Notas sobre a #RevoltaDaLâmpada e de como é bom lutar no fervo

Não é novidade a quantidade de casos de homolesbobitransfobia que existem no Brasil. Seja o caso dos rapazes agredidos no metrô há algumas semanas, seja o rapaz assassinado no Parque Ibirapuera ou a garota que foi estuprada para “aprender” ser mulher em plena Rebouças. O combate a violência homolesbobitransfóbica é uma agenda que vem ganhando força há anos e em conjunto com ela diversos outras reivindicações civis da população LGBT tem avançado junto a sociedade.

Tanto é fato isso que durante o período eleitoral que a agenda dos direitos civis LGBTs, mulheres e, de forma mais marginal, negrxs foram temas que ajudavam a diferenciar os projetos de país dentro de uma perspectiva progressista ou não, mesmo que em alguns momento fossem feitos de forma bem oportunista.

Ora, se o espaço vem sendo tomado paulatinamente e em momentos críticos do debate político brasileiro esta é uma questão que eclode por conta do recrudescimento conservador (oposicionista ou situacionista) isso deveria refletir em um apoio dos setores mais progressistas as manifestações que denunciam as violências sofridas pela comunidade LGBT, não?

No domingo (17/11) pude perceber que talvez a lógica não seja assim tão direta. A manifestação “A Revolta da Lâmpada“, lembrando os 4 anos em que um jovem foi atacado por homofóbicos com uma lâmpada na Av. Paulista 777, levou centenas de pessoas da comunidade LGBT para as ruas de São Paulo, além de contemplar as pautas LGBTs, ao ler o manifesto do ato podíamos notar a defesa da Legalização do Aborto, Legalização das Drogas, Direito ao Nome Social e uma série de outras questões que davam um tom político interseccional da manifestação. O fato era: podíamos contar nas mãos as organizações políticas que reivindicam o debate e que colocaram peso militante para ir ao ato.

Isso me deixou bastante intrigada, pois ir à Parada LGBT ou à caminhada lésbica é algo bem incorporado as diversas organizações progressistas que reivindicam as pautas de direitos humanos e combate as opressões. Porém, a sensação que fica, é que quando se sai do script do calendário base de manifestações, atos ou atividades em que devemos estar as organizações dão um tilt e o construir espaços de intervenção pública para além do script vira algo voluntarista.

Não sei se é por medo de fazer o debate sobre orientação sexual e identidade de gênero de forma mais cotidiana, ou por achar que o tema é secundário. O fato é que ontem eu senti falta de diversas organizações que cotidianamente reivindicam a lutar contra a homolesbobitransfobia e o que vi foi, no geral pois há boas exceções nisso, gente indo de forma mais voluntarista do que fruto de uma organização que encara o debate LGBT de forma estratégica.

Acho que há também um receio com o próprio formato destes atos, onde a política e o fervo se encaixam de forma perfeita. Para quem tem receio por conta disso só digo: se atualize minha filha, lutar no fervo é uma das coisas mais maravilhosas que podemos fazer.

PS: Durante o trajeto do ato houveram momento brilhantes: A mulheragem à Letícia Sabatella quando a manifestação toda deitou na Paulista; as palavras de ordem puxadas no carro de som sobre legalização do aborto e legalização das drogas, a reivindicação do feminismo e de pautas antirracistas. Fora o momento em que falaram da gloriosa Rosa no carro de som e ela ficou se achando toda ;D.

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