Nota de Repúdio do Setorial de Mulheres do PSOL à Filiação de Rose Bassuma

Em março o ex-deputado federal pelo PV Luiz Carlos Bassuma havia pedido ingresso ao PSOL, publiquei a nota em repúdio a este pedido escrita pelo setorial de mulheres do partido sobre o caso, agora foi filiada ao PSOL em Salvador Rose Bassuma, candidata a deputada federal pelo PV e com os mesmo comprometimentos com a bancada da fé que Bassuma.

Há alguns dias publiquei no Blogueiras Feministas um texto sobre a autonomia política da mulher que dialoga diretamente com este caso também.

À Executiva Nacional do PSOL

Ao Diretório Nacional do PSOL

Ao Diretório Estadual do PSOL/BA

Considerando que a executiva nacional do PSOL indicou uma comissão para conversar e avaliar a filiação de Luis Bassuma, e não efetivou sua tarefa; ou se efetivou não divulgou os seus resultados;

Considerando que o setorial de mulheres reivindicou assento na comissão, e a executiva nacional do PSOL sequer respondeu à solicitação;

Considerando que a filiação de integrantes e fundadores da Frente Parlamentar Pró-Vida e do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto (desde 2005) não se coaduna com as resoluções partidárias;

Considerando que Rose Bassuma participa do mesmo grupo político de Luis Bassuma, defendendo questões semelhantes como mostram dois links para informações http://blogrosebassuma.blogspot.com/2011/02/saida-do-partido-verde.html ou ainda AME (Associação Médica Espírita, uma das organizações que constrói a Frente pro-morte), no qual Rose Bassuma como nome responsável pela Frente parlamentar contra o aborto: http://www.amebrasil.org.br/portal/?q=node/61

Considerando que a campanha destes políticos tem o financiamento do líder pro-morte, Luis Eduardo Grangeiro Girão, espírita (como Rose e Bassuma), que compõe a Associação Estação da Luz. E esta organização, por sua vez, vincula-se à Campanha Brasil sem Aborto! Lembrando que Girão é um empresário rico, que usa do dinheiro que tem para financiar o cinema espírita, sobretudo a produção de filmes de combate ao aborto e também para financiar candidaturas pro-morte. Foi o produtor de filmes como “Bezerra de Menezes” e vem financiando as campanhas de Rose Bassuma (http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2010/resumoReceitasByCandidato.action?filtro=N&sqCandidato=50000000140&sgUe=BA&nomeVice=null) e de Bassuma (http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/luiz-bassuma-pt/)

O setorial de mulheres do PSOL vem a público registrar seu repúdio à filiação de Rose Bassuma nas fileiras do nosso partido.

Em franco diálogo com a carta por ela enviada ao conjunto da militância do PSOL, ressaltamos que defendemos a autonomia política das mulheres, pois são sujeitos políticos importantes para a transformação social em nosso país. É exatamente por isso que questionamos a filiação de Rose Bassuma ao nosso partido, por reconhecer que suas opções políticas não coadunam com o projeto gestado no PSOL.

Durante o último período, temos pautado, em todos os espaços, a questão do avanço e recrudescimento do conservadorismo em nosso país. Um dos principais articuladores e representante desse conservadorismo vem sendo a Bancada Parlamentar em Defesa da Vida, que tem eco na Campanha Brasil sem Aborto, com a qual Rose Bassuma se comprometeu nas eleições de 2010 quando pleiteou ser deputada federal pelo estado da Bahia.

Em sua carta, Rose Bassuma reconhece que o PSOL “é uma alternativa legítima de esquerda socialista.”. Porém, ao se desfiliar do PT em 2009, Bassuma opta por ir ao PV, partido que durante a campanha eleitoral se colocou contrário à luta das mulheres e LGBT’s. Em nenhum momento Rose Bassuma se manifestou contra a política aplicada pelo PV nestes temas. E nem poderia, levando em conta o seu compromisso com a Campanha Brasil sem Aborto.

Era filiada ao PT e se desfiliou juntamente com seu marido e pelos mesmos motivos. Filiou-se ao PV num ato público, do qual participaram Luis Bassuma e seu grupo,conforme noticiados na imprensa. Novamente, desfilou-se desse partido juntamente com o grupo político no qual atuou todo esse tempo e apontando coletivamente os mesmos motivos que os demais de seu grupo. Ver link mencionado nas considerações do início da nota.

Não encontrando espaço no aparelho burocrático, acabou saindo, não apontando em nenhum momento em sua carta quais os aspectos programáticos de desacordo com o PV. Durante sua estada naquele partido, acabou por vertebrar a campanha ao governo da Bahia de Luiz Carlos Bassuma, cuja tentativa de filiação ao PSOL foi questionada não apenas pelo setorial de mulheres, como também pelo setorial LGBT e está suspensa por decisão da Executiva Nacional do PSOL. Rose Bassuma corroborou com a posição de apoiar o voto em Serra (PSDB) e Aleluia (DEM) durante o segundo turno das eleições de 2010, possibilidades estas nunca pautadas ou apoiadas pelo nosso partido por considerarmos o PSDB e o DEM inimigos de classe e completamente opostos ao projeto de sociedade que defendemos, bom lembrar que o posicionamento do PSOL no 2º turno de 2010 em nenhum momento aventa a possibilidade de apoio as candidaturas demo-tucanas.

É importante lembrarmos que, durante as eleições de 2010, o PSOL apresentou em seu programa a defesa da legalização do aborto. Apesar de seu posicionamento pessoal sobre a questão, Plínio de Arruda Sampaio defendeu em diversas entrevistas a descriminalização e legalização do aborto em nosso país, por compreender o drama sofrido por milhares de mulheres que recorrem aos abortos inseguros e clandestinos e acabam morrendo. Foi uma vitória importantíssima das mulheres do PSOL ter incorporada, em sua principal campanha eleitoral, a bandeira da legalização do aborto, algo inédito em nossa curta história.

Importante lembrar que, em diversos momentos, Rose Bassuma reafirma seu compromisso com o que compreende ser a cultura da vida, base fundadora da Frente Parlamentar Pró-Vida, tendo composto o Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto desde de 2005, e que em todas as suas atuações na sociedade e no parlamento acaba por criminalizar as mulheres e se colocar contra os direitos da comunidade LGBT.

Para aqueles que acabam por escamotear o debate ao dizer que o PSOL também defende uma cultura de vida, é fundamental lembrar que as bases que nos movem não são as mesmas de campanhas e frentes articuladas pelo que há de mais reacionário na sociedade brasileira. Essas frentes se opõem aos direitos das mulheres e LGBTs e hoje compõem parte fundamental da base governista no Congresso Nacional. O que defendemos é uma bandeira contra a precarização da vida das pessoas, lutando pela garantia de direitos iguais entre LGBTs e heterossexuais, homens e mulheres e todas as etnias e raças existentes no Brasil.

Em toda a sua vida pública, Rose Bassuma se aliou com a direita brasileira através de posicionamentos largamente conhecidos e divulgados, assim como por conivência política com as posições do grupo Bassuma: Apoiou Aleluia, Bassuma, Serra e a Frente Parlamentar Pró-Vida por concordar politicamente com eles. Estas concepções e atuações não correspondem aos posicionamentos políticos do PSOL, pois somos frontalmente oposição ao demo-tucanato e ao governismo.

Os motivos que nos levam a sermos contrárias à entrada de Rose Bassuma no PSOL são muito claros. Não aceitamos, portanto, a pecha de que as posições contrárias à sua filiação são motivadas pelo machismo, tão somente pelo fato de ela ser esposa de Luis Bassuma. Esse é apenas um detalhe, já que existe um grupo que se organiza como tal e que incorpora os posicionamentos reacionários contra os quais lutamos. A constatação de que Rose Bassuma se mistura e se confunde politicamente com esse agrupamento (do qual seu esposo faz parte e é a principal referência) não pode ser apontado como sendo machismo, já que a própria Rose reafirma vários desses eixos políticos em sua carta enviada ao PSOL.

Não podemos ir contra os princípios que formaram o corpo de nosso partido e que foram aprovados em nossos congressos. Saudamos aos que vem incorporar as nossas bandeiras, não aos que já chegam contra nossas idéias e ideais.

Saudações libertárias e feministas,

Setorial de Mulheres do PSOL

4 respostas para Nota de Repúdio do Setorial de Mulheres do PSOL à Filiação de Rose Bassuma

  1. Marcos Fonseca

    Militei no PSOL durante um tempo aqui na Bahia e acreditava que este partido defenderia tanto os ideais do socialismo como os ideais da Liberdade, como o seu próprio nome se refere. Barrar a filiação de uma pessoa ao partido somente por causa de sua posição em relação a assuntos polêmicos é antidemocrático e hipócrita. Hipócrita porque ainda hoje existem e militam no PSOL pessoas contrárias à legalização do aborto, ao casamento gay e a bandeiras que historicamente a esquerda sempre levantou. Espero que o novo movimento Rede Sustentabilidade consiga abrigar pessoas honestas e éticas, independentemente de convicções pessoais em relação a assuntos que tanto desafiam o intelecto e consciência humanas.

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