Diretor da PUC reconhece racismo em Universidade

Matéria que saiu no Brasil de Fato com a declaração do diretor da faculdade de direito da PUC/SP sobre o caso de racismo ocorrido este semestre, envolvendo duas estudantes de direito – aqui ressalto que a agressora era pagante da universidade e a agredida, além de negra, era bolsista.

Estudante de direito foi vítima de racismo através de um e-mail

22/11/2010

Jorge Américo,

De São Paulo, da Radioagência NP

A estudante do último ano de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Meire Rose Morais sofreu ofensas com conteúdo racista de uma colega de sala. De acordo com ela, as agressões se deram em uma lista de e-mails.

Meire relata que é comum os bolsistas negros do Prouni serem tratados de maneira preconceituosa. “Ela manda os e-mails com vários contextos que discriminam a questão racial: ‘esse creme que você usa para emplastar seu cabelo’. Ela faz uma ofensa pelos elementos raciais que eu possuo. Eu tenho o cabelo crespo, cacheado e para ele não armar muito eu passo bastante creme.”

Meire é solteira e mãe de três filhos. Dentro de um mês se formará aos 46 anos de idade. Ela conta que foram feitas referências até mesmo a um problema no pé que a obriga a usar sandálias.

“Ela deixa bem claro o que ela entende das pessoas negras, que é tudo bandido, ladrão. Eu nunca imaginei que pudesse causar tanto problema. Eu passei cinco dias chorando na faculdade. Eu não conseguia me vestir direito, eu tinha medo de sair de casa e as pessoas rirem de mim. Eu tive dificuldades para colocar de novo a minha sandália.”

O diretor da Faculdade de Direito da PUC-SP, professor Marcelo Figueiredo, reconheceu a existência de racismo no caso. “O conteúdo é realmente racista, preconceituoso. Eu diria preconceito, racismo, intolerância. Essas são as palavras mais corretas”, afirma.

Embora as agressões tenham ocorrido no final de outubro, Figueiredo assegura que só tomou conhecimento do caso a partir da matéria publicada pela /Radioagência NP/ na última sexta-feira (22).

O advogado Cleyton Wenceslau Borges, que acompanha o caso, acionará o conselho universitário para pedir apuração. Depois de encerrada a sindicância, poderão ser abertos processos na Justiça. Meire revela que também será solicitado ao Ministério da Educação que oriente as universidades a implementarem fóruns de discussão e combate ao racismo como exigência para a concessão do título de filantropia.

“Às vezes aquela pessoa é tão tímida que não consegue se colocar. Então, teria que existir um comitê de combate a todos os tipos de discriminação. Não adianta apenas ter um psicólogo para atender aqueles que sofrem preconceito na PUC ou em outras universidades particulares que adotam ações afirmativas”, defende a estudante.

Segundo o regulamento interno, somente a Reitoria pode tomar providências, como a abertura de uma investigação. O diretor do curso de Direito diz que a postura da estudante não pode ser confundida com a da universidade.

“A PUC sempre foi vista como uma universidade extremamente tolerante, pluralista, com todos os tipos de grupos religiosos, políticos, filosóficos. Nesse aspecto toda a comunidade reconhece que a PUC não é intolerante.”

O professor afirma que, apesar de abrigar diferentes grupos, a PUC não possui nehuma política voltada para promover a integração entre eles.

“A PUC dá palestras para os alunos no início dos cursos, explicando como funciona a estrutura da universidade, mas ela não tem realmente um plano de convivência. Eu acho que, na verdade, nenhuma universidade no Brasil tem isso.”

Figueiredo revela que, em 30 anos, nunca teve notícia de um caso de racismo dentro da universidade.

“Eu nunca ouvi falar de um caso de racismo na PUC. Eu já estou lá há quase 30 anos. Eu acho que foi um fato isolado, não é uma conduta recorrente, uma coisa que ocorre sempre. A gente sempre vai encontrar pessoas intolerantes. É inevitável que a faculdade consiga neutralizar todas as personalidades esquizóides da sociedade.”

Confira trechos de um dos e-mails:

“Fico feliz, pq agora, posso, sem peso na consciência, dizer: VAI SE FUDER!!!”

“Ah, já que estamos falando de campanhas e tal, queria te apresentar uma que só depende de vc, ela se chama: Meire, botas já!! É baseada no fato de que estamos cansados de ter que ver o seu pé grotesco!! Sério! Vc devia consultar um podólogo, tenho certeza que o SUS tem um, pq aquilo não pode ser só um joanete, com certeza é uma forma alienígena de vida que se acoplou ao seu pé!! Na boa, pela sua própria saúde, consulte um médico!”

“Além disso, tbm acho que está na hora de vc trocar o produto que vc usa para emplastar seu cabelo, pq esse já venceu, e o cheiro…. Na boa….É insuportável!”

“Ah! Mas espero que vc não leve para o lado pessoal sabe?! Gosto muito de vc! Vc alegra o meu dia e me faz dar muitas risadas, principalmente qnd vc vem com meia calça estampada, saia de bolinhas e sapatos caramelo! Uhaha! Hilário!”

“Ha, e só para fechar com chave de ouro, queria saber se vc não tem nada mais pra fazer da vida dq propaganda política? Pq pessoalmente acho q vc deveria se dedicar mais aos estudos, não?!

Mas hey! Oq eu estou falando vc já está bem encaminhada! Afinal, vc pratica a profissão mais antiga do mundo (É a prostituição caso vc nao saiba!)

Ou melhor.. acho que não Né?Pq, citando um político:

‘Vc nem pra prostituta serve pq é muito feia’ “

“Ufa! Obrigada mais uma vez por permitir esse meu desabafo! Com certeza sairei mais leve desta faculdade!”

3 respostas para Diretor da PUC reconhece racismo em Universidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s