As mulheres destroem a popularidade de Berlusconi

Artigo de Miguel Mora no El País, tradução feita para este bloguinho é do Ivan Valério. Os links são inclusões minhas e as explicações nos parenteses são do Ivan Valério.

Pesquisas apontam queda no prestígio do primeiro-ministro

Algo muito profundo parece ter mudado na Itália. A revolta das mulheres, que ontem levou centenas de milhares de pessoas às ruas de 280 cidades italianas e no exterior, para exigir a renúncia de Silvio Berlusconi e rejeitar a política sexista e patriarcal  deste tem coincidido com o colapso da popularidade do primeiro Ministro nas pesquisas. Um levantamento do instituto Demos publicado no dia 14/02 pelo jornal La Repubblica mostra que o líder carismático é o político mais subestimado no país: entre os 10 nomes apresentados, o bilionário ocupa a última posição. Além do mais, se houvesse eleições antecipadas, Silvio Berlusconi a perderia sem piedade, mas não se sabe ainda quem será o líder da oposição.

Berlusconi tentou resistir à deterioração nacional e internacional, concedendo uma entrevista ao programa La Telefonata do Canal 5 (emissora privada do grupo Mediaset, de propriedade do premiê), um gesto corajoso, mas algo pode ter piorado as coisas. Berlusconi descreveu o grande protesto popular como “uma desgraça” e como “um motim, organizado pela esquerda para apoiar uma teoria judicial.” Ele estava se referindo, evidentemente, ao caso Ruby, em que é acusado de prostituição infantil e corrupção e pode ser condenado até 15 anos de prisão (o juiz de Milão deve decidir se quer admitir ou não a denúncia dos promotores).

Na verdade, a idéia de protesto simultâneos nada tem a ver com a oposição, extremamente desacreditada para tentar algo assim. A revolta surgiu da própria sociedade civil. Pequenas associações de mulheres, grupos de jovens, grupos católicos, organizações acadêmicas e sindicais … Muito Facebook e quase nenhum papel. Na rua, não havia bandeiras de partidos, e muitos participantes expressam sua raiva não só a Berlusconi, mas também com a oposição que, cada vez mais, muitos italianos  a vê como uma quinta-coluna de Berlusconi.

O primeiro-ministro disse à aqueles que atribuem a degradação das mulheres um elo entre o seu modo de exercer o poder e a programação de sua TV privada: “As mulheres sabem o quanto consideração que tenho por elas, sempre me comportei com grande cuidado e respeito a elas, nos meus negócios e no governo”, disse ele. Além disso falou sobre o procurador de Milão e os órgãos de imprensa hostis que “pisaram na dignidade” dos seus convidados nas festas em sua mansão em Arcore “expondo-os publicamente ao ridículo sem razão.”

Sua situação política está, em qualquer caso, seriamente deteriorada. Após reunião sexta-feira com o presidente da República, no qual ele alertou que este deveria se submeter a justiça e parar o confronto institucional com o Judiciário, se ele quer terminar o seu mandato, Berlusconi disse ontem que Giorgio Napolitano lhe assegurou que não irá dissolver as Câmaras se o Gabinete continuar governando e aprovando leis.

O problema é que o Executivo está quase exclusivamente dedicado a reduzir os problemas jurídicos do primeiro-ministro (em poucas semanas, outros três processos separados foram abertos a partir do caso Ruby), e o destino da maioria no Governo depende do partido Liga Norte, que só espera uma oportunidade para aprovar a reforma federalista do estado. O presidente Napolitano ofereceu a Umberto Bossi, líder da Liga Norte, um prazo para isso, mas se falhar a Liga desligaria o respirador do primeiro-ministro.

Nesse caso, as pesquisas apontam para um futuro sombrio para Berlusconi. Os eleitores se queixam tanto de seus vícios privados quanto de suas deficiências políticas: apenas um em cada quatro eleitores acredita que o Governo “manteve suas promessas”, diz a enquete do La Repubblica. Que também revela que a confiança em Berlusconi caiu para 30% da população, o índice mais baixo desde 2005, e prevê que se tivesse eleição hoje, a centro-direita perderia a disputa.

A maioria da Câmara, ampliada com a aliança com o partido nacionalista La Destra, perderia espaço (57% a 43%) contra uma “aliança constitucional” improvável da oposição, juntando o Terceiro Polo (aliança dos partidos Futuro e Libertà de Gianfranco Fini com a nova Democracia Cristã), o Partido Democrático de Dario Franceschini , o Itália dei Valori de Antonio di Pietro e da Sinistra Ecologia Libertà, dissidência da Refundação Comunista liderado Nichi Vendola, ativista gay e governador da Puglia. O Governo cairia se esses três blocos se formarem: o de centro-esquerda venceria as eleições por 6% a mais que a direita dividida em duas. Portanto, existe apenas uma possibilidade para a maioria. Esperar.

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