Uma Universidade não se faz num Cogeae

A sala estava lotada, estudantes não tinham mais nem como entrar no auditório de tanta gente presente no ato contra a repressão realizado pelo comitê formado este ano pela APROPUC (Associação dos Professores da PUC), AFAPUC (Associação dos Funcionários da PUC) e diversos centros acadêmicos. Diferente de como a REItoria tenta passar em seus informes marrons não estavam presentes no ato apenas uma dezena de pessoas, era tanta gente na sala 239 que teve estudante e professor que ficaram no corredor do segundo andar do prédio novo ouvindo os convidados falarem sobre o processo que hoje a PUC/SP passa. Tal demonstração de força serviu para não só colocar mais presente dentro desta instituição a atrocidade com que a gestão Maura Verás vem tratando 9 estudantes em um processo espúrio e feito debaixo dos panos, mas também para dar uma resposta ao processo de Redesenho Institucional que seria votado no dia 26 de março.

A Profa Maura Véras provavelmente acordou achando que teria uma sessão de Consun tranqüila e sem a presença massiva de estudantes, ledo engano. A sala oficial do Conselho Universitário ficou pequena demais para comportar todos os estudantes que foram mostrar para a REItoria e seus cúmplices o quão anti-democráticos eles eram e para traçar uma linha muito delicada de democracia a reitora transferiu a sessão do Consun para o Tucão e assim depois falar de como eles fizeram de tudo para os estudantes acompanharem a votação. Não adiantou, não tinha como adiantar, pois era sabido o quanto os estudantes tinham protocolado diversos pedidos de audiência pública para esclarecimento sobre o processo de Redesenho e eles negaram, só concederam a tal audiência quando o processo já estava todo fechado e não podía-se mais dar pitacos ou apresentar outras concepções de universidade. Essa é a democracia da gestão Maura Véras, mas o estudantes já sabiam disso e a sessão do Consun foi encerrada sem votar o famigerado Redesenho.

Para coroar toda a patifaria a REItoria decidiu à portas fechadas que haveria uma sessão do Consun às 15h no Cogeae da Cardoso, finalmente mostrando a cara do quanto eles não acreditam na história desta universidade e nos valores que tanto o movimento estudantil bradou por aqui, a gestão Maura Véras rasgou a Constituição Federal, pois decidir fazer um Consun à portas fechadas em uma reunião fechada é inconstitucional.

 Sim, uma parte do movimento estudantil conseguiu se mobilizar e ir para a porta do Cogeae, fazer barulho e falar que eles estavam afundando esta universidade, mas dessa vez não tiveram sucesso, a REItoria  conseguiu aprovar os consensos existentes entre as 3 propostas de Redesenho e às 18h daquele dia os componentes da REItoria saíram da sessão Cogeae com um cínico sorrisinho no rosto como se falassem: Demos mais um passo para destruir de vez a história que tanto a PUC/SP construiu durante estes anos.

Agora para piorar a brincadeira de mau gosto, a REItoria invade nossas caixas de e-mail com mais um informe marrom dizendo que o Redesenho está aprovado, quando não é verdade, pois eles continuarão a votação do Redesenho num Consun extra-ordinário no dia 31 de março. Dizendo que o Consun foi aberto, pois foi exibido pela internet… Exibido pela internet, por um provedor que só fazia a conexão das pessoas caírem, pois não comportou o número de acessos. Mente descaradamente ao dizer que o processo de Redesenho nada tem haver com os processos de reestruração universitária que vem serndo implantados nas universidades federais, estaduais e até mesmo na Fundação Santo André.

Como bem disse Plínio de Arruda Sampaio durante o ato contra a repressão: O Redesenho está ligado a um movimento global chamado neoliberalismo. Agora a só falta a REItoria dizer que um dos maiores nomes da política nacional está mentindo…

Quem mente é quem precisa utilizar de artifícios anti-democráticos para aprovar seus projetos de desmonte da nossa universidade, quem reprime estudantes através de sindicâncias e não faz estes processos caminharem da forma que o Estatuto e o Regimento da PUC/SP exige. Quem age de má-fé são os que deixam passar casos absurdos como os dos pesquisadores que falsificaram o Currículo Lattes há dois anos, quem age de má-fé são os que chutam para o alto toda a história da PUC/SP e a importância desta junto à sociedade e quem faz isso hoje são os ocupantes do prédio da REItoria e não os estudantes-sambistas.

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