Os processos se interligam

É bem complicado escrever um comentário sobre o segundo capítulo do livro Pensando contra os fato, primeiro pelo fato de ser muito mais fácil para mim falar sobre as questões abordadas tanto em sala de aula e segundo pelo fato de não ter me saído muito bem nos parcos comentários que fiz para esta disciplina no último ano e meio.

A discussão sucitada pelo livro de Sylvia Moretzohn problematiza o como a prática jornalística vem se desenvolvendo e dá ferramentas para a desconstrução da naturalização dos fatos, sem a presença de uma criticidade na prática jornalística. Cada vez mais o jornalista é colocado em uma posição complicada de aferir a notícia da maneira mais rápida e nem sempre esta é a maneira mais informativa e contextualizada possível.

Não podemos esquecer que o jornalismo entrou de cabeça na etapa neoliberal do capitalismo, as redações substituíram as barulhentas máquinas de escrever por computadores equipados com cronômetros e contadores de caracteres, numa comparação um pouco mais livre ao filme de Charles Chaplin “Tempos Modernos”. Querendo ou não o jornal, seja impresso, TV, rádio e internet realmente assumiram a face de negócio, onde o que vale é o furo, a notícia rápida e até mesmo uma divisão setorizada das informações que não proporciona ao senso-comum fazer a ligação entre as diversas matérias ali divulgadas.

Posso me remeter ao depoimento que Paul Virilio deu a João Moreira Salles no documentário, no qual ele pondera sobre a relação da velocidade e a relação que vamos desenvolvendo com a sociedade, no caso de Virilio ele faz esta análise discutindo a assepsia que desenvolvemos ao mediar a nossa relação com o mundo por meio de uma janela, mas transpondo para a realidade do jornalismo nos deparamos com uma série de profissionais se relacionando com as fontes, matérias e apurações através da mediação de uma tela. O imediatismo e a velocidade inerentes a derrocada neoliberal do capital influenciaram diretamente na relação do jornalista e sua práxis, cada vez o ambiente de uma redação, seja qual mídia for, é mais asséptica, mediada pela tela do computador, pelos grandes servidores da Internet, que como Eugênio Trivinho bem colocou em um debate da Semana de Jornalismo da PUC/SP a questão do cyber-espaço já estar monopolizado e as possibilidades ali colocadas já são consentimentos do capital assim como o que existe na realidade fora do virtual.

Acredito que isso seja outra discussão, não menos importante, mas me remeto a Trivinho por considerar equivocado analisarmos a prática jornalística existente hoje, em sua maioria super dependente do capital e que também segue um claro modelo importado dos EUA (Jornal, TV e Rádio), sem contextualizá-la na realidade social em que vivemos. O imediatismo e a velocidade são características da nossa sociedade. Os filmes, a relação com a distância e a velocidade da informação são altas a ponto de não sucitarem nenhum questionamento da real necessidade deste imediatismo e velocidade.

Assim como há dificuldade para o senso-comum entender a ligação entre as matérias de economia, política e cidades do jeito que elas estão dispostas nos meios de comunicação e na concisão de uma informação que apenas joga dados sem contextualizar e fazer relação de como estes dados e informação super objetivada causam impacto na vida cotidiana.

Pensando por este eixo o que encontramos hoje é reflexo de como a própria sociedade vem se comportando com as inovações tecnológicas e a demanda de mercado imposta pelo neoliberalismo. Se ao analisarmos a sociedade nos deparamos com o impasse de décadas de socialismo o barbárie a práxis jornalística também, mas com algo a mais da formulação binária. Pois as próprias publicações que hoje pautam uma necessidade de mudança de projeto de sociedade seguem a lógica de formato e estética que impera na grade mídia.

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