Sambas, amores e páginas viradas

Sentava no mesmo bar de sempre para escrever suas memórias, as vezes nem escrevia nada e relia as páginas de algum dos 10 diários que cultivara durante toda a vida. Relia com cuidado, carinho com as lembranças… Não podia perder nenhuma daquelas notas musicais, dos passos da morena sambista ou dos beijos vividos, era injusto esquecer algum detalhe, uma fita azul acinturada nas ancas do grande amor ou do dedilhar ligeiro no cavaquinho e ela rindo e dançando enquanto a música deslisava na pista.

Vez ou outra começava um dedo de prosa com algum moço mais novo, contava da gafieira, das ladeiras que havia visto em Salvador, das praias e dos anjos de areia que ajudara a fazer pelas praias do nordeste e contava das rodas de samba que aconteciam em todos os lugares por onde passara… Ele e a morena-de-fita-azul-na-cintura. As vezes pediam para ele cantar alguma canção e por mais um minutinho de vida tinha mais uma roda para se lembrar e escrever sobre.

O nome dele era desnecessário saber, ele mesmo falava isso… Dizia que quando publicasse suas memórias as pessoas saberiam que era ele por causa das histórias e das lembranças que ele disponibilizava ali naquela mesinha cativa de bar. Contava as palavras, o dedilhar no cavaquinho, os passos das meninas mais novas, a entonação dos moços cantores e tudo para poder escrever nas páginas do décimo primeiro diário cultivado.

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