)

Isso não quer dizer que não tenha gente aguerrida e comprometida com um outro projeto de sociedade em partidos com trajetória ombro a ombro com os movimentos sociais, quer dizer que eu não vou ajudar a eleger gente do PP, PRB, DEM, PSDB, PSDC e afins para que lá na frente nas câmaras de vereadores a gente veja os nossos direitos sendo vilipendiados por aqueles que apoiaram uma candidatura x ou y.

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