Legalização do Aborto nas eleições

Época de eleições e diversos debates ou desaparecem do cenário político ou então são usados de forma eleitoreira, o caso dos direitos das mulheres é emblemático: Usam casos de violência doméstica para ganhar votos e escondem a pauta da legalização do aborto. Óbvio, numa sociedade machista e conservadora como a nossa falar sobre dar autonomia às mulheres é sempre um tabu, mas cabe a nós e aqueles que pretendem representar o nosso projeto de sociedade disputá-lo no seio da sociedade, pois a construção de uma outra sociedade se dá no dia a dia do movimento e também durante o período eleitoral.

Esse ano o debate sobre a legalização do aborto foi e está sendo usado da pior maneira possível, chantageia-se aqueles que de alguma forma esboçam certa simpatia pela pauta e infelizmente uma boa parte dos políticos brasileiros cedem a esta chantagem eleitoral e tucaneam a discussão sobre a necessidade da legalização do aborto no Brasil.

Infelizmente de 2008 para cá temos vivido um momento difícil para a discussão dos direitos sexuais da mulher e , sobretudo, a legalização do aborto, a força do que há de mais reacionário na sociedade brasileira em conjunto é assusta, mas não amedronta àquelas que defendem a legalização do aborto no nosso país. O caso dos vetos ao PNDH-3 que foram acatados pelo Governo Lula mostram claramente qual a articulação que vem sendo feito e entre quais setores, são os extremistas religiosos, ruralistas, militares e grande mídia todos batendo o pé em questões estratégicas para eles e entre estas questões estão os direitos reprodutivos da mulher.

É inegável que a disposição de construir uma proposta de lei tripartite existiu por parte do governo, mas não houve real empenho deste para que o PL avançasse na discussão junto ao parlamento brasileiro, na verdade ao sinal de qualquer dificuldade esta ainda é uma das primeiras pautas a serem leiloadas e comprovando que uma luta sem mobilização social e apoio para além do movimento feminista não fará nem cosquinha no conservadorismo que se instalou no país.

Em tempos de Estatuto do Nascituro, mulheres condenadas por trabalharem em clínicas de planejamento familiar, de falta de disposição dos governos federal, estaduais e municipais de capacitarem e operacionalizarem uma política de educação sexual onde as mulheres tenham realmente noção do seu corpo, dos métodos existentes e que tenham acesso a eles pelo SUS sem que enfrentem uma enorme burocracia é necessário que aqueles que hoje pleiteam cargos no executivo ou legislativo tenham compromisso com a saúde da mulher e especialmente com os direitos reprodutivos.

Não dá para apoiarmos posicionamentos plebiscitários, ou então àqueles que de forma alguma colocam o poder decisão na mão de nós mulheres, é incoerente, principalmente para aqueles que se propõe a construir uma outra sociedade. É preciso sim não ter medo da defesa pela legalização do aborto, pois é parte do nosso programa feminista, parte inalienável da luta pela igualdade das mulheres e abaixar a cabeça para o recuo que for neste momento é abrir mais espaços para recuos e mais recuos. Infelizmente as mulheres que se propõe candidatas hoje nestas eleições preferem fugir deste tema, assim o foi também em 2006 quando era preferível atacá-lo de maneira passional e se vendar ao drama de milhares de mulheres brasileiras que optam sim por vidas, pela sua, de seus filhos já nascidos.

A legalização do aborto hoje foi posta em pauta, mas não por um dos 3 “principais” candidatos à presidência da república, mas por um senhor de 80 anos, católico e muito comprometido com a luta pelos direitos democráticos e construção de uma sociedade socialista, pois sim não acredito em uma sociedade socialista que não seja feminista e vice-versa e para esta construção realmente acontecer não devemos nos calar frente ao que nossos representantes nestas eleições falam, é preciso criticá-los, atentar para seus desvios de programa e isso inclui sobretudo a discussão das mulheres, pois a grande maioria das vezes temos nossas demandas descartadas no jogo político e isso não mais pode acontecer.

É preciso que debatamos e disputemos no seio da sociedade esta pauta, sem maniqueísmos, sem cair nas ciladas passionais que o outro lado arma, sem sensacionalismo barato, mas com acuidade de argumentos, revelando uma dramática situação na qual ainda não foi dado solução e do jeito que se caminha com a privatização do SUS, falta de investimento em infra-estrutura que garanta efetivamente a maternidade plena daquelas que decidiram por ser mães.

2 respostas para Legalização do Aborto nas eleições

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