Tentativa de formar algum pensamento

Durante muito tempo havia perguntado o motivo de sempre ler as mesmas revistas, jornais, encartes literários e outras coisas. Não concebia a idéia de meios de comunicação menores estar lutando por espaço e tentando inovar a forma com que passavam a informação, mas também vivendo em um lugar onde as figuras possuem mais valor do que as palavras escritas e as idéias ficam em terceiro, quarto ou, até mesmo, em quinto plano não era de se esperar que se soubesse muita coisa antes de entrar no segundo ano do colegial e procurar saídas diferentes para se informar.

Não entendia muito bem como as pessoas que eram chamadas de burguesas não sustentavam longos debates ideológicos nas mesas de jantar ou dos bares chiques ou como os que discutiam com as pessoas burguesas obtinham informações tão diferentes das veiculadas nos jornais locais, faltava uma ligação entre os fatos para tudo fazer sentido ou ser um pouco melhor compreendido e o que fazia falta chegou na forma de aula.

Contexto histórico, espaço público, debate de idéias inexistente, boicote econômico aos meios de comunicação contra-hegemônicos e tantos outros novos conhecimentos sobre a questão que sempre a encucara no passado! Havia respostas plausíveis e sem aquela máscara de grande teoria da conspiração que tentavam empurrar goela abaixo da garota.

O problema encontrado por ela não era algo focalizado na cidadezinha localizada no topo do mapa brasileiro, na verdade, era algo corrente em todo país e tinha como explicação a própria história brasileira ensinada aos trancos e barrancos nos colégios. Um reflexo da implantação tardia de universidades no país, do desinteresse pela leitura e até mesmo numa leitura muito pessoal da garota uma conformidade enorme da burguesia de ver tudo belamente como está posto e descolar qualquer conhecimento teórico obtido da realidade vivida pelo país.

Uma burguesia que não aprofunda seus debates por considerar desnecessário defender suas idéias e as vezes nem sabe quais são suas idéias que deveriam ser defendidas, um país que não se informa sobre o que acontece no seu próprio território, censura velada aos meios de comunicação que tentam mostrar pelo menos a ponta do iceberg dos problemas ocorridos no Brasil e aí se esclarece uma parte dos questionamentos e das confusões… Dando vazão para outros questionamentos e outras confusões.

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