Padrões: Sorrisos, medo e estagnação

Tem aqueles momentos que o mundo para, estagna e mesmo as coisas simples da vida que cotidianamente achávamos o máximo apreciar se tornam cinza. Estou em um desses momentos, onde acho tudo uma grande caganeira eterna e que a vida não irá seguir.  Se há um tempo eu achava a minha rotina a coisa mais maravilhosa do mundo, não é que a vida está uma merda, ela simplesmente está parada.

Dia desses assistia algum episódio antigo de “Sex and The City”, sim sou uma dessas pré-balzacas que assistem “Sex and The City” e fica tentando se identificar em algum padrão comportamental. Em resumo, sou completamente maluca mesmo. Pois bem, lá estava eu prostrada em cima do sofá assistindo um episódio que falava justamente sobre padrões e lá fui eu cair em uma eterna discussão de relacionamento comigo mesma.

É óbvio que pelo fato de estar há duas semanas em uma discussão de relacionamento eterna comigo mesma eu cai na cilada maior de ir chafurdar qual seria o meu padrão de relacionamento. Aqui cabe uma explicação, sou uma daquelas mulheres que gosta da vida provinciana tradicional, gosto de chegar em casa encontrar com a minha filha, receber uma ligação e saber que o/a namorado/a está indo pra casa jantar. Pois bem, o meu padrão de relacionamento é o de ter medo de relacionamentos. Se eu já sabia disso? Sim, sabia.

Tenho uma teoria de que nasci afetivamente quebrada e todas as vezes que há a remota possibilidade de viver algo muito bacana com alguém eu prontamente saboto a história. Isso muitas vezes é visto como não se importar com as pessoas, mas na verdade é só a minha fobia gigante de me relacionar com as pessoas e ter que lidar com possíveis entreveros que existem em uma relação.

Amei 3 pessoas na minha vida toda, o fato deu ter amado 3 pessoas em toda minha vida não quer dizer que não existiram rolos, casinhos e afins. Porém, amor, amor mesmo, de contar as horas para se encontrar, de ficar cantarolando musiquinhas tema, de acordar do lado e ser feliz por tudo que é importante está ali contigo na cama foram só 3 vezes.

A primeira vez que eu amei encontrei a pessoa no lançamento de uma lei de incentivo a produção cultural, era o sorriso mais lindo que eu já tinha visto. Era a primeira vez que percebia alguém se interessar por mim – então, além de ser uma medrosa de marca maior também tenho uma síndrome de patinho feio gigante, não disse que eu era toda quebrada?

Foi a primeira vez que eu me caguei de medo também, lembro o momento em que travei tudo, foi entre uma ligação ou outra e ele virou pra mim e disse: É mais pro namorado a gente conta às coisas. Pronto, naquela hora eu comecei a agir de uma forma a afastar qualquer possibilidade de encontro, apontar indisponibilidades bobas de horário.

A segunda vez que eu amei também começou com um sorriso, era um churrasco e ele veio elogiar o meu sorriso e era um sorriso tão lindo, tão acolhedor. Acordava de manhã e ficava olhando aquele corpo do meu lado, até o dia em que estávamos andando pela Augusta e eu olhei para o céu, a lua estava gigante. Falei para ele olhar e o pequeno virou e disse: Pera, olha pra lá. Tá mais bonito olhar a lua daqui. E quando percebi ele estava observando a lua refletida nos meus olhos, congelei de medo e dali para frente eu comecei a fazer uma série de coisas que ajudaram a história terminar.

Meu terceiro amor, meu Último Romance, também começou com um sorriso, um sorriso em banheiro público, daqueles sorrisos que tu nunca acha que pode dar em alguma coisa, mas surpreendem a cada minuto. Foram tantas coisas ditas e não ditas. Se eu não fosse um lixo, eu casava contigo. O quanto essa sentença ainda pesa, o quanto depois disso comecei a me afastar até culminar no último beijo. Tudo fruto do medo, da insegurança, da dificuldade de entender que dá para confiar e entregar o coração para as pessoas.

E por que isso pra mim é tão importante? Pelo fato de ser algo que ainda não consegui resolver comigo mesma, é o meu padrão de relacionamentos. Dar presentes, ter músicas temas, se sentir plena, mas ao mesmo tempo criar uma couraça onde qualquer manifestação do outro lado de algum carinho maior é necessariamente sinal para ser refratária. Faz um bom tempo que eu não noto mais sorrisos, que não tenho vontade de olhar a lua, ou então ir ao supermercado para preparar alguma coisa diferente para jantar.

Cada um dos meus amores me trouxe algo fundamental para compreender a vida, e inclusive avançar nesse meu combate diuturno do medo que sinto quando percebo as coisas caminharem. Sei que preciso reencontrar o meu eixo e essa é uma das minhas tarefas para o próximo período, preciso reaprender a ser feliz sozinha.

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