O rechaço à candidatura de Safatle a governador de São Paulo é um atentado contra o PSOL!

Para quem não sabe a decisão unilateral do grupo do deputado Ivan Valente no PSOL de considerar retirada a candidatura de Safatle ao governo do estado não foi apenas unilateral, mas mais um atentando brutal a dmocracia interna do partido. Segue abaixo nota d mmbros do Diretório Estadual do PSOL que se colocaram contra a decisão pragmática e burocrática do grupo do deputado Ivan Valente.

A posição do Safatle também pod ser lida aqui.

Carta à Direção Nacional, aos militantes e filiados ao PSOL

Nós, membros titulares e suplentes do Diretório Estadual do PSOL-SP que assinamos esta carta, nos dirigimos à Direção Nacional do partido e, em particular, à base do PSOL, seus militantes e filiados em todo o país por conta das lamentáveis e irresponsáveis decisões da maioria da direção do partido (Unidade Socialista) tomadas neste domingo em reunião do DE-PSOL.

As manifestações de junho abriram um enorme espaço para a participação política e para a ida às ruas de milhões de pessoas em nosso Estado e em nosso país. O rechaço aos governos e aos velhos partidos trouxe a retomada das mobilizações e a entrada em cena da juventude, dos movimentos sociais e de trabalhadores. As mobilizações do último dia 15 de maio, com participação massiva do MTST em cortes de avenidas em São Paulo, as greves de garis no Rio e em várias cidades do Brasil, rodoviários de Porto Alegre e Rio, e dos professores de São Paulo neste ano mostram que nunca houve tantas possibilidades para que uma esquerda que não teme dizer seu nome dispute influência de massas em nosso país.

Nesse cenário, a filiação do companheiro Vladimir Safatle ao PSOL encheu de orgulho e entusiasmo a militância do partido não apenas em São Paulo, mas em todo o país. Sua defesa, nos debates públicos na imprensa ou na academia, do programa apresentado pelo povo e pela juventude em luta nas ruas de junho mostrou para um setor amplo, muito maior do que aquele que já se referenciava em nosso partido, que o PSOL poderia superar as desconfianças com a forma partido e se referenciar como um polo para disputar o poder no Estado mais rico do país. Em São Paulo, o domínio tucano nunca esteve tão ameaçado, como comprovam a crise da água e os escândalos no Metrô e na CPTM. Ao mesmo tempo, a forte greve dos professores municipais contra Haddad, somada às revelações do caso Vargas/Youssef que tocam diretamente Padilha, revela a impossibilidade de que o PT seja qualquer alternativa a este cenário.

Por isto, desde fins de 2013, muitos de nós temos nos dedicado com afinco para que Vladimir Safatle representasse o PSOL na eleição a governador de São Paulo. A constatação de que esta candidatura poderia ocupar o enorme espaço aberto à esquerda parecia ser unânime no partido, o que trazia grande alento para a militância, já que vínhamos num desgastante processo de cisão interna desde o último Congresso do PSOL. Para viabilizar a candidatura, trabalhamos com Safatle na construção dos seminários “Governar após Junho” e estimulamos o debate sobre a construção de uma Frente das Esquerdas que pudesse unificar as diversas expressões políticas e sociais de junho ao redor desta candidatura.

O companheiro Vladimir Safatle, recém-filiado ao PSOL, expressou ao partido a necessidade legítima de garantir as melhores condições possíveis para que pudéssemos ocupar o espaço que todos víamos aberto. Por isto, muitos de nós trabalhamos arduamente nas últimas semanas na esperança de convencer a maioria da direção do partido, ligada a Ivan Valente, a ter sensibilidade política com as questões apresentadas por Safatle e dar passos reais para viabilizar: 1) a Frente de Esquerda, a partir de discussões nas quais o PSTU apresentava boas sinalizações; e 2) garantir a estrutura de campanha mínima necessária para que Safatle e o PSOL pudessem disputar a eleição com as melhores condições.

Para nossa surpresa, infelizmente, antes de que as duas questões acima fossem solucionadas, a maioria da direção do partido, a Unidade Socialista, deu um ultimato a Safatle, exigindo que ele se declarasse publicamente como candidato ou desistisse de qualquer postulação. Na sequência, organizaram a convocação do Diretório Estadual para este domingo 18/05, que fecharia a questão sobre a candidatura a governador. Além disso, redigiram uma carta onde explicavam por que Safatle não seria mais candidato. Aos dirigentes partidários que questionaram tais decisões e o método impositivo e antidemocrático como o processo foi conduzido, a Unidade Socialista replicava que Safatle teria “desistido” da candidatura por motivos pessoais e a insatisfação com as condições propostas.

Ao entrar em contato com o companheiro, porém, ouvimos a reafirmação de sua intenção de ser candidato. Safatle insistiu que, garantidas as duas questões pendentes, sua disposição era a de assumir de imediato a candidatura. No sábado, Safatle divulgou uma carta ao PSOL em que descreve detalhadamente este processo e mostra que, apesar da incapacidade política da direção do partido (Unidade Socialista) em solucionar o impasse, seguia disposto a assumir a candidatura. Um grupo de apoiadores colocou-se à disposição para contribuir financeiramente e o PSTU também sinalizou favoravelmente a encontrar saídas para a garantia da campanha e da Frente. Estavam criadas as condições para que, na reunião do Diretório Estadual deste domingo, Safatle fosse proclamado pré-candidato do PSOL a ser referendado em nossa Convenção.

No entanto, incrivelmente, a Unidade Socialista, em nome do partido, declarou encerradas as discussões com Safatle. Ao mesmo tempo, divulgou nota interna anunciando que Gilberto Maringoni seria seu pré-candidato e passou a afirmar com calúnias que a “desistência” de Safatle era ligada ao fato de que ele não se satisfazia com as condições financeiras propostas e que não estaria disposto, portanto, a “contribuir” com o partido. Esta posição, uma verdadeira provocação, foi repetida de maneira ainda mais grave na reunião do DE-PSOL deste domingo pelo dirigente Márcio Bento (do grupo de Ivan Valente), ao afirmar que Safatle teria promovido “um leilão” e que, não tendo conseguido obter a “quantia suficiente”, teria desistido da candidatura. O mesmo Márcio Bento, incrivelmente, foi o dirigente partidário que procurou apoiadores dispostos a contribuir financeiramente com a campanha de Safatle para que doassem recursos à campanha de Maringoni! Um verdadeiro acinte!

A reunião do Diretório Estadual foi um lamentável exemplo do aparatismo, da falta de democracia, da irresponsabilidade e da incapacidade política com que a Unidade Socialista lidou com a candidatura de Safatle e com a condução do PSOL no Estado de São Paulo. A proposta que levamos à reunião era de que, divulgada a carta de Safatle reafirmando sua disposição em ser candidato, fosse constituída uma comissão encabeçada pelo presidente do partido e representativa das diversas correntes partidárias, para reunir-se com Safatle, repactuar com ele as condições de sua candidatura e organizar o anúncio da candidatura de Safatle ao governo.

De maneira truculenta, a proposta foi rechaçada e Gilberto Maringoni foi votado pelo organismo como pré-candidato do PSOL ao governo de São Paulo! Não aceitaram sequer a proposta de suspender a reunião por 10 minutos na tentativa de construir uma resolução que permitisse superar o impasse e encaminhar uma última conversa com Safatle. O presidente do partido, Paulo Búfalo, levou o pedido de suspensão de 10 minutos a voto e derrotou a proposta.

Para nós, os acontecimentos do dia de hoje trazem profunda indignação. Uma figura como Vladimir Safatle entusiasmou-se com nosso partido após junho, dispôs-se a fazer uma experiência com o PSOL e a encabeçar um projeto de mudanças profundas em São Paulo. E qual a escolha do setor ligado a Ivan Valente? Virar as costas a Safatle e jogar no lixo a possibilidade de ampliar a interlocução do PSOL com os movimentos sociais, a intelectualidade e também nas eleições. Como poderão explicar, agora, para milhares de jovens, de ativistas e de trabalhadores entusiasmados com as posições de Safatle que, no sábado, ele escreveu uma carta reafirmando sua disposição de ser candidato e, no domingo, a maioria da Direção Estadual rechaçou sua candidatura e escolheu Gilberto Maringoni pré-candidato?

A forma como a discussão foi encaminhada revela a aversão da Unidade Socialista à ampliação do PSOL para além dos limites que sua máquina burocrática possa controlar: não admitem a hipótese de uma candidatura ao governo do Estado de Safatle, envolvendo uma coordenação de campanha ampla, representativa, e a presença de aliados numa Frente das Esquerdas com outras organizações políticas e sociais. Para assegurar o controle do partido e a reprodução estrita de seu aparato, vale, para eles, sabotar o próprio PSOL. Esta escolha terá repercussões não apenas locais, mas afetará certamente a possibilidade de que o partido amplie suas bancadas, além de prejudicar o desempenho nacional do PSOL em 2014. Ao mesmo tempo, este setor mostra seu rechaço ao perfil programático e político que Vladimir Safatle oferecia com sua candidatura: um partido conectado com as lutas em curso e capaz de oferecer o PSOL como alternativa aos projetos de tucanos e petistas.

Para nós, no entanto, estas discussões não estão encerradas. Não reconhecemos a votação do Diretório Estadual que apontou Gilberto Maringoni como pré-candidato ao governo de São Paulo. A única escolha que aceitamos, neste momento, é a pré-candidatura de Vladimir Safatle, que ao longo dos últimos meses veio sendo construída pelo conjunto do PSOL e recebeu enorme entusiasmo de sua militância. Caso Safatle, após o lamentável tratamento que recebeu e das autoritárias deliberações impostas ao PSOL-SP pelo setor majoritário de sua direção, não seja nosso candidato, exigiremos que a decisão seja remetida, como determina nosso estatuto, à Convenção Estadual do PSOL.

Fazemos um apelo à Direção Nacional do PSOL: é preciso uma reunião de urgência entre as Executivas Nacional e Estadual do partido que reverta esta absurda situação. Ao mesmo tempo, nos dirigimos à base de nosso partido: não podemos admitir este gravíssimo atentado ao PSOL. Nosso partido não tem dono! É papel de cada uma e de cada um de nós nos mobilizar para derrotar o aparatismo, o autoritarismo e a submissão do PSOL aos interesses mesquinhos do setor majoritário da Direção Estadual de São Paulo.

Assinam:

Mariana Riscali, Maurício Costa, Thiago Aguiar, Cibele Ferreira, Vanessa Koetz, Manuel Iraola, Alexsandro de Castro Costa, Bruna Ballaroti, Carolina Barbosa Figueiredo Filho, Fernanda Lisboa Pereira, Antônio de Souza Ormundo, Claudia Martinho, Ederaldo Batista, Wanda, Pedro Paulo Vieira Carvalho, Dimitri Silveira.

Membros Titulares e Suplentes do Diretório Estadual do PSOL.

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