Ocupamos a PUC-SP

Ocupamos a Reitoria da PUC há dois dias. Sim, os estudantes entraram no sacro-santo lar da burocracia acadêmica e lá vão ficar até as reivindicações forem atendidas pelo famoso “Império do Laquê”. Não, eles não são desocupados, drogados ou qualquer outra coisa que venham a falar por aí… O único problema é o fato deles continuarem a escrever a história da PUC, uma história de democracia interna, autonomia universitária e qualidade de ensino. Uma história construída por estudantes, professores e funcionários, não por aqueles que viviam encastelados em suas cadeiras de conselheiros do Consun.

A PUC é uma universidade privada, mas diferente de todas as outras universidades privadas ela possui um caráter comunitário e uma história de liberdade e isso coloca esta ocupação de Reitoria junto com as lutas feitas pelos estudantes das universidades públicas deste país, pois todos nós lutamos por qualidade de ensino, autonomia universitária e democracia interna. Negar este caráter comunitário da PUC é negar a história da PUC.

A Reitoria aqui aí está foi a Reitoria dos 60 anos da PUC e 30 anos de Invasão do Choque na PUC e fizeram questão de lembrar desses momentos históricos na ocasião, mas hoje eles deixam toda a história construída pela comunidade puquiana de lado e tentam aprovar sem discussão alguma, sem possibilidade de mostrar o quanto a nossa universidade é possuí um cenário político diverso e não há como conciliar essas divergências.

Os estudantes que hoje ocupam a Reitoria da PUC o fazem para colocar o dedo na cara da Reitoria e falar o quão reacionários eles são, apontam para a fogueira que Maura Véras e sua Tropa de Elite fazem com toda a nossa história, desmascaram o falso posicionamento de diálogo apresentado pelo “Império do Laquê”.

Ontem os estudantes fizeram sua assembléia geral, continuamos ocupados, continuamos usando o espaço antes utilizado para cortar as cabeças das vozes dissonantes para discutir os rumos da nossa história, pois hoje, além de lutarmos contra esse Redesenho Institucional anti-democrático e facínora, nós lutamos para manter a PUC dentro dos trilhos construídos ao longo desses 61 anos de existência e para não ter a nossa história transformada em saudosismo.

Ocupamos a Reitoria da PUC e agora se assiste filmes sobre mobilizações diversas, se ouve música latina-americana e mais se constroem uma resistência aos ataques que temos sofrido há pelo menos dois anos. Ocupamos a Reitoria, pegamos o bonde da história e vamos deixá-lo nos trilhos construídos pela comunidade puquiana há 61 anos. Olhamos na face dos nossos algozes e dissemos: “Esse Redesenho não!”

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