8 de março: Dia de Luta!

Mais do que uma data festiva para a promoção de shows, distribuição de flores e bombons, o 8 de março traz em si uma origem de reivindicações, lutas, greves, passeatas e perseguições. Simboliza, antes de tudo, a luta pela igualdade entre homens e mulheres.  Como todas as reivindicações específicas, o combate à desigualdade entre os gêneros é parte de uma luta maior, uma luta pelo fim da sociedade desigual e de classes. A cultura da homofobia, do racismo, do machismo, assim como várias outras são reproduzidas pelo sistema capitalista através de seus vários instrumentos: os meios de comunicação, o estado, a escola, a famílias e outras esferas do cotidiano que reproduzem a cultura de privação da mulher de atividades na esfera pública, a partir do falso mito da inferioridade biológica e da fragilidade.

A abordagem da mulher pela mídia é um tópico que merece atenção especial. Percebemos que os meios de comunicação de massa vêm aniquilando simbolicamente as mulheres. A mídia atua como ferramenta do capitalismo e perpetua o pensamento dominante. É constante, por exemplo, o uso do corpo da mulher como objeto para a venda dos mais diversos produtos, do desodorante às cervejas, das brigas de audiência entre dançarinas do Faustão e as meninas da banheira do Gugu. Dessa forma, a mulher é tratada como apenas mais uma mercadoria, submissa, que está lá para ajudar a vender ou ser vendida. 

É direito das mulheres terem autonomia sobre seus corpos e decidirem sobre sua vida, já que são elas quem têm noção clara de seu próprio bem-estar. Portanto, é dever do Estado laico ter uma política pública clara que proporcione acompanhamento da mulher-gestante e garanta a ela o direito de decidir sobre sua saúde e gravidez, com acompanhamento psicológico e estrutural, caso ela opte pelo interrupção da gestação. Tratar a questão como de saúde pública é evitar a morte de milhares de mulheres em virtude de métodos caseiros e clandestinos de abortamento; é salvar vidas e não o contrário. É dever do estado laico garantir o direito de escolha da mulher e não ceder às pressões dos discursos moralistas, religiosos e conservadores das estruturas opressoras presentes na sociedade atual. É dever do estado laico garantir a legalização do aborto!  

Entendemos que as diversas esferas de nosso dia a dia exercem um papel relevante na manutenção da ordem vigente, satisfatória à minoria dominante. É no cenário atual de perpetuação da exploração dos (as) opressores (as) contra os (as) oprimidos (as) que a luta feminista nasce no sentido de buscar a transformação da sociedade. É necessário, portanto, que nós, lutadoras e lutadores sociais, nos unamos para combater os ataques neoliberais às mulheres e aos trabalhadores em geral, como as Reforma Trabalhista e da Previdência do Governo Lula, que retiram direitos da classe trabalhadora, e afetam principalmente as mulheres, que compõem a mão-de-obra mais precarizada e super-explorada, recebendo os menores salários e sofrendo uma das maiores explorações da força de trabalho, através da tripla jornada de trabalho. É nosso dever nos posicionarmos contra os levantes conservadores, como o projeto de lei “Bolsa Estupro”, que tramita no Congresso e propõe que a mulher grávida por estupro que não interromper a gestação receba um salário mínino mensal durante 18 anos, reduzindo tanto o debate do aborto – como um mero problema financeiro, e não uma escolha da mulher – como o do estupro, fazendo pouco caso de uma das mais perversas experiências de violência de gênero. 

O Movimento Estudantil muitas vezes reproduz as diversas formas de opressão contra a mulher. Por isso mesmo não pode se furtar desse debate e da lutar contra essa e qualquer outra forma de opressão. São avanços nessa luta os posicionamentos da ENECOS em 2006 como o Grupo de Estudo e Trabalho que discute a questão das opressões específicas; a organização dos setoriais e dos seus espaços de auto organização, a realização de debates mistos sobre a questão de gênero, a garantia de creches nos fóruns da entidade. 

Por isso, hoje as mulheres do Movimento Estudantil de Comunicação vão às ruas em todo Brasil, apropriando-se do seu papel histórico, ajudando a construir novos horizontes para as mulheres e os(as) trabalhadores(as).  

Get de Combate às Opressões da ENECOS

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