Mulheres do Barricadas

Historicamente, a exploração do homem pelo homem se dá por meio da imposição de diferenças e, a partir daí, seleciona alguns setores da sociedade para oprimir, como acontece com homossexuais, negros e negras, indígenas e, entre outros, as mulheres. Não por coincidência, são esses setores que compõem a mão de obra mais barata: pesquisas revelam que as mulheres – principalmente as negras – recebem impreterivelmente salários menores que os homens, mesmo que ocupando os mesmos cargos. Uma das bandeiras históricas do movimento de mulheres é, assim, “salário igual para trabalho igual”.

Completamos 100 anos do Dia Internacional de Luta da Mulher, espaço conquistado após muita luta das mulheres do final do séc. XIX e início do XX, data que também marca o início das mobilizações revolucionárias de 1917 na Rússia. A luta das mulheres começou juntamente com a luta da classe trabalhadora por emancipação. Mas, mesmo tendo diversas conquistas neste último século, ainda temos muito pelo que lutar, tanto na sociedade quanto dentro das nossas universidades.

Além do mundo do trabalho, onde as mulheres, principalmente as negras, tem sua remuneração inferior a dos homens, desconsidera-se ainda o trabalho doméstico que normalmente fazemos em nossas casas. Temos a mídia tornando nossas lutas invisíveis, além de nos homogeneizar e nos vender como produtos, normalmente como objeto de prazer para os homens, como acontece em propagandas de carros e cervejas.

Os espaços privados são “reservados” para mulheres – relacionados inclusive com as profissões de cuidado e ensino, por outro lado, os espaços públicos, são predominantemente masculinos. Basta olharmos, como exemplo, o Congresso Nacional e os principais órgãos institucionais. A opinião masculina costuma receber maior atenção, seja nas grandes instâncias ou mesmo no nosso cotidiano, como se as mulheres, no geral, cumprissem papel de meras ouvintes.

Importante ressaltar que o movimento feminista não abarca pautas específicas às mulheres, pois faz parte de uma crítica global ao modelo, tendo a compreensão de que a sociedade se divide por gênero, sexualidade, raça e etnia e estas são intensificadas pela divisão de classes. Ele não visa ser sectarista ou combater os homens, pelo contrário, trata-se de um movimento que luta pela igualdade de gênero e que surge em consonância com as mobilizações de esquerda do começo do século passado e tem papel fundamental na construção da Revolução Russa, por exemplo.

Algumas das bandeiras que levantamos:

Universidade

A universidade, como espaço do saber, da emancipação e do questionamento da sociedade, deveria abordar com profundidade a questão do gênero e por em prática políticas fundamentais de assistência estudantil, tais como parto e acompanhamento no hospital da universidade para mãe e filho; licença maternidade (extensão dos horários e prazos para entrega de trabalhos); refeição para filhos no bandejão; creches nas universidades. Para além da luta por assistência estudantil nas universidades é preciso combater também a lógica machista que funcionam as atléticas, perpetuando a noção de mulher-propriedade que vemos na grande mídia.

Violência contra a mulher

É sabido que são as mulheres as mais atingidas quando há ocupações militares. Somos as principais vítimas de assaltos, estupros, do turismo sexual e de outras abordagens violentas; como nas guerras, quando ficamos sem casas, sem nossos filhos e, muitas vezes, estupradas e mutiladas por resistirmos à dominação bélica. O caso clássico deste tipo de violência contra a mulher é o do Haiti que há 5 anos está ocupado pelas tropas da Minustah, lideradas pelo Brasil, da Onu.

Porém, não é apenas em momentos de ocupação militar que somos alvo de violência cotidiana. Na universidade, não são raros casos de estupro e, mesmo tendo conquistado tardiamente a promulgação da Lei Maria da Penha, o começo deste ano mostra o quanto sua implementação tem sido ineficaz. Exemplo disso é caso de Eloá, que denunciou 8 vezes a violência que sofria pelas mãos do marido e, mesmo assim, foi morta sem que a polícia fizesse absolutamente nada.

Aborto

De acordo com o relatório divulgado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), a cada ano são realizados 46 milhões de abortos no mundo, dos quais 19 milhões são feitos de forma insegura e 70 mil resultam em morte materna. No Brasil, 1 milhão de gestações são interrompidas de forma insegura por ano. Assim sendo, o tema do aborto é uma questão de saúde pública, e torna-se, portanto, fundamental e de responsabilidade do Estado que garanta o acesso a hospitais públicos e acompanhamento psicológico. Nos últimos anos, porém, esta foi a pauta feminista mais atacada pelo governo federal e setores conservadores da sociedade, vide Acordo Brasil-Vaticano, recuo no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, CPI do Aborto e agora o julgamento de pelo menos 4 mulheres da clínica de planejamento familiar do MS.

O Estado precisa assegurar o direito à vida das mulheres, preservando sua autonomia não só em decidir se terão ou não um filho, mas se continuarão ou não com um relacionamento sem que sejam abusadas.

Por isso, nós mulheres do campo Barricadas Abrem Caminhos! propomos espaços de auto-organização das mulheres no ME, para formulação e, mais que isso, ações contra a opressão que vivenciamos tanto na universidade quanto fora dela.

Fonte: http://barricadasabremcaminhos.wordpress.com

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