Passionalidades e ocupações

Em novembro de 2007 após diversas tentativas em vão de conversar com a então reitoria, nomeada por nós estudantes de Império do Laquê, ocupou-se a reitoria da PUC/SP. Em menos de uma semana a Fundação São Paulo com a benção do Império do Laquê e de parte considerável do CONSUN (que aquela época ainda era a principal instância deliberativa da PUC/SP) autorizou a entrada da Tropa de Choque para desocupar as/os estudantes que ali se encontravam lutando para barrar o famigerado Redesenho Institucional.

Era momento de efervecência política na PUC/SP, um ano antes o Império do Laquê havia anunciado uma obscura lista de demissão que nem a reitoria ou Fundação São Paulo assumiam a autoria e ficavam jogando a batata quente um no colo do outro.

2007 també foi ano dos 30 anos de invasão da PUC/SP pela tropa de Erasmo Dias, e também por isso foi uma brutalidade o Império do Laquê (Maura Véras, Guilherme Simões, Bader Sawaia, Flávio Saraiva e João Décio, todos podem ser alegremente encontrados pelos corredores do campus Monte Alegre como se nada tivessem feito para enterrar a história da PUC). Óbvio que a Tropa de Choque não desceu o cacete, balas de borracha e gás lacrimogênio como fizeram na Fundação Santo André, não saõ loucos de transformar Perdizes em uma praça de guerra.

Hoje a reitoria da PUC/SP encontra-se ocupada novamente, depois do CONSAD (instância que transformou o CONSUN em mais uma das várias rainhas da Inglaterra existentes na PUC) ter aprovado aumento da mensalidade acima da inflação e ter tergivesado sobre a questão dos inadimplentes e bolsistas durante mais de um ano. É bom lembrar que a ocupação foi último recurso usado pelas/os estudantes, antes aconteceram 2 audiências públicas onde nada foi esclarecido, um abaixo-assinado com mais de 2 mil assinaturas que foi protocolado e encaminhado para debate ao CONSAD e foi devidamente ignorado. Como sempre houve tentativa de diálogo antes da radicalização, diferente do que muitas vezes as pessoas falam.

Ontem passei pela ocupação com a Rosa, ao entrar na sala do reitor a única imagem que vinha a minha cabeça era aquela fatídica sexta-feira de 2007, quando o choque entrou na PUC após 30 anos, quando o capitão responsável pela missão nos negou até a presença dos advogados que tínhamos para acompanharem a desocupação e garantir que eles não mexeriam em nada, quando algumas companheiras foram humilhadas ao terem que voltar para pegar alguns pertences esquecidos, quando saíamos um por um cantando “Para não dizer que não falei de flores”, quando chorávamos de raiva e o então chefe de gabinete nos dizia que aquele era só o começo. Não fui uma das processadas e perseguidas vorazmente pelo Império do Laquê e Fundação São Paulo, mas ali estive todos os dias na comissão de comunicação, colocando a nossa versão para quem quisesse ouvir, conversando com gente que estava confusa e afins.

Ao entrar novamente em uma ocupação na PUC/SP fica aquele desejozinho de que dessa vez o desfecho seja outro, de que o choque não entre mais uma vez nesta universidade que se enaltece até hoje do seu passado abandonado já por muitos e usado como um bastião pelo movimento estudantil. Mas sinceramente não espero grandes feitos da Fundação São Paulo e até mesmo do atual reitor, da Fundação por já ter visto o quanto ela não se envergonha de usar mão-de-ferro para fazer valer sua vontade e o reitor por que aprendi a não confiar naqueles que estiveram lado-a-lado da ditadura militar e sobretudo junto à secretaria de segurança pública de São Paulo nos anos 70, mesma época que Erasmo Dias invadiu a PUC/SP para inviabilizar o Congresso da UNE que ali foi realizado.

Abaixo divulgo as reivindicações dessa nova ocupação a qual apoio muito feliz:

*Redução imediata das mensalidades;

*Abertura do edital de bolsas, cedidas pela Universidade

*Flexibilização da negociação das dívidas dos inadimplentes;

*Rematrícula dos inadimplentes;

*Redução do preço do restaurante universitário;

*Criação de um centro de educação infantil, para estudantes e trabalhadoras deixarem seus filhos;

*Auditoria da dívida da PUC feita pela comunidade;

*Nenhuma punição aos estudantes mobilizados;

*Fim da Secretaria de Administração Escolar (SAE), em pró das secretarias específicas das

faculdades;

*Incorporação dos funcionários terceirizados ao quadro de funcionários da Universidade;

*Fim do Conselho Administrativo em pró de um Conselho Universitário participativo a professores, funcionários e estudantes.

Retirado do Blog da Ocupação

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