Memórias de uma trajetória eleitoral bem curta

Sempre gostei de política e das eleições, desde pequena tenho histórias e mais histórias de acompanhamento da política ou do momento eleitoral, seja 89 quando disse para a minha mãe que queria fazer boca de urna para o Lula ou quando minha irmã chorou quando perdemos as eleições por conta do golpe da Globo no mesmo ano. Depois veio o impeachmant do Collor e eu pirralha querendo sair de preto igual aos caras pintadas e a minha mãe, acompanhando a votação do congresso para saber se o Collor iria continuar nosso presidente ou não.

Acompanhei a virada histórica do Edmilson Rodrigues em 1996 quando ele ultrapassou nas eleições municipais a Elcione Barbalho e depois deu a volta no Ramiro Bentes fazendo a esperança vencer o medo… Eu tinha fé no que viria pelas mão do PT, pelas mãos do Lula. Mas já em 2002 ouvi algo tão estranho, o expoente mór do coronelismo estudantil do meu colégio puxando voto no meu arauto socialista, naquele que levaria o que eu acreditava e colocaria em prática junto com o MST, sindicalistas e afins. O primeiro baque tão duro e violento, mas que ainda assim não me fez desistir de acreditar na mudança vermelha.

De lá pra cá as coisas mudaram muito, vi o vermelho pelo qual tanto meu coração bateu, chorou, militou tomando face cada vez mais de algo que abominava, veio a Reforma da Previdência, veio a Reforma Universitária, veio a capitulação da UNE e da CUT e com tudo veio meu descrédito com a política com todos.

Aos poucos fui voltando para a discussão da política brasileira pelo movimento estudantil, vendo que tinha sim outro jeito de fazer política e de que era necessário pensar para além das eleições, pensar nas mobilizações sociais de forma autônomas e que havia sim organizações partidárias que apoiavam estas mobilizações mesmo sabendo que isso possivelmente não se reverteria em votos e hoje, hoje eu fui votar pela primeira vez em São Paulo, pela primeira vez desde meus 16 anos votei com alguém me acompanhando na cabine e me fazendo acreditar sim no futuro e na revolução, a cada voto a carinha de reconhecimento da pequena Rosa dizendo estes daí eu conheço, são aqui do lado, tão junto com a mamãe quando tem o enfrentamento que seja em mostrou que apesar de duro e pedregoso o caminho socialista existe e precisa ser reconstruído como alternativa.

Neste 3 de outubro de 2010 o retorno mais válido das minhas crenças por mudanças sociais foi consolidado e está pronto pra muitas lutas, sejam eleitorais ou não. Ainda tem muito caminho pra ser reconstruído e é isso que eu vou ajudar a fazer.

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