Às ruas, pela saúde das mulheres

A Alzira Reis Ferreira foi inaugurada em maio de 2004, após mais de quinze anos de lutas da população e das mulheres de Niterói, apesar de deficiências – como falta de laboratório, de banco de sangue de UTI para gestantes e recém-natos, entre outras -, a maternidade, graças ao treinamento e campanhas de sensibilização dos funcionários, oferece serviços que não existiam nos hospitais conveniados do SUS como. Exemplos disso são a presença pediatra na sala de parto, testes rápidos para diagnóstico de sífilis e AIDS, vacinação dos bebês contra a hepatite B, encaminhamento a serviços especializados em caso de mal-formações congênitas e incentivo ao aleitamento materno. Ainda que a maternidade não tenha preenchido os critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, ela é referência para milhares de mulheres da cidade de Niterói. Possui um cartório recém-inaugurado nas próprias dependências do hospital, o que garante que os casais deixem a maternidade já de posse da certidão de nascimento do bebê, tornando possível um a atendimento humanizado e acolhedor, ministrado às gestantes e aos familiares.
No entanto, o Secretário de Saúde de Niterói aprovou, sem orçamento para tal, no Conselho Municipal de Saúde, a transferência da Maternidade Alzira Reis para o 3º andar do Hospital Carlos Tortelly (CPN), unidade que já padece de uma série de problemas estruturais graves, e que não conta sequer com espaço físico suficiente para abrigar os leitos das gestantes e dos bebês.
Na avaliação das entidades de trabalhadores de saúde do município, a medida significa um grave retrocesso na luta por um Hospital da Mulher, que é uma das principais reivindicações das mulheres niteroienses desde 1989, deixando de ser possível a construção de uma concepção integral de saúde da mulher, que pense na saúde da mulher não de forma fragmentada ou compartimentada em períodos da sua vida, mas que pense a assistência à saúde integralmente, dando conta da sua saúde mental, ocupacional e sexual desde o despertar da sua sexualidade, menstruação, mudanças corporais, procriação (gravidez, parto, pós-parto e aleitamento), anticoncepção e aborto, maturidade, menopausa e velhice.
A proposta do governo Jorge Roberto Silveira não só vai de encontro aos anseios da população de Niterói mas também contra as recomendações do próprio Ministério da Saúde. A partir da década de 1980, a maioria das maternidades do SUS foi instalada em prédios exclusivos para o funcionamento destes serviços, já que, embora toda gravidez e todo parto envolvam um risco, estes eventos não são considerados doenças. Além disso, é inadmissível que as gestantes e os recém-natos venham a disputar leitos com acidentados, infartados ou portadores de doenças infecto-contagiosas (para os quais já não há leitos suficientes, de acordo com o Ministério Público Estadual).
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a cada duas horas uma mulher brasileira morre devido a complicações da gravidez, parto ou pós-parto e 90% das mortes de gestantes e puérperas poderiam ser evitadas com atenção de qualidade pré-natal, ao parto e pós-parto extensiva a todas as grávidas. Vale lembrar que hoje a primeira causa de morte por doença das mulheres em Niterói é devido ao câncer de mama e que falta não só uma maternidade de qualidade mas também ginecologistas, profissionais de saúde, planejamento familiar, etc. A necessidade de um Hospital da Mulher é, portanto, latente.
Convocamos mulheres, homens, movimentos sociais, profissionais da saúde a estarem presentes na manifestação dia 10 de marco, às 8h no Hospital Universitário Antonio Pedro, para juntos irmos ao Hospital Carlos Tortelly, denunciar o descaso da Prefeitura de Niterói para com a saúde em geral e às mulheres em particular. Nessa semana em que comemoramos Dia Internacional da Mulher, VAMOS AS RUAS!

Fonte: http://www.marcelofreixo.com.br/

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