Maluf e Serra digievoluiram e viraram o Russomano

É sabido que São Paulo é em geral um estado conservador, não é apenas por ser governado pelo tucanato, até por que se esse fosse o critério não haveria explicação política para o fato do Brasil também ser um país conservador, né? Porém normalmente os holofotes políticos, econômicos, sociais e o escambau, o Brasil fica de olho em São Paulo, então a gente tem a impressão de que aqui a relação é mais recrudescida com o conservadorismo do que no resto do país. Mas é só um reflexo de quanto pensamos política e afins apenas nos respaldando no eixo centro sul do país.

Mas o foco deste texto não é o fato de todo mundo achar que as coisas mais importantes do Brasil acontecem apenas no eixo centro-sul, mas sim para falar do hit paulistano do momento (seja para os que elogiam, seja para os que criticam): Russomano. Não há o que discutir, o candidato do PRB é a digievolução do Serra com o Maluf, tanto que disputa aí os votos para ser eleito. Ideologicamente ele está muito bem definido e nada mais, porém o que significa Russomano no cenário político?

Porém é provável que seja necessária uma variável a mais para compreendermos um fenômeno eleitoral sobre o qual todos, até agora, quiseram acreditar que era transitório. Pois se existe alguma coisa em Russomanno que nos remete aos arcaísmos de São Paulo, há algo que deve ser compreendido em outra chave. Na verdade, ele é uma expressão mais bem-acabada de um certo conservadorismo pós-lulista ou, se quisermos, um conservadorismo que aparece como filho bastardo do lulismo. (SAFATLE, Vladimir. O filho bastardo do lulismo)

A questão é que estamos prestes a emular o 2º turno de 2010. A retomada do horror da idade das trevas chegar em nossa sociedade – como se já não tivesse ali presente e encontrando bem pouca resistência política para se consolidar como pensamento hegemônico. Russomano é a nova cara da direita paulistana, mas com uma diferença brutal de Serra: faz parte da base do Governo Dilma e aí que a porca torce o rabo.

Russomano já falou em recrudescimento da violência policial em São Paulo, nos seus apontamentos políticos desconsidera por completo as necessidades das mulheres LGBTs e negrxs (se considerasse não falaria em aumentar a repressão, né não?)

No rescaldo da imaginação
Cede a noite ao clarão, sua rotina por fim
Vem em cada passo, degrau em degrau
Na viela, é fatal, mais alguém sucumbiu
Vai e em silêncio guarda a dor com pesar
Um de seus que desandou sem pensar
Quando a quebrada não finda na esquina
Desejo se cruza com sina
Mas morte sem vida não há de vingar (SILVA, Everaldo Efe. Rescaldo)

Eu encontro meus amigos, converso com as pessoas e vejo que tem muita gente novamente com medo, eu estou com um pouco de medo também. Mas o medo uma vez já me tomou em 2010 e fiz escolhas políticas por medo e não por análise política e dessa escolha veio corte de orçamento, reajuste de salário vergonhoso, relação desumana com índigenas, não tomou decisão simples de ser tomada no caso do Pinheirinho… Esse foi o ônus da política do medo, eu tenho medo do Russomano, muito medo mesmo, pois ele foi assessor durante a Ditadura Militar, quer colocar uma igreja em cada quarteirão de São Paulo, mas escolhas políticas não devem ser feitas baseadas no medo. Russomano continua Serra e Maluf em São Paulo, agora o que eu quero ver é uma negação contundente do Haddad de que o PT não fará composição alguma com a nova cara da direita paulistana e não apenas falar que discorda de algumas propostas do Russomano.

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