O Vale-Tudo da polícia civil, corregedoria e governo de São Paulo

A começar que este post deveria ter sido feito e publicado na segunda, quando rolou a blogagem coletiva pelo fim da impunidade promovida pela Renata Côrrea, porém por conta de fechamento de texto, diagramação e o escambau do ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres em São Paulo só consegui retomar minhas atividades bloguísticas hoje. A proposta de blogagem coletiva da Renata foi baseada no caso carioca onde uma empregada doméstica foi atropelada por uma Procuradora do Trabalho, caso que mostra muito bem o como alé do gênero também há a classe e a Tica Moreno fez um post muito bom sobre isso no Blogueiras Feministas.

Como estava atarefada, posto hoje o que gostaria de ter postado na segunda, mas não sobre o caso carioca, mas sobre o perverso caso de impunidade paulistano que tomamos conhecimento apenas semana passada, 2 anos depois do acontecido. Me refiro ao vídeo que vazou semana passada e mostra cenas de uma ex-escrivã sendo revistada por policiais homens e ainda por cima algemada, sendo que ela não se opõe a ser revistada e diz que só será revistada se for por mulheres e a ela isto é negado.

Os delegados que protagonizam tal cena de violência poderiam muito bem estar na Ditadura Militar torturando presos políticos, pois o desespero com o qual a ex-escrivã grita por ajuda, segundo matéria da Band o então chefe da moça estava também presente na sala quando a revista aconteceu. O caso aconteceu em 2009, mas foi vazado semana passada e de lá pra cá já foi arquivado pela Corregedoria da Polícia Civil, coroando com a declaração da Corregedora Maria Inês Trefiglio Valente de que não houve excesso na ação e de que os delegados estavam “dentro do poder de polícia”.  Não é preciso ser nenhuma grande especialista em direito ou direitos humanos para constatar pelas cenas de que houve excesso sim por parte dos policiais e aí quando se vai pesquisar mais um pouco descobre-se que o uso de algemas só é lícito caso haja resistência da acusada ou perigo de fuga, o que convenhamos não é bem o caso.

A prática mostrada neste vídeo não me parece ser algo isolado, só ver as displicência com que a Corregedoria tratou o caso e o próprio Geraldo Alckmin achar grave o vazamento do vídeo e não a ação dos policiais em si e reafirmando que a ex-escrivã havia recusado ser revistada, não basta apenas afastar os policiais que deram cabo da revista, mas também iniciar um processo dentro da instituição para acabar com este tipo de prática, que pra mim tem suas raízes na Ditadura Militar sim.

É no que dá não acertar as contas com o nosso passado, lastro para mais abusos, atitudes para se obter confissões e provas que ferem os direitos humanos e afins, apesar de considerar importante a nota que a SEDH soltou sobre o caso, não acredito que em um estado de direito tal coisa aconteceria, assim como não aconteceriam os crimes de maio de 2006, a ocupação militar que houve final do ano passado no Rio de Janeiro e a violência com que vem sendo tratada a população brasileira quando resolve se manifestar sobre algo, em especial aqui em São Paulo.

O caso da ex-escrivã só mostra o quanto os direitos das mulheres são colocados de lado em diversas ocasiões, ainda mais quando vemos que havia 2 policiais femininas no local e que nada fizeram para não acontecer tal afronta, fora a lastimável declaração da Corregedora e do Governador dando razão a ação dos policiais. No final das contas este caso acaba sendo apenas mais uma ilustração de como o tucanato trata os direitos humanos e em especial os direitos humanos das mulheres, como se fossem descartáveis.

9 respostas para O Vale-Tudo da polícia civil, corregedoria e governo de São Paulo

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