Das angústias

Pela primeira vez estou prestes a concluir o curso universitário que decidi fazer quando estava no convênio e que dei início em 2003, de lá pra cá muita coisa mudou radicalmente tanto politicamente como pessoalmente. Já acreditei muito no processo eleitoral como via de mudança, já chorei com eleições perdidas pelo PT, sofri com o descrédito de alguns dos meu mais queridos amigos ante de entrar na faculdade, sofri o mesmo na própria faculdade, quiz ser repórter, virei ativista estudantil, sonhei entender de moda, enfrentei o baque de ter que dar curso na vida sem alguém pra cuidar de mim, perdi amores importantes e decidi gerar outros amores.

A faculdade de jornalismo foi palco de momentos marcantes na minha curta vida e principalmente a parte do curso feita na PUC/SP, pois foi enquanto estudei ali que me engajei na militância estudantil, perdi minha mãe, trabalhei com as coisas que mais curti, conheci um dos grandes amores da minha vida e gestei e pari a minha filha.

Não é fácil olhar para estes 7 anos de jornalismo e ver meus sonhos destrossados, ver que na verdade todos estavam enganados e eu não tenho nada para ser jornalista. Construí uma série de planos que hoje por hoje são insolucionáveis, descabíveis e irrealizáveis. Não nasci para ser jornalista, não nasci para ser militante e sobretudo não nasci para ser uma boa mãe. Nasci para ser eu e é o que sou, aos trancos e barrancos é o que tento seguir sendo.

Foram 7 anos sonhando em ser uma Rosaly, Ana Prado, Joice Santos ou o que fosse e no final desta caminhada percebo que a única que posso ser sou eu e este eu não tem nada com o jornalismo, não com o jornalismo possível de ser feito agora, tem haver com um jornalismo que não tenho mais como fazer, pois decidi construir outros caminhos para a minha vida e isso é muito angustiante.

Novembro e dezembro serão meus últimos meses neste mundo e não sei quando voltarei a ele e nem se um dia voltarei, pois uma coisa que eu tenho certeza é de que de todos sou aquela mais cooptável e mais fácil de se vender, pois tenho necessidades concretas que precisam ser resolvidas a curto prazo.

É, isso não passa de um réquiem, um réquiem pra alguém que se perdeu nestes últimos 7 anos e agora se dá conta disso.

2 respostas para Das angústias

  1. Às vezes eu penso sobre tudo isso e no fundo bate um medo de ser cooptada. Porque todos sabemos como é difícil alimentar a si mesmo e principalmente outras bocas, mesmo para quem não tem filhos, como eu. E não é só de alimentos que vivemos, é de moradia, de educação, de saúde, de vida e de sonhos, também. E são nessas horas, quando olhamos e vemos que talvez não conseguiremos vencer se não nos ”vendermos” é que é preciso parar e pensar que tipo de mundo queremos. E quando encontrar a resposta, aí sim entra a famosa frase de Che: ”Um grande revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor”.

    • Luka – Autor

      Flávia,

      possibilidade de ser cooptado todos nós temos, até o mais revolucionário de nós, mas fazemos o que com esse medo? Sinceramente, não sei to aprendendo agora…

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