Nartagman, Sandro e Sefer: Abuso sexual de menores e a vida política

Tem um tema que venho devendo postar aqui no blog sobre, debate nada fácil, ainda mais por que eu sou mãe e determinadas coisas acho que só justiça pelas próprias mãos resolveria mesmo. É o caso de abuso sexual de menores, não é raro ouvirmos e lermos casos de abusos por parte de políticos, religiosos e afins. Normalmente acabamos fazendo uma debate apenas moral, cobrando pouco soluções mais concretas das instituições ao qual as pessoas participam e tal.

Há menos de duas semanas estouraram por aí mais dois casos de abuso sexual de menor, o primeiro de um ex-dirigente do PT-BH e o qual deu bastante o que falar pela blogosfera política, o outro de um ex-militante do PSTU de Bauru que foi denunciado por abuso pelo próprio filho e para completar o hall dos casos de pedofilia e abuso sexual de menores ontem no Pará o ex-deputado estadual Luiz Sefer foi absolvido das acusações de pedofilia, cárcere privado e violência física feitas no final de 2009 por uma menor.

Quanto ao abuso sexual físico, este pode ser violento ou não violento.  Não violento quando há “carícias nos órgãos genitais da criança e acto  sexual não violento, com consentimento da criança”, e violento quando  há “violação ou prática de qualquer acto de índole física sem consentimento da criança” (MADUREIRA, Joana. Abuso sexuais de menores)

Poderia ficar horas listando casos e mais casos de religiosos, políticos, celebridades e outras pessoas já denunciadas por abuso sexual e a solução para o problema não foi solução real, pois quando se tem dinheiro para contratar um grande advogado como o Márcio Thomaz Bastos e culpabilizar completamente a vítima ou é blindado pelas instituições em geral.

O Pará, que infelizmente já é conhecido por tantas mazelas em nível nacional, mais uma vez tem seu nome enlameado por aqueles que deveriam honram seu povo e garantir justiça igual para todos os seus cidadãos, de forma que essa decisão é uma premiação ao ex-deputado que deve ter mobilizado milhões de motivos para conseguir sua liberdade, mas não vamos nos acomodar, na segunda-feira (10), às 14 horas, na sede da CNBB, vamos reunir as pesssoas de bem que lutam pelos direitos humanos no Pará e traçar uma estratégia para fazer valer a justiça, disse a senadora do PSOL. (BRITO, Marinor. Para senadora do PSOL, Sefer foi premiado com a impunidade)

O pior é que normalmente ouvimos os mesmo argumentos, de que foi a vítima que seduziu, que são pessoas tementes à deus – ahã, esquecem sempre dos casos e mais casos de abuso sexual existentes na igreja, né? Ou que a vítima provocou e tantos outros clichês também usados em caso de estupros de mulheres. Estes três casos que citei aqui também há algo em comum, as crianças viviam com seus agressores, sendo que no caso de Luiz Sefer é mais grave, pois a menina violentada também trabalhava na casa do ex-deputado junto com outra garota de 12 anos.

Durante o período eleitoral de 2010 o ex-deputado montou o canal no youtube chamado: A verdade sobre Sefer. Espaço para colocar a versão dele dos fatos, onde aparece parentes da menor abusada defendendo o agressor, dizendo que a menor nunca havia falado nada sobre violência ou abusos sexuais vividos na casa de Luiz Sefer, porém é bom lembrar de uma reportagem interessante sobre abuso infantil feita pelo profissão repórter.

O caso da menina de 12 anos que foi estuprada enquanto ia para casa da avó. Com medo das ameaças do estuprador, que afirmava que se ela contasse algo ele mataria a mãe e a tia dela, demorou a contar sua situação e o aborto não pode ser realizado porque a lei só permite abortar até a 22º semana de gestação e o feto não pode ter mais de 500 gramas. O feto da menina tem 560 gramas. A única opção é ela ter o bebê e depois ficar com ele ou entregá-lo para adoção. Muitas mulheres não sabem que o aborto pode ser uma opção em casos de estupro e quanto mais rápido a denúncia for feita, maiores as chances de se realizar um procedimento de Aspiração Manual Intra-uterina, extremamente rápido, indolor e seguro. (CARDOSO, Bia. Violência sexual.)

A questão é que quando o abuso sexual acaba sendo realizado por alguém vinculado a vida pública, a blindagem é algo quase que premente, seja das organizações políticas ou até mesmo de sua base eleitoral com medo de perder as bemfeitorias do assistencialismo e populismo barato. Para enfrentar a violência e o abuso sexual a menores é preciso enfrentar a corrupção dos 3 poderes, assim como fazer valer e implementar o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, não apenas julgar os agressores e puní-los, mas garantir assistência à vítima para que possa sair do local de vítima e retomar a vida.

O fato de alguém ser dirigente político ou deputado não poder ser premissa para qualquer espécie de blindagem quando o assunto é tão grave como este, assim como a condução dos casos precisa levar em conta possíveis ameaças a vida das vítimas, coações e abalos psicológicos que diversos estudos já comprovaram o quão difícil é para mulheres e crianças em situação de violência de quebrarem a barreira do silêncio e denunciarem.

3 respostas para Nartagman, Sandro e Sefer: Abuso sexual de menores e a vida política

    • Luka – Autor

      Meu ogro querido,

      O link para a nota do PSTU está bem na primeira menção ao caso de Bauru, só dar uma passadinha com o mouse em cima do link para ver, rérrérrérré, sabia que vinhas por aqui falar disso e já havia colocado ;D

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