Ser mãe é igual jogo de videogame: a próxima fase é sempre mais difícil

Olhando as coisas pela internet essa semana me deparei com um vídeo que todas as mães (autônomas ou não) deveriam assistir. Foi relembrando as minhas andanças como mãe, as dificuldades, as felicidades e a própria necessidade de compartilhar mais neste espaço sobre as vezes que a gente coloca as crias para dormir e deita do lado chorando caladinha por não ter para onde recorrer.

Vem a gravidez, as dores nas pernas, o parto. Depois o primeiro ano, as noites sem sono, a preocupação com o crescimento dos bebês, a iniciação da alimentação sólida, os primeiros passos. O tentar compreender os anseios dos filhos traduzindo choros, risos, grunhidos.

Junto com o passar de cada momento nos deparamos também com as nossas ansiedades. O não conseguir tocar mais tudo na nossa vida como antes, as limitações de se ter uma criança pequena que precisa de atenção e muitas vezes só tem a nossa atenção. É uma trincheira, uma corda bamba entre nós e eles. Porém há a vontade de cada passo ser superado para chegar do outro lado, olhar para trás e pensar: valeu a pena.

Talvez a primeira coisa que devamos pensar é: Dentre tudo o que ouço de rotinas, vivências e conselhos o que realmente serve para a nossa realidade? Qual é a nossa realidade e a dos nossos filhos? Como podemos usar coisas já presentes no nosso cotidiano a favor da gente e não como se fosse um empecilho? Não há resposta pronta, normalmente nos fazem acreditar que há, mas é uma bobagem.

Ser mãe é maravilhoso, mas somente nós sabemos a dor e a delícia de ser mãe, e o quanto esta escolha também nos coloca tarefas que as vezes não damos conta sozinhas. Mesmo que tentemos, e contando que nossa tarefa social seja a de criar os rebentos. Digo isso porque toda vez que pensamos em maternidade, vem a nossa mente comercial de margarina, família bonita, alegre e sem problemas. Quase nunca pensamos em noites mal-dormidas, desmame noturno, birras ao entrar ou sair da escola, introdução aos alimentos, relacionamentos interpessoais das crianças, as vontades delas que vão contra os nossos planos e tantas outras coisas. (FRANCA, Luka. Um pouco de culpa materna de uma mãe solteira)

Lidamos com a volta ao trabalho, a adaptação na escolinha, o acompanhamento pedagógico das crianças e como dar conta dessas coisas quando somos apenas uma tentando trabalhar, cuidar deles, cuidar da gente de uma forma saudável. Quantas de nós, mesmo casadas, tentamos dar conta da agenda dos filhos e da nossa própria agenda? Quantas de nós muitas vezes nos sentimos solitárias e prestes a sucumbir por achar que não damos mais contas? Por não saber lidar com as dificuldades não só do nosso cotidiano, mas também das críticas e comentários que ouvimos por aí?

Admiro as mães, admiro mais ainda aquelas que tocam o seu cotidiano sozinhas.

Muitas vezes ficamos receosas de estabelecer limites entre o que pode ou não fazer para nos ajudarem no lidar como nossas crianças, por que sim precisamos de ajuda, precisamos parar e pensar o que é melhor para nós e eles. Sem medo de estabelecer limites e até mesmo nos confrontar com aqueles que estão ao nosso redor. O lidar cotidiano dos filhos, ainda mais quando nos sentimos sozinhas e precisamos tirar forças sei lá de onde para continuar, só funciona se estabelecemos limites não apenas para nós e para as crianças, mas para os que estão de fora também. É díficil mediar tantas ansiedades e vontades de ajudar, mas é necessário. Até para podermos mostrar para nossos filhos que as vezes as regras mudam por que se mudou de casa, há a possibilidade de dar uma folga em algumas coisas e afins. Mas é sempre baseado no acordo cotidiano que nós temos. Nos combinados.

Eu vivo cheia de culpa materna, mas converso isso com a minha pequena, isso é presente na minha vida cotidiana. Assim como a minha filha eu também preciso lidar com as minhas frustrações e poder passar para a próxima fase.

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