Diário Liberdade: 8 de março: Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!

Segue o décimo terceiro texto da coluna A segunda luta que trata basicamente de feminismo e política, a qual publico no Portal Diário Liberdade.

Tem algumas coisas sobre política para mulheres que no 8 de março, vulgo Dia Internacional de Luta da Mulher, a gente tenta sempre repetir, coisas do tipo: Não basta ser mulher, ainda há muito pelo que lutar e afins. Como se todas nós soubéssemos do que está sendo falado, como em uma conversa de comadres, sim, neste 8 de março há muito que exigir e denunciar dos governos federal, estaduais e municipais, pois a ação deste na perpetuação da opressão machista em nossa sociedade é cada vez mais pujante.


A questão é que o machismo e o patriarcado estão radicalmente entranhados em nossa sociedade e na nossa rotina, pois é quando compreendemos qual lugar a mulher ocupa na sociedade e que secularmente foi construído que nós somos um gênero menor do que o masculino começamos a perceber a necessidade de políticas públicas reais para transformar essa desigualdade criada socialmente.

O texto pode ser lido completo aqui.

As mulheres na rua lutando pelos seus direitos e contra a opressão

Ontem foi Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de março, dia em que o capitalismo se apropriou para vender cosméticos, nos dar flores e bombons, como se tudo já estivesse bem e que o patriarcado e o machismo tivesse sido exterminado da nossa sociedade. Bem durante os primeiros meses do ano há 3 anos eu acompanho a construção e organização do ato do 8 de março unificado do estado de São Paulo e ontem foi dia das mulheres de um dos estados mais reacionários do país irem às ruas, ocuparem o espaço público da principal capital do país e levarem suas reivindicações unitárias.

A manhã do dia 8 de março aqui no estado começou movimentada, as mulheres do MTST organizaram um ato em solidariedade as mulheres brutalmente violentadas pelo estado de São Paulo e pela prefeitura de São José dos Campos, não apenas por conta da desocupação do Pinheirinho, mas também por causa dos casos de estupro denunciados pelo senador Suplicy durante a operação nefasta da PM naquela região. Logo no início do ato do MTST a polícia já tinha cercado a região da pinacoteca e da estação da Luz com um contingente de policiais surreal para o tamanho do ato, era helicóptero passando direto em cima de nós, organizaram um contingente de policiais femininas para poder reprimir uma ação legítima do movimento social brasileiro que é a de se manifestar na praça pública.

Mais cedo as mulheres da União de Moradia de São Paulo ocuparam um prédio abandonado no centro de São Paulo para poder pautar a importância do debate da moradia e da Reforma Urbana para as mulheres, questão que vem sido cada vez mais deixada de lado pelos governos existentes em nosso país, só vera  truculência para cima das ocupações urbanas, comunidades quilombolas, indígenas, assentamentos e tantos outros que dialogam diretamente com o debate da terra no Brasil.

Foi com luta, denúncia e exigência pelos direitos das mulheres que começou o 8 de março aqui no estado de São Paulo e foi com este espírito que mais de 4 mil mulheres ocuparam as ruas do centro da mais importante capital do país em um ato unificado que saiu da praça da Sé, passou pelo Tribunal de Justiça de São Paulo onde o MST e as companheiras do Pinheirinho denunciaram as reintegrações truculentas promovidas pela PM do estado com anuência do governo e da justiça estadual, mostrando que a nossa justiça também tem classe e gênero e não tem se importado de retirar milhares de mulheres de suas terras e casas de forma desumana.

É claro que nenhum ato deste tamanho teria algum revés, e infelizmente o revés foi justamente um ataque a uma das nossas bandeiras mais importantes: O combate violência contra mulher. Durante a passeata enquanto tentávamos reorganizar a comissão de frente do ato uma companheira foi agredida por um homem da Força Sindical, assim como mais cedo quando eu e uma camarada do PCdoB tentávamos organizar duas das colunas do ato outro homem da Força Sindical foi para cima dela, tentando desautorizar a comissão organizadora do ato unificado que vinha pensando a ação há mais de um mês. Porém o que esperar de uma central sindical onde o presidente dela acha que em Jirau faltavam bordéis, né?

Também teve problema com os secundaristas da UJS, e por que também não me impressiono com isso? Reivindicavam uma fala da UPES, mesmo quando a representante da UPES na organização do 8 de março havia participado da reunião em que para enxugar as intervenções se colocou que do movimento estudantil só falariam UNE, UBES, ANEL e a Oposição de Esquerda da UNE. O problema não era reivindicarem a fala, até por que seria negada de qualquer forma por conta do acertado na organização do ato, mas o fato de quem mais tentou pressionar para que se falassem foram os rapazes da UPES, demonstrando a total falta de compreensão do que é a construção do protagonismo da mulher na política, incluindo as negociações de como fala, quem fala e afins.

Apesar destas cenas lamentáveis, o ato aconteceu, aconteceu por conta da força das mulheres de diversas organizações políticas ali juntas por uma pauta mínima, mas que ainda se faz completamente necessária para a emancipação das mulheres de nosso país. Do nosso compromisso pela legalização do aborto, combate a violência contra a mulher, contra a criminalização dos movimentos sociais, pelo veto ao novo código florestal, pelos 10% do PIB para educação pública, por uma previdência pública solidária e fim do fato previdenciário, pelo fim do déficit de creches no município, estado e no Brasil.

Este 8 de março foi mais um Dia Internacional de Luta das Mulheres marcado por ações contra o capitalismo, reivindicações de posicionamentos concretos de todos os governos para que se tenham políticas reais para se combater a opressão e exploração em nosso país, e para além foi bom ver as mulheres socialistas colocarem novamente que para nós não basta ser mulher, é preciso ter compromisso com as nossas lutas e as lutas da classe trabalhadora e não nos usar como moeda de troca para garantir governabilidade junto aos reacionários da base governista na câmara federal.

Finalizo este breve relato cansada, mas feliz por mais um ano conseguirmos ir para a rua juntas, com todas as dificuldades, mas conseguindo pautar na sociedade que lugar da mulher é na política, na luta e, sobretudo para mim, na revolução! Só espero que ano que vem em toda essa manifestação consigamos carregar as tintas e mostrar que todas estas lutas são mais fundamentais ainda para as mulheres negras, pois isso é discutir qual a composição da classe trabalhadora brasileira.

A origem do 8 de março

Outro vídeo da época da PUCSP, este foi feito para falar sobre o Dia Internacional de Luta das Mulheres para a Rede PUC. A história tem alguns furos e dando uma bizoiada aqui pelo BiDê Brasil dá para entender melhor a origem do 8 de março.

Diário Liberdade: Mas e aí? Basta ser mulher?

Bem, pra quem ainda não viu comecei a escrever uma coluna para o Diário Liberdade, o nome é A segunda luta e fala basicamente sobre política e feminismo. O segundo texto da coluna segue abaixo e amanhã deverá sair o terceiro.

E passou o 8 de março, passou mostrando novamente que as mulheres do mundo ainda tem muita luta para fazer!

Não apenas pelos seus direitos, mas até mesmo para convencer seus próprios companheiros de que uma real revolução somente será feita com a participação das mulheres trabalhadoras, e que na pauta sejam garantidos nossos direitos. É inegável a retomada das mobilizações nos países árabes e a importância das mulheres trabalhadoras nestas mobilizações, apontando reflexo nas próprias mobilizações do 8 de março pelo mundo.

No maior símbolo de esperança para a mudança social, vimos acontecer uma das mais lamentáveis cenas do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano: a Praça Tahrir. A manifestação das mulheres egípcias foi marcada para o epicentro da revolução. No Egito, foi recebida por diversos setores como uma tentativa de cindir o movimento revolucionário, mulheres estas que lutaram ao lado dos homens pela derrubada de Mubarak, porém não tiveram suas pautas contempladas pelo governo provisório, – até por que o último comitê formado para escrever uma nova constituição egípcia é formado apenas por homens.

Há muita luta no Egito pela emancipação da mulher, até por que, como já disse, nas instâncias que hoje podem realmente mudar algo na realidade egípcia as mulheres de lá não estão presentes. Diferente, por exemplo, do Brasil o qual passou pelo primeiro 8 de março tendo uma presidenta da república, e este fato inovador teve páginas e minutos de sobra na grande mídia e também na mídia alternativa. No Egito, as mulheres lutam para conquistar direitos que nós já temos. No Brasil, lutamos para não retroceder e poder avançar.

O texto pode ser lido por completo aqui.

Lutar todos os dias, mesmo que sozinhas

Finalmente dia 12 de março chegou em São Paulo, esta foi a data escolhida pelas mulheres de São Paulo para irem às ruas e reivindicarem seus direitos. Foram 2 meses de discussão, tensionamentos e construção deste ato, não foi um processo fácil, até por conta da pluralidade política existente na comissão organizadora como a própria adversidade da conjuntura política e apesar de todas as disputas políticas existentes nesta preparação conseguimos mostrar que ainda há muito pelo que lutar, fora a lição de respeito a diversidade política.

A semana do Dia Internacional de Luta das Mulheres foi conturbada e não apenas por causa dos últimos preparativos do ato de São Paulo, mas a tragédia que atingiu o Japão e diversas manifestações de mulheres mundo a fora, com um olhar especial para o oriente médio. Foi na região que hoje atraí as atenções internacionais por conta da intensa ebulição política dos últimos meses que presenciamos talvez a prova do quanto é difícil casar a pauta das mulheres com as dos outros movimentos, no Cairo mulheres marcaram manifestação na Praça Tahrir e foram impedidas sob a alegação de que tal manifestação apenas serviria para dividir o movimento egípcio, quem já leu o mínimo sobre a história do movimento de mulheres não vai achar pura coincidência com o que o movimento operário falava no começo do século XX sobre as demandas das mulheres.

As mulheres da classe trabalhadora egípcia foram fundamentais para os acontecimentos vitoriosos propiciados pelas mobilizações na Praça Tahrir no começo do ano e justamente por conta disso a Anistia Internacional apresentou semana passada a preocupação com o que ocorreu, pois tal cerceamento não acontece apenas no Egito, lembrando do feminicídio de diversas ativistas pelo mundo como na Rússia, México, Nepal e Filipinas.

Incredibly, despite decades of discrimination and inequality, women are being denied a role in the creation of a new Egypt. They are being excluded by both the caretaker government and the international community. Most recently, a new national committee formed to write the new Egyptian constitution was composed only of men. This is not acceptable.

Incrivelmente, apesar de décadas de discriminação e desigualdade, tem sido negado as mulheres um papel na criação de um novo Egito. Elas tem sido excluídas tanto pelo governo provisório e pela comunidade internacional. Mais recentemente, um novo comitê nacional, formado para escrever a nova Constituição egípcia foi composto apenas por homens. Isto não é aceitável.

Lembrar que muitas vezes a luta por igualdade entre homens e mulheres é solitária sempre se faz necessário, até por que no Brasil as mulheres todo ano, semana ou dia bradam dizendo que no nosso país 10 de nós morrem por dia, que 2 a cada 15 minutos são violentadas, a indiferença pela nossa vida é tão grande que é necessário casos de grande brutalidade para voltarem a discutir a violência contra mulher e mesmo assim esta ainda é tratada como algo individual e não como fenômeno social.

Sim, na última semana as mulheres voltaram a mídia, mas mesmo assim em uma cobertura tímida e muitas vezes respaldada por programas que reificam a mulher. O pior é perceber que só para nós a nossa luta é todo dia, para o resto o 8 de março é mais uma data no calendário de mobilização e só, compreender isso é o bastante para relevar diversas incongruências políticas de todos os lados que ouvi durante o ato de São Paulo. A vida tá difícil e para nós mulheres em especial.

8 de março, omeletes e ladeira a baixo

É véspera do Dia Internacional de Luta das Mulheres, dia que tem sua história construída junto a mobilização e luta da classe trabalhadora. Infelizmente uma história que a grande mídia, principalmente, faz questão de esquecer ou algum dos programas especiais em “comemoração” ao 8 de março falou sobre a 2ª Conferência das Mulheres Socialistas em Compenhagen, em 1910, quando a alemã Clara Zetkin propôs que se internacionalizasse o Women’s Day realizado diversas vezes nos Estados Unidos. Nada se fala do que foi a luta das têxteis nos EUA, Rússia ou resto do mundo, à época eram os postos de trabalho mais precarizados e além das mulheres lutarem pelos seus direitos ainda tinham que se confrontar com os homens da sua mesma classe que defendiam a nossa volta para a família e o trabalho doméstico.

Recuperar o histórico do Dia Internacional das Mulheres como parte da luta social, como inegável ponto de intersecção entre a luta das trabalhadoras, do movimento socialista e da luta feminista, evidencia o caráter político dessa comemoração e, ao mesmo tempo, retoma historicamente o esforço das militantes socialistas em construir uma dinâmica de organização e luta específica das mulheres. A história evidencia a resistência – e mesmo o rechaço – de setores do movimento socialista à perspectiva de organização das mulheres, alicerçada na recorrente incompreensão do direito das mulheres à igualdade no mundo público (ao trabalho e à participação política), contrastando com a realidade da sua presença no trabalho agrícola e no proletariado industrial, já fortemente marcados pela divisão sexual do trabalho. Em diversos setores a mão de obra feminina era mesmo majoritária. Difícil seria pensar na organização da luta revolucionária sem a participação das trabalhadoras. (FARIA, Nalu. As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres)

O resgate da história real do 8 de março iniciou em 1984 com o estudo de Renée Côté publicado em Quebec no Canadá, lá ela resgata a 2ª Conferência das Mulheres Socialistas e começam a desvelar diversos mitos que rondam o Dia Internacional de Luta das Mulheres e em 8 de março de 1996 o jornal El Mundo publicava texto de Irene Lozano chamado: Aquele 8 de março… que nunca existiu. Avançando um pouco mais na reconstrução da história desta data tão importante não apenas paras as feministas, mas também para as socialistas. O texto de Lozano desmentia justamente o mito de que a data do Dia Internacional de Luta das Mulheres havia sido fixada no 8 de março por conta de um incêndio criminoso acontecido nesta mesma data em uma fábrica Têxtil em 1857 nos EUA, porém em diversas pesquisas feitas – com destaque para a de Ana Isabel Álvarez González republicada no Brasil pela Expressão Popular em parceria com a SOF – mostram que tal história ganhou status mítico, pois a cada ano ou lugar algo muda, seja o ano em que o incêndio aconteceu, a cidade e afins. Obviamente que incêndios em fábricas têxteis eram altamente comuns àquela época e tiveram importante impacto na organização da luta das mulheres nos EUA e a necessidade da organização destas para ter garantia da participação política até mesmo em seus sindicatos, porém não foram estas histórias que fixaram a data que ano após ano nos leva as ruas para reivindicar nossos direitos.

No ano de 1914, por proposta das alemãs, o Dia Internacional das Mulheres foi celebrado pela primeira vez no dia 8 de março na Alemanha, Suécia e Rússia. A única autora que se aventurou a dar uma explicação sobre a escolha desa data foir Renée Côté, que apenas aponta como possibilidade o fato de que o mês de março estava carregado de conteúdo revolucionário – a revolução de 1848, a Comuna de Paris de 1871 – mas sem dar nenhum argumento sólido sobre o porquê deste dia em particular e não outro. Se existia ou não a intenção de perpetuar a data de 8 de março para celebrar o Dia Internacional das Mulheres, é algo que não podemos saber porque o estopim da Primeira Guerra Mundial frustrou a celebração nos países beligerantes. (GONZÁLEZ, Ana Isabel Álvarez. As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres)

A participação das mulheres trabalhadoras nas mobilizações, levantes e até mesmo revoluções não é novidade, tanto que na própria história da maior revolução socialista da qual temos conhecimento foram as mulheres o estopimdas mobilizações resultantes na revolução se outubro de 1917, mais conhecida como Revolução Russa. É mais provável que tenha sido este acontecimento a fixar a data do 8 de março tenha sido o estopim da revolução de fevereiro na Rússia, pois no calendário ocidental o 23 de fevereiro – palco da greve das têxteis de Petrogrado – equivale ao 8 de março. Comemoramos assim o Dia Internacional de Luta das Mulheres no 8 de março por causa do início da Revolução Russa em 1917, mas isso as agências de publicidade e a grande mídia nem comentam em suas homenagens as mulheres.

Porém, não se pode envolver a massa trabalahdora na política sem fazer o mesmo com as mulheres. Porque a metade feminina da raça humana é duplamente oprimida pelo capitalismo. A operária e a mulher camponesa são oprimidas pelo capital, mas primeiro, e acima de tudo, inclusive na mais democrática república burguesa, a lei não lhes concede igualdade com os homens; e,  em segundo lugar – e este é o aspecto mais importante – permanecem “escravas domésticas”, porque estão sobrecarregadas com a monotonia do mais mesquinho, duro e degradante trabalho na cozinha e nas tarefas domésticas familiares. (LÊNIN, Vladimir. Pravda, em 8 de março de 1921)

Compreender qual a relação da luta das mulheres com a luta da classe trabalhadora é para mim no mínimo essencial, pois a relação com o combate ao patriarcado, o anti-capitalismo e afins são basilares de nossas mobilizações e lutas e é por isso que no mínimo me indigna quando aquela que deveria ser símbolo-mór das mudanças estruturais na sociedade brasileira se presta a ir ao programa da Ana Maria Braga cozinhar omeletes, sem falar em problemas nefrálgicos que atingem as mulheres até hoje como a violência sexista, pois seu combate não está ligado apenas a SPM, mas também ao Ministério da Justiça que teve um cortede um terço do seu orçamento, falou do Bolsa-Família – cujo aumento apenas corresponde a 4% daquilo que foi cortado do orçamento –  para famílias chefiadas por mulheres, mas não falou do direito social inexistente desta quando o assunto é trabalho, da necessidade de se equivaler a licença-paternidade ao mesmo tempo da licença-maternidade e deu que esta última seja um direito social de todas as mulheres.

Há cada ano que passa, apesar da plena noção de que os espaços da esquerda socialista também são machistas, me convenço de que não há feminismo sem socialismo, assim como não há socialismo sem feminismo

Dilma quebrou os ovos, e assim como os dois primeiros meses de seu governo mostrou muito bem a que veio. Disse que iria honrar as mulheres, mas cortou o orçamento de diversas àreas que nos atigem diretamente, não apenas o Ministério da Justiça, mas o da Integração Nacional, Previdência, Desenvolvimento Agrágrio, Cidades e diversos outros que tem projetos, obras e afins atingindo diretamente a realidade das milhões de mulheres brasileiras.

Chegamos a mais um 8 de março, o primeiro que temos com uma presidente mulher e a sombra do simbolismo pelo simbolismo, sem relação concreta alguma com a realidade e luta das mulheres no Brasil é pericletante, a ida ao programa de Ana Maria Braga ou ao de Hebe Camargo corrobora com a imagem construída pelo patriarcado ao longo dos séculos para nós. Dilma é compenetrada, mas lá no fundo é um doce e prendada, também é uma mulher. A realocação da imagem da presidenta é apenas indício do que já vem acontecendo na política, o não aumento real do salário mínimo em um país em que mais de 53% daqueles que sobrevivem com ele são mulheres enquanto o legislativo e o executivo se concedem aumentos fora da realidade, uma ausência de política para efetivação real do combate a violência contra a mulher e apenas sinalizações negativas do executivo sobre a legalização e descriminalização do aborto.

É, só símbolo não resolve o nosso problema, se tivesse resolvido o 1º presidente operário do Brasil não teria empurrado goela abaixo a contra-reforma previdenciária, trabalhista e universitária, nos legando PPPs idênticas ao do tucanato paulista. Mudaria realmente a base deste país e não apenas acrescentado maquiagem.

Este 8 de março não é para comemorar a 1ª mulher presidente do Brasil, mas sim para mostrar realmente que a luta feminista precisa seguir em conjunto com a luta socialista, sem contorcionismos explicando o por que é bom ir a programas que só reafirmam o lugar em que o machismo nos coloca ao passar dos séculos. Mais do que nunca é importante as mulheres irem às ruas para mostrar que não basta apenas ser mulher, há muito pelo que lutar e esta se fará como sempre todo dia, sem rabo preso de mostrar as incongruências das políticas apresentadas pelo governo Dilma, com autonomia para questionar, desmentir e pressionar pelo que é direito nosso.

Desculpem-me a sinceridade, mas estamos ladeira a baixo, há aumento no preço dos alimentos, probabilidade de carestia e sinalização do nosso governo de que não irá estocar alimentos por conta da competitividade no mercado internacional. No final das contas quem vai se estrepar é a classe trabalhadora e principalmente as mulheres.

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