Adesão do Pará ao Império e o desenrolar para a Cabanagem

Como hoje tem post novo meu no Blogueiras Feministas preferia fazer só algo breve por aqui, muito para não deixar passar a data de hoje: adesão do Pará ao Império brasileiro.

É dia importante não por conta de que na minha infância e adolescência era um dia de ficar em casa, andar de bicicleta na Praça da República ou Batista Campos, ou dormir até tarde depois de alguma festa. Na verdade a data de hoje só é mais um marco de repressão que o estado já sofreu de diversas formas ao longo da história.

Hoje é feriado Estadual no Pará. A História registra que, no dia 15 de agosto de 1823, nosso Estado aderiu à Independência do Brasil. Logo após a Independência do Brasil, algumas províncias, entre as quais a nossa, não aceitou a separação com o reino de Portugal e com isso algumas revoltas eclodiram império afora. Gradativamente, elas foram sendo pacificadas à força pelo império, e uma das últimas que resistia era a Província do Pará. A mando de Dom Pedro I, o almirante John Grenfell obrigou os Estados que não aderiram à Independência a aceitar a separação entre o Brasil e Portugal. Em Belém, Grenfell armou um ardil para convencer os responsáveis pelo Estado a aceitar a adesão, convencendo-os de que havia uma esquadra estacionada em Salinas pronta para bloquear o acesso ao porto da capital, isolando o Pará do resto do Brasil. Acreditando na história, restou aos governantes da época se render, proclamando a adesão ao restante do País. (PINA, Luiz Paulo. 15 de agosto: Feriado no Estado do Pará – Adesão do Pará à independência)

Acho que algumas coisas é preciso ponderar sobre hoje, até por que depois vai abrir flanco para uma das maiores mobilizações populares da história brasileira contra o Império de Dom Pedro I e talvez este deva ser o ponto que mais deva ser lembrado hoje, por que os desdobramentos tidos pela adesão do Pará à República culminam na Cabanagem que é tão presente no cotidiano de Belém (Filipe Patroni, Batista Campos, Eduardo Angelim e outros, infelizmente até hoje não encontrei referência as mulheres da cabanagem).

A revolução social dos cabanos1 que explodiu em Belém do Pará, em 1835, deixou mais de 30 mil mortos e uma população local que só voltou a crescer significativamente em 1860.2 Este movimento matou mestiços, índios e africanos pobres ou escravos, mas também dizimou boa parte da elite da Amazônia. O principal alvo dos cabanos era os brancos, especialmente os portugueses mais abastados. A grandiosidade desta revolução extrapola o número e a diversidade das pessoas envolvidas. Ela também abarcou um território muito amplo. Nascida em Belém do Pará, a revolução cabana avançou pelos rios amazônicos e pelo mar Atlântico, atingindo os quatro cantos de uma ampla região. Chegou até as fronteiras do Brasil central e ainda se aproximou do litoral norte e nordeste. Gerou distúrbios internacionais na América caribenha, intensificando um importante tráfico de idéias e de pessoas. (RICCI, Magda. Cabanagem, cidadania e identidade revolucionária: o problema do patriotismo na Amazônia entre 1835 e 1840)

A história de hoje para os paraenses só ajudou a recrudescer uma violência contra a população mais pobre do estado, assim como podemos ver em outras revoluções de caráter popular no Brasil. A relação com o povo pobre, negro e indígena neste país é historicamente opressora e a forma como as revoltas populares foram massacradas pelo Império brasileiro são exemplo disso.

Tentaram estabelecer um governo revolucionário estável e capaz de governar a província. Mas a tentativa foi novamente frustrada por traições e conflitos entre os líderes do movimento. Em abril de 1836, o governo central desfechou um novo ataque militar e conseguiu reassumir o controle da capital da província e impôs um novo presidente.

Foram cinco anos de intensa luta, até que os cabanos foram derrotados. Estima-se que, durante o período do conflito entre tropas governamentais e revolucionários, a população do Pará, que era de cerca de 100 mil habitantes, foi reduzida a 60 mil. (CANCIAN, Renato. Rebelião tem fim sangrento no período regencial)

Hoje se eu estivesse no Pará estaria com uma blusa em referência a cabanagem e não a adesão do Pará ao Império que iniciou um processo de genocídio da nossa população no Brasil.

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