Cansadas? Não!

Acabei não escrevendo nada sobre o 20 de novembro, tempo quase para nada e estas datas relacionadas ao movimento social precisam ser lembradas na rua.  Para além da marcha habitual do movimento negro no centro da cidade ainda houve uma aula pública da UNEAFRO em Guaianazes.
Em São Paulo o 20 de novembro é feriado municipal, data conquistada como feriado depois de muita luta do movimento negro e que sempre é alvo de tentativas de ser retirada pela burguesia, onde já se viu feriado pra negro e pobre, né?
Após a lavagem que foi o processo eleitoral brasileiro urge os movimentos de combate às opressões se organizarem para dar uma resposta contundente e nas ruas contra toda essa xenofobia, racismo, homofobia, misoginia e machismo que temos encontrado Brasil a fora. É positivo que neste final de semana passado tenhamos tido para além da marcha do 20 de novembro, o ato contra as agressões homofóbicas ocorridas no Rio e São Paulo na semana passada e as atividades que para além de lembrar e discutir o dia da consciência negra resgataram o que foi a revolta da chibata.
Dentro deste turbilhão de acontecimentos, de pés na porta e afins não há como não destacar o acontecido na PUC/SP há mais de um mês quando uma estudante do Direito, bolsista do Prouni e negra foi alvo de racismo e preconceito de classe em uma das listas de turma daquele curso.
O Vi o Mundo deu destaque ao caso e me assusta alguns comentários dizendo que os emails da agressora não são preconceituosos e pior me assusta mais ainda a conversa que tive com a Meire no sábado – sim, por um acaso do destino a mulher agredida na PUC/SP é uma das pessoas que mais gosto naquela universidade e ajudou muito a avançar a minha compreensão de como aquele espaço é elitista e segregador – e ela me fala que algumas pessoas disseram que processar a agressora, abrir B.O e exigir um posicionamento da PUC/SP sobre o caso eram atitudes radicais e que não dava para acabar com a vida da agressora só por causa disso, só por causa disso?
É não dar uma basta no preconceito quando é “apenas” intimidação que corrobora para ele evoluir e virar casos como os da Av. Paulista e Rio de Janeiro, ou então quando há alguns anos nordestinos eram espancados em SP por grupos xenófobos, até mesmo uma trabalhadora que foi agredida na cidade maravilhosa por que a playboyzada achou que ela era uma prostituta e não há como encerrar a listagem de casos relacionados a opressão com o que aconteceu em Brasília com o índio Galdino, queimado enquanto dormia em um ponto de ônibus por que o confundiram com um mendigo.
É isso, nesse país se tu fores preto, pobre, puta ou nordestino não merece viver, tem que ser saco de pancada da burguesia sem reclamar, pois esse direito não foi concedido. Sim! Intimidação é violência sim! E muitas vezes é o primeiro passo para agressão física, ou vamos esquecer o caso da Maria Islaine? Denunciou o marido 8 vezes antes dele matá-la e nada foi feito. Abriu-se a temporada de caça aos oprimidos e é preciso ter força para fazer a disputa ideológica na sociedade de forma coerente, de recolocar o debate das opressões sejam quais forem de maneira pujante, sem servir de correia de transmissão de cooptação, mas sim para arrancar e conquistar direitos, por que é assim que conquistamos o que temos até agora, não foi por lobbysmo, mas por estarmos inseridos na sociedade fazendo o debate.
Essa semana rola a semana de ativismo digital pelo fim da violência contra a mulher por conta do dia 25 de novembro – dia latino-americano de combate à violência contra a mulher – e nada mais oportuno de discutir a interface entre a luta anti-racista, LGBT e das mulheres do que esta semana, pois os casos de violência que temos presenciado não são casos isolados, são resultado ideológico do reacionarismo desvelado nestas últimas eleições e não apenas por parte do candidato tucano, mas por conta da identificação com o discurso conservador de Marina Silva e que infelizmente não foi barrado, e nem tentado, pela nossa presidenta eleita.
Espero sinceramente que não percamos o bonde da história para podermos dar as respostas a todos estes casos de agressão que vem sendo mostrados, seja na Paulista, Rio de Janeiro, PUC/SP, Brasília e o que mais aparecer. Não dá para tolerar violência, principalmente quando esta é baseada em preconceito.

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