Nota da tese Barricadas fecham ruas, porém abrem caminhos

Nós, da tese Barricadas fecham ruas, porém abrem caminhos, escrevemos este documento para colocar nosso posicionamento sobre as questões que envolvem a FOE. Para isso, em primeiro lugar, é necessário avaliar a FOE inserida num processo e não apenas em um congresso ou em uma cadeira na executiva da UNE.
No último período, após o 50º Conune, tivemos que engolir diversos ataques à nossa tese, baseados em mentiras. Vários estigmas foram colocados sobre nosso posicionamento e sobre nossos militantes.
Deixamos claro, portanto, logo de início, que a tese Barricadas fecham ruas, porém abrem caminhos, rejeita veementemente a acusação de quebra de acordo feita pelas teses Sonhos não envelhecem e pelo campo Romper o Dia. Nenhum militante que compõe essa tese, em nenhum momento, aceitou acordo com o teor de não haver “emblocamento” na aferição interna da chapa Um passo à frente.
Sobre esta questão, acreditamos que é necessário ir além da guerra de versões colocada hoje no interior da FOE. Precisamos debater politicamente os acontecimentos, os motivos que levaram a eles e as suas conseqüências.
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A FOE, antes, durante e depois do Conune
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Espaços para avaliarmos a atuação da FOE no movimento estudantil devem ser mais freqüentes. Só desta maneira, conseguiremos avançar na construção de acordos políticos entre os diversos campos componentes desta frente. Apenas com mais debate, de forma respeitosa, podemos desconstruir mitos e inverdades carimbados sobre todos os campos da FOE.
No primeiro semestre, pudemos acompanhar uma intensa mobilização em forma de ocupações e greves por todo o país. Com características diferentes, as ocupações da pioneira Unicamp, e a muito significativa da USP elevaram o voz do ME combativo e desmoralizaram o movimento burocrático e governista. A greve da UFS, em curso até hoje, é outro grande exemplo de resistência e de luta. E, onde existe luta, a FOE deve estar presente.
Diversos campos da FOE ajudaram a construir todas essas movimentações. No entanto, a FOE ainda tem dificuldade de se apresentar enquanto instrumento de organização do ME, para além dos espaços da UNE. Um dos elementos que explicam essa dificuldade é a própria natureza da FOE. O grande desafio colocado é: como avançar na organicidade da FOE, sem desrespeitar o posicionamento dos diversos campos e seu caráter de frente.
A tese Barricadas fecham ruam, porém abrem caminhos elaborou durante suas plenárias do Conune, algumas propostas que poderiam incentivar esse avanço da FOE – ou pelo menos o debate. Entre eles, colocávamos a construção da Frente Nacional Contra a Reforma Universitária; participação e organização no encontro de estudantes no segundo semestre; formulação de materiais de propaganda da FOE como camisetas, adesivos, bandeiras; construção de um site da frente; organização de mais espaços de debate da FOE nas universidades e nos encontros da UNE; apresentação mínima das contas de algum cargo que seja ocupado pela FOE; entre outros pontos, como a participação efetiva na Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública.
Para que isso seja possível, no entanto, é preciso disposição da parte de todos. Não propomos a dissolução dos campos na FOE, mas alertamos que a falta de unidade nas lutas nossas em detrimento da auto-construção de cada campo está sendo ruim para o movimento estudantil. O espaço que a FOE deixa de ocupar, vendo sendo aproveitado por outras forças.
Julgamos preocupante a falta de organicidade da atuação da FOE no movimento estudantil e nos movimentos sociais em geral. Para nós, é uma limitação de suas potencialidades restringirmos a FOE enquanto uma frente de campos para atuação nos espaços proporcionados pela UNE. Ressaltamos que faltou vontade política de certas correntes em se debruçar sobre os importantes processos que vivenciamos neste último período, como na construção Frente de Luta Contra a Reforma Universitária e nas ocupações de Reitoria, aonde conseguimos isoladamente pouco protagonismo na direção dos processos e uma incapacidade crônica de compreender o movimento e atuar em conjunto, fazendo com que, como na Ocupação da USP, as correntes da FOE freassem o movimento que se agigantava.
Nós, da tese Barricadas, sempre visamos o impulsionamento da FOE como algo maior do que a nossa auto-construção, sendo isto limítrofe para a aproximação de novos estudantes deste processo. Era patente o distanciamento, dos diretores da UNE do último período, da construção da Frente.
Se não vislumbramos a luta no interior da UNE, temos que nos organizar por fora. Compreendemos a necessidade de participar ativamente do Encontro de Estudantes, programado para o segundo semestre, como forma de dar vazão às lutas e propor alternativa ao esgotamento de velhas e novas entidades.
No 50º Conune, a FOE cumpriu um importante fundamental. Podemos resumir fazendo uma única reflexão: o que seria daquele espaço sem a FOE? Pautamos a Reforma Universitária, fizemos o debate político em grupos de discussão, fizemos duas plenárias, organizamos uma bancada agitada. Mas, de uma maneira geral, ainda não correspondeu com as expectativas do movimento.Avaliamos que as plenárias agitativas têm a sua função, mas não podemos nos resumir a elas. Não conseguimos fazer nenhum espaço amplo de organização da intervenção da FOE no Conune. Poderíamos, por exemplo, ter nos dividido para estar presente em todos os grupos de discussão, ter montado uma barraquinha com materiais da FOE e plenárias melhor divulgadas. Tudo isso parece detalhe, mas pode alterar significativamente a nossa intervenção.
Dentro do balanço da atuação da FOE no Conune, não podemos esquecer a oportunidade perdida em não termos tirado uma linha conjunta para o ato. Todos os anos, a esquerda da UNE realiza um ato separado da direção majoritária, justamente para dar conseqüência a polarização que queremos fazer à sua base. Uma mediação não foi possível – na nossa avaliação, porque alguns campos não conseguem ceder nenhum pouco pela construção da FOE -, e cada campo tomou a sua decisão.
Nem nas intervenções na plenária final do congresso conseguimos acordo. As teses preferiram falar 50 segundos – naquela cena que simboliza bem a fragmentação da esquerda -, ao invés de fazer uma divisão onde a chapa da FOE pudesse fazer falas melhor argumentadas.
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Sobre o emblocamento
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Em nenhum momento nos foi apresentado qualquer argumento que embasasse a reivindicação de não haver emblocamento interno na chapa. Gostaríamos de lembrar que para o próprio cargo executivo – que teve de 2005 até hoje – o campo Contraponto foi eleito com os votos dos delegados do campo Domínio Público e do campo Manifeste-se. Não houve, da parte destes campos, nenhuma adesão ao Contraponto, mas apenas uma avaliação de maior proximidade política. Essas ações nunca foram questionadas no movimento estudantil, e nos perguntamos agora o porquê de estarem sendo agora.
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Sobre a(s) quebra(s) de acordo(s)
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A princípio, houve uma acusação do Contraponto de quebra de um acordo dirigida aos companheiros da tese Nós não vamos pagar nada. Este suposto acordo (há divergência entre as duas teses sobre a existência deste acordo) estabeleceria o não emblocamento interno na FOE na eleição de diretoria. Antônio David, ex-diretor da UNE pelo campo Contraponto, declarou em debates do Orkut que o acordo foi bilateral, feito entre os dois campos. Curiosamente esta acusação foi transferida para a nossa tese e para o campo Domínio Público, sob a alegação de que o suposto acordo era público e que deveríamos respeitá-lo (!). Rejeitamos sermos centralizados por esse acordo, que não nos diz respeito, não foi feito no interior da FOE e que nunca tivemos acordo com seu teor.
Com o tempo, as acusações mudaram o foco e surgiu a versão de que o acordo de não emblocamento teria sido concretizado durante o Conune. Não negamos que várias tentativas foram feitas neste sentido. Apresentamos a disposição, inclusive, de não haver emblocamento entre a nossa tese e a tese Nós não vamos pagar nada, cedendo a esta disputa política acerca do perfil que a executiva da FOE teria. Contudo, era condicionante político nosso atuar organicamente em conjunto com o campo Domínio Público, com o qual mantemos concordâncias programáticas profundas. Esta condicionante não foi aceita pelo campo Romper o Dia na constituição deste acordo comum e ele acabou não sendo possível. Gostaríamos de perguntar aos companheiros do campo Romper o Dia se eles negam que houve da parte deles tal veto de emblocamento interno (entre nós e o campo Domínio Público). Porque se eles não negam, gostaríamos de mais uma vez perguntar qual é o elemento da realidade que os permite dizer que de fato houve acordo acerca de emblocamento no interior da FOE! Que tipo de acordo é esse que a condicionante essencial para que o acordo exista por parte de um dos acordantes não é respeitado? E se houver discordância sobre a existência do acordo faz-se uma aferição entre os acordantes e quem tiver maioria leva a versão da verdade?
Companheiros, como dissemos anteriormente, a nossa intenção é debater política. E politicamente, como é possível estabelecermos qualquer marco de unidade de ação no interior desta frente que construímos se não respeitamos a autonomia dos coletivos que a compõe? Foi uma deliberação política da nossa tese a indicação de votos na tese Nós Não Vamos Pagar Nada, mas era nosso condicionante político a atuação em conjunto, de forma orgânica, com a tese Domínio Público. Poderíamos até ceder na primeira questão, mas pedir para ceder na segunda, companheiros, é uma afronta à nossa organização enquanto coletivo e nenhum acordo poderia ser construído nestes marcos.
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Sobre a disputa de cargos na UNE
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Obviamente, nossa tese possui o entendimento da necessária ocupação dos espaços da UNE e de disputa dos estudantes presentes nestes espaços. Neste sentido, a FOE é um instrumento essencial de organização dos setores em luta no interior da UNE, dos setores que ainda não cederam à chantagem neoliberal feita pelo governo Lula. Se compararmos ao que foi anteriormente a esquerda da UNE, a FOE é muito pequena, mas ainda assim é essencial para compor uma plataforma conjunta de lutas.
Neste sentido, entendemos que a atuação dos membros da executiva da UNE, eleitos pela FOE, tem que responder como um todo às expectativas dos campos que compõe a FOE. Deliberamos indicar os nossos votos nos companheiros da tese Nós Não Vamos Pagar Nada por concordância acerca das prioridades que a FOE deve ter atualmente, prioridades que seriam materializadas inclusive na ação do membro da executiva. São elementos centrais desta concordância:
1) a construção de espaços e plenárias para deliberar a atuação dos nossos diretores da UNE – pois são figuras públicas do conjunto dos campos que compõe a FOE;
2) dar prioridade à construção da Frente de Luta contra a Reforma Universitária, que deve ser tocada pela nossa representação na UNE como atividade central (lembrando que a luta contra a Reforma Universitária é um dos marcos fundantes da FOE).
É importante salientar que, para nós, não basta proclamar esta prioridade em documentos, mas sim construí-la na prática. Para que tomássemos esta decisão, um balanço profundo foi feito sobre a atuação dos outros campos da FOE no último período. Portanto, é absolutamente infundada a caracterização da nossa postura enquanto “carguista” ou “eleitoreira”. Trata-se de uma decisão política.
Na verdade, é com muito pesar que detectamos na atitude dos companheiros que assim nos atacam uma raiz profundamente stalinista e autoritária. Trata-se de um desvio do foco da discussão política e de um tratamento da divergência enquanto oposição a ser aniquilada com caracterizações morais e construção de mentiras que, repetidas à exaustão, tornam-se eventualmente a versão oficial da história.
É inaceitável que tais acusações, tal nível de rivalidade e disputa para muito além do fratricida sejam práticas comuns e recorrentes entre setores que reivindicam parceria, cooperação, companheirismo e a construção de lutas unitárias e conjuntas. Queremos questionar os companheiros dos campos Contraponto e Romper o Dia se acham que é possível estabelecermos qualquer tipo de relações, unidade nas lutas e avanço de construções de luta quando se utilizam, para sua própria militância e publicamente, de mentiras tão descabidas e despropositadas. É preciso refletir se o cargo da executiva da UNE vale a criação tão absurda de fatos sem nenhuma relação com a realidade, destruindo pontes e aprofundando cada vez mais o fosso entre as organizações de esquerda, colaborando, única e exclusivamente, para sua própria autoconstrução e para a pulverização da esquerda.
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Sobre a indicação feita neste final de semana do cargo na executiva
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Reiteramos a necessidade de se haver um mínimo de consenso entre as forças na FOE para a indicação de qualquer cargo a qualquer campo. Repudiamos a atitude do campo Contraponto que, unilateralmente, indicou o nome do companheiro Juliano Medeiros, tendo enquanto respaldo a majoritária da UNE. Entendemos todas as dificuldades na existência de reuniões que inviabilizaram a construção de tal consenso, mas a atitude do campo Contraponto é séria e deve ser debatida e esclarecida em reunião presencial da FOE.
Também achamos que é hora de avançarmos nessa discussão e pensarmos nos próximos passos da FOE. Mas não é razoável, da parte dos campos Romper o Dia e Contraponto, lançarem notas em que somos diretamente caluniados, e querer que fiquemos calados e tenhamos uma postura ‘construtiva’, ou seja, aceitem nossa versão dos fatos e bola pra frente. Achamos que, com tal nível de desinformação e cortina de fumaça sendo produzida, era fundamental um posicionamento público. Não nos furtamos dos debates da FOE para além do Conune. Mas não iremos aceitar tão graves e infundadas acusações calados.”
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Saudações
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Tese Barricadas fecham ruas, porém abrem caminhos
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16 de agosto de 2007

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