A presença das mulheres na TV é de quantidade, raramente de qualidade

A forma como o corpo das mulheres vem sido mostrado na mídia normalmente é tema de textos e trabalhos relacionados ao feminismo, justamente por conta do que se chama de objetificação do corpo da mulher. Esta semana novamente o tema voltou à tona por conta da campanha de lingerie da Hope, mas este não é o tema deste post, há diversos textos em milhares de blogs feministas ou não sobre a publicidade da Hope e por que a peça é um desserviço para as mulheres em geral.

Durante esta semana intesa de debates sobre as questões sobre o feminismo recebi dois vídeos que tratam do mesmo assunto de formas diferentes o primeiro é o “Tudo que você sempre sonhou” e o “Il corpo delle donne“, o primeiro compara os corpos de mulheres e o corpo das barbies, o segundo fala sobre o uso do corpo das mulheres na televisão italiana e o quanto a presença dos corpos de mulheres reais tem desaparecido dos meios de comunicação.

Esta representação das mulheres na mídia de forma plastificada e cada vez mais estimulada pelos programas de TV – sejam aqueles que reificam a mulher, sejam os que estimulam a cirurgia plástica e afins – e também outras mídias em geral destinadas ao público feminino.

O corpo da mulher está presente nos editoriais de moda, mas parece algo sem vida e inerte, artificial. A linguagem constrói o corpo, sendo este não apenas o organismo físico, mas também o que o cobre, enfeita e como se movimenta. Confere-se a ele marcas de feiúra ou beleza, anormalidade ou normalidade. E essa classificação tem grande impacto. Sendo, inclusive uma atribução de valores política, pois implica a exclusão de alguns corpos e aceitação de outros. Atualmente, o corpo ocupa lugar central na definição do sujeito, porque seu corpo passa a marcar sua identidade perante o olhar do outro. (CARDOSO, Bia. Quem são as mulheres dos editoriais de moda?)

A imposição de um modelo de como as mulheres devem ser, não é algo que afeta apenas as mulheres adultas, mas sobretudo as mulheres adolescentes e as crianças, só lembrar dos concursos de misses apresentado ao mundo pelo “Pequena Miss Sunshine” de uma forma bem crítica, mas acabam retornando com o absurdo “Toddles & Tiaras” colocando já na vida das meninas coisas como botox, enchimentos e outras coisas. Concordo com Lorella e Marco, responsáveis por “Il corpo delle donne”, as mulheres reais cada vez mais não estão representadas na televisão, e arrisco dizer que nas revistas também. Nos deparamos cada vez mais com mulheres platificadas, colocando um padrão de representação feminina cada vez mais inalcansável.

Mas eu proponho a discussão sobre outro tipo de preconceito, até mais cruel e excludente: aquele contra as Mulheres Feias. Na primeira página de O Globo hoje, a sacada, que, não posso negar, é espirituosa, confrontando a ministra Iriny Lopes, feia, versus Gisele, linda. E ainda a vinheta “certo”, ao lado de Gisele. Implícito fica que a vinheta “errado” estaria no lado oposto, o de Iriny.

O que faz subentender que não é só andar vestida que é “errado”. Ser feia também é. Porém, por uma dessas doces ironias que fazem refletir, são justamente as mulheres feias que neste dia 29 de setembro de 2011 embelezam o noticiário. (ANGEL, Hildegard. Mulheres feias)

O debate se reacendeu ne Brasil com a campanha da Hope, mas não há como tratar esta questão como um fato isolado, na verdade somos bombardeados dia após dia por diversos programas, propagandas e imagens que colocam como ideal um tipo de mulher que não se adequa e não condiz em nada com quem são as reais mulheres brasileiras, talvez nisso a Dove tenha acertado um pouco com a campanha da real beleza – mesmo que obviamente seja para incluir mais um nicho de mercado em seus negócios.

Desde que o mundo é mundo, as mulheres buscam incessantemente uma aparência que agrade à opinião alheia, dentro do contexto em que vivem. E isso não significa apenas a opinião masculina. Mulheres arrumam-se, inclusive e principalmente, para outras mulheres. Competição ou conquista, não importa, elas sempre querem estar dentro dos padrões de beleza de seu tempo e espaço.

(…)

Mas o primeiro vídeo me deu um nó na garganta por se tratar de meninas. Quantas das mulheres com quem você convive passa perto desse estereótipo de beleza que vivemos tentando alcançar? Pois é. Mas nessa corrida louca nossas crianças estão se machucando, seja passando fome, vomitando comida, se matando de malhar quando seus corpos ainda nem se formaram por completo ou passando por tratamentos estéticos cada vez mais cedo. Uma vez eu conheci uma menina de treze anos que fazia tratamento para celulite numa clínica. Treze anos! (BOTTAN, Mirian. Dove – Qual a real intenção da campanha pela real beleza?)

A questão é que parte considerável das mulheres não são como as apresentadas na grande mídia, assim como parte considerável das adolescentes e crianças. A lógica é perversa, pois sim ajuda a agudizar casos de bulimia e anorexia junto a adolescente e crianças, como o caso de Dana que é protagonista de um documentário da BBC. Obviamente, acredito que concretamente há problemas políticos que atingem a vida das mulheres de forma estruturante, porém é sim um tema que não se deve relegar, pois também mexe com saúde das mulheres de diversas idades.

Cada vez mais cedo as crianças começam a se cobrar por conta de um determinado esteriótipo, como é mostrado no documentário sobre a Dana ou até mesmo no caso da modelo-mirim Thylane Blondeau, não dá para não querer tratar do assunto, ou não encará-lo de forma séria, ao invés de ficar apenas nos argumentozinhos xulos de que debater representação da mulher na mídia é coisa de mulher mal amada.

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