Sobre o Moinho, para o Moinho

Ontem o Moinho ardeu novamente, ontem a GCM e a PM envergaram sua truculência para cima daqueles que quase nada tem, os marginalizados, os invisíveis mais uma vez. O Jonathan, professor lá em Rio das Ostras/RJ, expressou muito bem a luta incansável e o desprezo que cada vez mais a sociedade tem por aqueles que trabalham e não tem direito a moradia, educação, saúde, cultura, lazer e tantas outras coisas.

Mas que bonito, mulher
Você, no Jornal da Globo
Também fiz bonito, né?!
Ou só fiz papel de bobo?
Tu igual doida, gritando
E eu parado atrás, em pé
E o Brasil inteiro olhando

Mas vê se acorda, homem
Que foi ruim por demais
Pois a nossa imagem some
No fogo que estava atrás
E em toda a nossa desgraça
O fogo ali nos consome
Não tem de quê achar graça

Tem que pensar diferente
Porque nunca fomos nada
Por um minuto fui gente
Fiquei com a alma lavada
Um fogo que aconteceu
Fez o mundo de repente
Ver quem sempre esqueceu

Depois esqueceu de novo
De nós, agora sem lar
Sempre vivemos num ovo
Mas tínhamos onde morar
E agora, nós vamos pra onde?
Vão jogar nós, e este povo
Todo, no Cê do Conde!

Jogam nada, minha esposa
Este incidente infeliz
É o acaso, é uma coisa
Que ninguém pensou, nem quiz
Deixa a poeira baixar
Que quando a gente repousa
É mais fácil pra pensar

Tu é muito inocente
Já disseram que foi gás
Ou cigarro, ou ferro quente
Que fez o fogo voraz
Mas eu sei que não foi não
Foi maldade desta gente
Que tem dinheiro e ambição

Não liga, nós é porreta
Faz nossa casa do nada
Se tem madeira, marreta,
Prego, pá, carrinho e enxada
Leva vida, a gente toca
O barco e nem o capeta
Vai queimar nossa maloca

Tu vai olhar com espanto
Num ouve o que a mulher fala
Olha os PMs, e quantos!
No povo metendo bala!
Só por estar refazendo
Seu barracos, no seu canto
Como tu ia dizendo…!

H – Mas Mulher, então me explica
Qual seria o Motivo?!
M – É que esta gente que é rica
Não vê na gente, ser vivo
H – Gente rica é burra então
Encosta o seu peito e fica…
Viu?! Sente meu coração?!

M – Tu é gente, eu sei, amor
H – Tu também é, eu garanto
M – Não é gente o tal Senhor
Que enriquece ao nosso pranto
H – Como é que ele não se importa
Na bala, fogo ou trator
Com quem vive Atrás da Porta?!

H e M – Fogo por fogo, como era
Eles tem mais a perder
Morumbi, Ibirapuera
Jardim, Pinheiros, vão ver!
Não pedimos pelo jogo
Mas só jogamos à vera
Pra nós, é fogo por fogo!

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