Guest Post: Reflexão sobre os últimos atos em São Paulo, posições da Mídia e da Esquerda

O William Santana, estudante de Ciências Sociais da USP me permitiu publicar aqui no BiDê um texto escrito por ele sobre o momento que vivemos em SP. Reflexões e apontamentos com os quais concordo bastante e que precisam ser levados em conta quando falamos sobre criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

No ato do Passe Livre do dia 25/10 que contou com cerca de 4000 pessoas, a capa de todos grandes jornais no dia seguinte foi apenas noticiando que “os mascarados” atacaram um coronel da PM indefeso e que a população de SP rejeita a ação “violenta” dos Black Block.

Outro fato que aconteceu. foi que depois do assassinato de Douglas Rodrigues, 17 anos, pela Polícia Militar na Zona Norte de São Paulo. A mídia apenas deu foco para os protestos dos indignados com o caso, que fizeram ato que colocaram fogo em 6 ônibus, 3 caminhões, “saquearam lojas”, estavam armados, fecharam a Fernão Dias. E divulgou a posição do Geraldo Alckmin que disse que os “vândalos” não se pode utilizar da comoção da família para fazer tais atos.

Nada como ler a Folha de São Paulo de hoje (29 de outubro) para entender melhor qual a linha política da direita para os últimos acontecimentos de São Paulo.

Logo no Editorial eles escrevem:

Paulistanos desaprovam em peso violência nos protestos, que pode pôr a perder tudo que há legítimo e salutar nas manifestações de rua

Na coluna da Eliane Castañede:

Para a boa e a velha esquerda, o coletivo sempre se sobrepunha ao individual e ao setorial. Mas não se fazem mais esquerdas como antigamente. Hoje? sabe-se lá…

E no Tendências e Debates, Benedito Roberto Meira:

Mascarados são covardes cujo objetivo é o crime. Não são manifestantes. A lei deve considerar ataque a policial como agressão ao estado

Há uma tentativa clara de separar os protestos entre seus membros pacíficos e os “violentos”. Conclamam a “esquerda coerente” para ajudá-los nessa tarefa. Depois se utilizam da criminalização dos mascarados como campanha de aumento do recrudescimento do Estado Penal, encarcerando assim mais jovens negros.

É a primeira tarefa da esquerda, independente das caracterizações dos Black Block, não fazer coro ao discurso da mídia e da Direita. Sempre combatemos o discurso criminalizante em relação aos métodos de luta dos movimentos sociais, não podemos retroceder nesse momento.

Enquanto houver uma ofensiva da criminalização aos protestos como estamos vendo, não podemos temer em afirmar: Somos todos mascarados!

Uma resposta para Guest Post: Reflexão sobre os últimos atos em São Paulo, posições da Mídia e da Esquerda

  1. “Conclamam a “esquerda coerente” para ajudá-los nessa tarefa. Depois se utilizam da criminalização dos mascarados como campanha de aumento do recrudescimento do Estado Penal, encarcerando assim mais jovens negros.”

    Parei de ler aí. Coerência mandou abraço!

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