100 anos de Dia Internacional de Luta da Mulher e o avanço do conservadorismo no Brasil

” 23 de fevereiro ( 8 de março) , era o dia internacional das mulheres estava programado atos, encontros etc. Mas não imaginávamos que este “dia das mulheres” viria a inaugurar a revolução. Estava planejado ações revolucionárias mas sem data prevista. Mas pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixam o trabalho de várias fábricas e enviam delegadas para solicitarem sustentação da greve… o que se transforma em greve de massas…. todas descem às ruas.”
Leon Trotsky em a História da Revolução Russa.

Em 2010 fazem 100 anos de Dia Internacional de Luta da Mulher, esse de Luta é importante frisar, visto que a grande mídia tratou de descaracterizar tão importante marco da organização das mulheres trabalhadoras mudo a fora e o transformou em mais um dia para se presentear “aquela mulher importante para você”, mas não é para resgatar a origem do 8 de março que este texto se pretende, para isso diversas entidades do movimento feminista já se debruçaram e se debruçam para cada ano clarificar da melhor forma a origem das comemorações (será?) do Dia Internacional de Luta da Mulher.

Porém fica a pergunta de o que temos a comemorar nestes 100 anos? Em 2009 vivenciamos o maior avanço do conservadorismo no país, só no segundo semestre do ano passado foi aprovado pela câmara o Acordo Brasil-Vaticano, Lei Geral das Religiões e instaurou-se a polêmica sobre a criminalização da homofobia de forma clara junto a sociedade. Já neste comecinho de ano tivemos o recuo por parte do Governo Lula em todos os pontos do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, cedendo a pressão de tudo que há mais a direita neste país: ruralistas, militares e igrejas em geral. Não foi um ataque apenas ao movimento feminista, mas a todos que militam por direitos humanos no Brasil e aponta novamente de que lado o Governo Lula caminha firme e forte.

Para além das perdas no âmbito institucional da política só neste começo de ano no mínimo 5 mulheres foram mortas após denunciarem seus maridos de violência domiciliar, 3 delas durante a edição do Fórum Social Mundial de Salvador.

A pauta feminista não está em segundo plano para os setores mais conservadores da sociedade, na verdade, é a porta de entrada para ataques e mais ataques, foi sob a falsa defesa da vida que instauraram uma CPI para criminalizar mulheres que abortaram, sem se quer pensar em como tal decisão não foi das mais fáceis e sem pesar que justo este setor da sociedade que tanto criminaliza a luta das mulheres tem assegurado por meio do capital o acesso ao que é proibido. Pois não é a mulher moradora do Morumbi, Ipanema, Aldeota ou Nazaré que morre ou é criminalizada ao praticar o aborto ilegal, ela tem posses suficientes para pagar 3, 4 ou 5 mil reais para realizar um aborto seguro, em local asséptico e sem se colocar em risco de vida ou ser apontada no meio da rua, é a mulher do Guamá, Cidade Tiradentes ou Complexo da Maré que morre na mão dos açougueiros, que tem atendimento no SUS negado quando sofre de hemorragia em consequência de aborto mal realizado.

Quem sofre com essa ofensiva conservadora país a fora não é a burguesia, mas as pessoas que moram na periferia, são as mulheres que moram na periferia que morrem espancadas por seus maridos e não tem um Estado para intervir e proteger suas vidas, que apanham por assumirem uma relação homo-afetiva, são elas que morrem todos os meses por serem julgadas previamente pelos médicos e enfermeiras que deveriam salvar-lhes a vida ao invés de condená-las a uma morte dolorosa e cruel.

Entramos os 100 anos de Dia Internacional de Luta da Mulher em um país refém da Igreja Católica, ruralistas e militares e é tarefa de todas as feministas combaterem este avanço conservador na disputa de consciência da sociedade, sem mediações sobre o papel cumprido pelo Governo Lula e sua base de sustentação neste último período.

6 respostas para 100 anos de Dia Internacional de Luta da Mulher e o avanço do conservadorismo no Brasil

  1. Sonilda F. da Silva Pereira

    Só a figura nos diz tudo!
    Atua como assessora de formação e g~enero na FETAGRS, desde 1984. Vi/vejo muitos progressos palpáveis das mulheres trabalhadoras rurais. A melhora da auto-estima, o fortalecimento da coragem, a ocupação de cargoi nas diretorias dos STR, federações e confederação. mas também sinto a angustia de muitas companheiras que usam a condição feminina, se aproveitam das cotas e não fazem nada diferente do que está aí. Ser discriminado por homens é a cultura que combatemos. Mas a decepção é ser discriminada por mulheres!
    ‘Não basta ser mulher’ é algo que deve estar presente em nossas reflexões feministas, muito mais do que no passado.
    Não tenho dúvidas de que a luta ainda vai longe por igualdade, tanto no público como no privado.

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