Analista defende que mulheres foram mais preponderantes no processo egípcio do que as redes sociais

Matéria da Folha de hoje ponderando o papel da internet na Revolução Egípcia, debate necessário de se fazer, o Professor Paul Amar também atribui o papel central da revolução no país às mulheres. Acho que ele peca em não colocar como a classe trabalhadora também tem sido importante nos processos no Egito, tanto que agora suas greves tem sido esmagada pelo exército egípicio, mas esperar muito da Folha é pura ingenuidade.

Já havia escrito sobre a participação das mulheres tanto na revolução na Tunísia quanto no Egito aqui.

Influência de internet no Egito é exagerada, diz analista

Professor Paul Amar atribui à ala feminina da Irmandade Muçulmana um papel central na queda do ex-ditador Hosni Mubarak

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

O movimento que levou à queda do ditador egípcio Hosni Mubarak foi causado por uma explosão de forças sociais organizadas, nas quais se destaca o papel das mulheres: estudantes, microempresárias, operárias e a ala feminina da Irmandade Muçulmana.
É o que afirma, em entrevista à Folha, Paul Amar, professor da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, que morou no Egito nos anos 90 e desde então passa dois meses por ano no país árabe.
Organizador do livro “Cairo Cosmopolita” (2006), Amar conhece líderes dos protestos, incluindo Asmaa Mahfouz, do Movimento Jovem 6 de Abril, que agrega ativistas e sindicalistas.
A interpretação de Amar vai contra a tese de que o Egito não é solo fértil para a democracia. Ele define a revolta como a “busca de um projeto de desenvolvimento nacional”, com um “capitalismo menos predador”.
Amar também contesta os que viram ali obra da mídia social virtual. Conta que os sócios dos cibercafés egípcios são em geral jovens.
“A chamada revolução Facebook não é sobre pessoas se mobilizando no espaço virtual. É sobre os cibercafés e as pessoas que eles representam, em espaços e comunidades reais”, diz.
Para o professor, a revolta está associada a efeitos das reformas liberais promovidas por Mubarak nos anos 90 e da ascensão de novas potências econômicas.
Investimentos de países como China, Rússia e Brasil reativaram a indústria manufatureira (a Marcopolo é sócia de uma empresa local na produção de ônibus).
Nas fábricas, surgiu um movimento sindical independente, que pede aumento do salário mínimo do equivalente a R$ 124 para R$ 375.
Ao mesmo tempo, para compensar cortes salariais e no funcionalismo, houve estímulo à abertura de microempresas, muitas delas subcontratadas por companhias maiores.
“Nos conjuntos habitacionais na periferia do Cairo, você verá oficinas cheias de mulheres fazendo bolsas e sapatos, montando brinquedos e circuitos de computadores, para venda na Europa, no Oriente Médio e no golfo Pérsico”, diz.
Essa dinâmica acentuou divisões na Irmandade Muçulmana, mais antigo grupo do país. Jovens e mulheres (as Irmãs da Irmandade) se afastaram da velha guarda, que inclui parte da elite econômica e havia sido cooptada por Mubarak.
A queda do ditador foi selada por pressão do Exército, mas Amar diz que a manobra não deve ser confundida com golpes militares clássicos, como os da América Latina no século 20.
Segundo ele, é preciso ter em conta as divisões nas corporações armadas -das quais a polícia e o serviço secreto eram os mais odiados.
Os militares egípcios, de tradição nacionalista, controlam empresas de construção e de turismo.

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