Não é ser melhor ou pior mãe, mas ter informação bastante para escolher

Lendo o último post do Viva Mulher e Petit Journal de La Porte Doreé sobre a polêmica que a a feminista Elisabeth Badinter comprou na França sobre a chamada maternidade naturalista, apesar de concordar em alguns pontos acho que ela se equivoca em diversos pontos, principalmente no que desrespeito ao papel do pai nesta forma de maternidade.

Primeiro é importante lembrar que a escolha de maternidade não necessariamente esteja ligada a cama compartilhada, amamamentação prolongada, parto domiciliar entre outras diversas coisas que estão no kit mãe naturalista. O marco primário deste tipo de maternidade é o de obter as informações para poder fazer as melhores escolhas para o seu bebê, sinceramente não sei como é a realidade francesa, mas no Brasil a maioria dos Obstetras entraram para a ditadura da cesárea e por comodidade e dinheiro acabam nem deixando a mãe entrar em trabalho de parto, metade das desculpas que eles usam só poderiam ser realmente comprovadas com a entrada da mulher em TP (desproporção céfalo-pélvica, mecônio no líquído amniótico etcetcetc).

A mesma coisa os pediatras, entrou-se numa lógica de que o leite materno não segura, é fraco e novamente uma falta de disposição de acompanhar a mãe no puerpério com problemas na amamentação (que em 90% é por causa da pega errada e fácil de corrigir com alguns exercícios que o pediatra pode ensinar e a mãe pode fazer sozinha) e garantir que ela consiga realmente pelo menos amamentar 6 meses. As fórmulas são vendidas como pão nos supermercados quando deveriam ser vendidas apenas com prescrição médica, é o samba do cachorro louco e não se basear nisso ao tecer alguma crítica a forma de maternidade que as mães escolhem é um erro primário.

O pai não é alijado da relação com o filho ou filha, na verdade é estimulado a se aproximar, até por que cada vez mais é notório que as mulheres não conseguem dar conta da tarefa da maternidade sozinhas e muitas vezes nem o casal da conta de verdade, pois o primeiro ano é um ano de muitas descobertas e mudanças diversas, mas voltando… O pai é estimulado a dar banho no bebê, seja de balde, banheira ou até mesmo chuveiro para ajudar no vínculo entre os dois, ajudar nas madrugadas em que a criança acorda e mais tarde quando for decidido que está na hora do desmame noturno. Há diversas formas de interação do pai com o bebê que não passam necessariamente pela utilização da mamadeira e aí está um problema crasso da analise de Badinter, a mamadeira ajudou a mãe a ser absorvida pelo mercado de trabalho e isso, a mamadeira também deveria ser um utensílio vendido sob prescrição médica junto com as fórmulas de leite artificial, pois há diversas pesquisas que mostram o quanto a utilização da mamadeira por um longo período ajuda na má-formação dos ossos na face que estão ligados diretamente a coluna e equilíbrio. Para mim, leite artificial e mamadeira são utensílios de última opção e precisam ser usados com parcimônia e acompanhamento médico.

Agora a questão da amamamentação prolongada, vou citar a não progressista OMS, a OMS indica que a amamamentação exclusiva deve ser de pelo menos seis meses e prolongada até pelo menos 2 anos e meio, há estudos que um bebê deveria ser desmamado após atingir uma determinada multiplicação do seu peso em relação ao nascimento e isso seria aos 2 ou 3 anos, mas isso não significa que a mulher precise estar ali 24 horas por dia com seu filho e não fazer mais nada da vida se dedicar a vida doméstica e pronto, a legislação brasileira, por exemplo assegura a licensa amamamentação para as mulheres (que na minha opinião é muito pouco) de dois intervalos de 30 minutos para amamentar a criança ou ordenhar, ou então a possibilidade de sair do trabalho uma hora mais cedo. Porém após os 6 meses a amamentação tem muito mais uma relação de vínculo entre mãe e bebê do que uma relação nutritiva como nos 6 primeiros meses e aí é preciso que ela continue enquanto estiver bom tanto para mãe quanto para o bebê, é uma relação de troca e isso precisa ficar claro, amamamentação prolongada não deve ser um fardo a ser carregado, mas sim uma relação a ser mantida com o bebê até a mãe achar que não está sendo mais válido.

Óbvio que do ponto de vista político esta forma de maternidade é bem pesada quando você estuda, trabalha e cuida sozinha da criança, e aí é que precisamos retomar algumas pautas feministas importantíssimas como a socialização do trabalho doméstico, a luta pelos direitos de aumento de licença maternidade e amamentação, aumento da licença paternidade e outras tantas, pois maternar não é uma tarefa apenas da mulher, mas também do homem. Eles possuem papéis diferentes e é dever do Estado assegurar tanto a informação chegar para que as pessoas saibam o que implica substituir uma lata de leite pelo leite materno, vacinar ou não, prolongar amamamentação ou não, usar qual método para fazer o bebê dormir ou não. Mas para que todas possam realmente ter este poder de escolha a primeira coisa que deve ser feita é a luta pelo aumento dos direitos das mulheres e não um ataque frontal, equivocado a uma forma de maternidade… Um ataque que em últimas instâncias benefícia as empresas alimentícias e de fabricação de mamadeiras e afins.

5 respostas para Não é ser melhor ou pior mãe, mas ter informação bastante para escolher

  1. […] Óbvio que do ponto de vista político esta forma de maternidade é bem pesada quando você estuda, trabalha e cuida sozinha da criança, e aí é que precisamos retomar algumas pautas feministas importantíssimas como a socialização do trabalho doméstico, a luta pelos direitos de aumento de licença maternidade e amamentação, aumento da licença paternidade e outras tantas, pois maternar não é uma tarefa apenas da mulher, mas também do homem. Eles possuem papéis diferentes e é dever do Estado assegurar tanto a informação chegar para que as pessoas saibam o que implica substituir uma lata de leite pelo leite materno, vacinar ou não, prolongar amamamentação ou não, usar qual método para fazer o bebê dormir ou não. Mas para que todas possam realmente ter este poder de escolha a primeira coisa que deve ser feita é a luta pelo aumento dos direitos das mulheres e não um ataque frontal, equivocado a uma forma de maternidade… Um ataque que em últimas instâncias benefícia as empresas alimentícias e de fabricação de mamadeiras e afins. (FRANCA, Luka. Não é ser melhor ou pior mãe, mas ter informação bastante para escolher) […]

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