Flubbers, cristal líqüido e bebês

Pessoas da geração nascida nos anos 80 se depararam em algum momento da infância ou pré-adolescência com uma caixinha plástica colorida recheada de mínimos circuitos os quais faziam aparecer numa telinha de cristal líqüido um bichinho com jeito de dinossauro.

Seria muito mais fácil se a barriga de uma grávida tivesse botões parecidos com os do tamagochis e não precisar enfrentar os fedidos gases produzidos pelo intestino esmagado pelo útero, a bexiga servindo de saco de boxe para o feto e as tendências a Flubber que alguns bebês desenvolvem após o 5º mês de gestação.

A assepsia pela qual a geração nascida nos anos 80 passou é posta em cheque pela própria natureza em algumas fases da vida, principalmente para as mulheres. Não há nada mais paradoxal do que se sentir desconfortável ao usar determinadas roupas, perder o pudor ao peidar, ter vontades surreais e ao mesmo tempo ficar toda derretida quando o feto começa a usar o seu útero como uma cama elástica, a tentação de passar os dias falando com a barriga explicando as loucuras do dia-a-dia ou passar horas procurando entender o que está acontecendo dentro daquele invólucro de carne, líqüido amniótico e bebê.

Não é mais uma relação entre seres derivados de DNA e RNA e seres feitos de petróleo, é uma relação sem mediação de telas e códigos binários e no final é necessário confrontar de perto alguns medos que numa outra realidade seriam impensáveis.

Parece que a natureza acaba falando mais alto que a modernidade das telas de cristal líqüido.

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