Habemus uma mulher presidenta da república, e aí?

Não descarto que a questão de eqüidade entre os sexos seja algo importante, é sim, sabemos o quanto nesta sociedade é difícil para uma mulher se colocar no espaço público de debate, confrontando homens em sua política e muitas vezes sendo ameaçada de violência físicapor tais companheiros e isso existe por conta do patriarcado e do machismo, sendo assim não é qualquer coisa o Brasil ter eleito uma mulher para o mais alto cargo da nação e não dar relevância a isto é cegueira política. O fato de a velha mídia ter dito que Marcela Temer ofuscou Dilma Roussef durante a posse é prova cabal do machismo arraigado na sociedade, mais ainda quando para além de glorificar a beleza de Marcela Temer sucitam a possibilidade de matar a presidenta para ter uma primeira-dama “gostosa”, é objetificação da mulher e no caso ainda é mais grosseiro no caso de Marcela e Dilma, pois muitas vezes – por conta da diferença de idade entre Marcela e Michel – houve insinuações de que ela estaria com ele apenas por dinheiro, sem conhecimento concreto de causa alguma, apenas perpetrado pelo preconceito e machismo existente na sociedade.

Porém levar em consideração apenas os simbolismos, que são lindos, fortes e emocionantes é da mesma forma cegueira política. Em seu primeiro discursso Dilma Roussef destaca o caráter de continuidade do seu governo recém-iniciado – talvez para entender as críticas ao governo Lula a leitura do post em partes do Tsavkko ajude bastante estão aqui, aqui e aqui – re-lembrou a luta das guerrilhas urbanas e rurais contra a ditadura militar e fala explicitamente de conciliação de classes. Infelizmente os simbolismos de mulher e ex-guerrilheira ficam apenas nos simbolismos e durante o decorrer do discursso não ganham força política para fazer um govero de real mudança.

Dilma falou em honrar as mulheres e o povo brasileiro, mas em nada tocou sobre a política de criminalização da pobreza e facistização da sociedade  que tem como maior exemplo o Rio de Janeiro, também pudera exportar para o resto do país o modelo de pacificação usado no Rio e nas guerras do Iraque e Afeganistão estavam no programa de governo da petista, não falou sobre a violência e casos de tortura que assola as prisões e instituições para menores, falou das obras do PAC, mas não criticou Belo Monstro ou qualquer obra do programa que causasse impactos ambientais duros ou que se valesse de mão-de-obra escrava para ser construída. Não apareceu, não iria aparecer por escolha, é mais importante o elefante branco do que mudanças estruturais necessárias para a garantia de direitos humanos e da democracia.

Falou em estender a mão para a oposição, oposição que ajudou a despolitizar ainda mais o pleito eleitoral fazendo a presidenta refém dos ditos temas polêmicos, prestou homenagem aos tantos que tombaram durante a ditadura militar e nenhuma menção à abertura dos arquivos da ditadura militar, não que a edição dos livros pela SDH não seja importante, porém há famílias e mais famílias que ainda sofrem com a falta de informação sobre o paradeiro de seus entes, ou até mesmo qualquer palavra sobre casos atuais de tortura.

É temos uma mulher e ex-guerrilheira como presidenta da república, mas o que isso realmente significará só saberemos no decorrer do governo, pois a política não se faz apenas de símbolos e discursos vazios, se faz na prática e aos poucos incoerências entre o discurso e a prática vão aparecendo. No mais curtamos um pouco da presidenta ex-guerrilheira enquanto não são apresentadas novas reformas ou vemos nossas esperanças sendo destroçadas como aconteceu com o governo Lula.

5 respostas para Habemus uma mulher presidenta da república, e aí?

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