Não apenas uma declaração de apoio

Durante o ano todo de 2010 fiquei pensando no que faria quando chegasse o período eleitoral do CA Benevides Paixão, é minha última eleição como graduanda na PUC/SP e consequentemente a última eleição do Benevides que participo.

Não dá para não olhar para a Chapa Desassossego e não lembrar daquelas pessoas que já passaram pela gestão do Benevides Paixão e foram construindo tijolo por tijolo de uma trajetória de luta e resistência nesta universidade.

Acompanhei 5 gestões deste CA: a Pé na Porta, em 2006, quando entrei na PUC/SP, que foi ator insubstituível na greve daquele ano e me ganhou definitivamente para o movimento estudantil; a Molotov, em 2007, que foi quando realmente entrei para o CA junto com diversos outros companheiros do meu ano e que teve papel importantíssimo na construção da audiência pública com a reitoria daquele período e também na ocupação da reitoria da qual fomos arrancados pela tropa de choque 30 anos depois do coronel Erasmo Dias ter invadido a PUC/SP para dissolver o congresso da UNE; a Levante, em 2008, que ajudou a encabeçar com outros setores do movimento estudantil da PUC/SP o Congresso dos Estudantes desta universidade e que fazia mais de 10 anos não existia; Aos que virão, em 2009, que construiu a primeira audiência pública com o atual reitor e foi parte ativa e importante da disputa pela direção da FAFICLA, mostrando que sim é importante ter um lado e em 2010 acompanhei de fora e o que pude a gestão Sem Papas na Língua e os vi tocar a campanha de mensalidades, ir conversar com a reitoria para negociar a realização do Cobrecos 2010 (Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social) que nunca tinha sido sediado na PUC/SP, construir a 2ª audiência pública com o reitor, fazer o abaixo-assinado pela Agência On-Line, ser parte do processo de greve existente este ano no curso de jornalismo e ter papel fundamental nas discussões da ocupação de reitoria que tivemos semana passada para não termos o triste final da ocupação de 2007 e ainda conseguindo junto com o movimento geral da PUC/SP manter conquistas tidas este ano e avançar no debate junto a reitoria.

Uma coisa aprendida nestes 5 anos de PUC/SP é que sim tu precisas saber o que todos falam, mas uma gestão de CA não pode ser cambaleante ou ficar em cima do muro nas disputas existentes aqui, é preciso sempre ficar ao lado dos estudantes, professores e funcionários, o lado daqueles que tem sido paulatinamente massacrados pela institucionalidade desta universidade. Titubear nestes processos significa aceitar aumento de mensalidade, desmandos da direção da FAFICLA que retém projetos importantes para o curso e é enquadrada até pelo reitor desta universidade, se calar ao ver nossos amigos, camaradas, namoradas, ficantes serem chutados para fora da PUC/SP por não terem como pagar, ou então passar a mão quando alguém – seja do curso que for – insulta de forma racista e preconceituosa algum componente desta universidade.

Parece duro, mas para mim é o que significa o em cima do murismo, é o deixar as coisas como estão, aquele que não agarra os fatos com unha e os contesta ou problematiza contribui para o status quo e a universidade é lugar para quebrarmos o status quo em pedacinhos e construirmos práxis para quando sairmos possamos ajudar a quebrar o status quo existente na sociedade, seja trabalhando no jornal de bairro, grande redação ou rádio comunitária.

É muito bom olhar para trás e ver a bela história que construímos seja na PUC/SP, em São Paulo no movimento pela democratização da comunicação e nacionalmente participando ativamente e sendo um dos principais CAs da ENECOS contribuindo efetivamente para a rearticulação desta entidade. Isso só comprova que o pulso ainda pulsa e o movimento não depende de mim, de você ou de qualquer outra pessoa que venha a deixar a universidade nos próximos anos, mas ao mesmo tempo precisa de todos nós para termos conquistas efetivas como tivemos.

O movimento é feito com pés na porta, molotovs e levantes preocupados com o que vão deixar aos que virão e sem papas na língua, o movimento é feito por desassossegados que mesmo formados ou formandos sabem que o vivido aqui, o lutado aqui nos formou como jornalistas e, principalmente, como pessoas.

Não deixo apenas meu apoio à Chapa Desassossego, deixo meu respeito, minha admiração e, sobretudo, a certeza que lá na frente ainda estaremos ombro a ombro nos embates que vierem a acontecer. Nós saímos do Benevides, mas o Benevides não sai de nós.

Ousemos lutar, ousemos vencer, ousemos nos desassossegar.

Luka

Formanda do curso de Jornalismo da PUC/SP, foi gestão do CA Benevides Paixão em 2007, 2008 e 2009 e gestão da ENECOS em 2009.
Aka conhecida também como mãe da Rosa.

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