Quando a ficha cai…

Cercada de cores, danças, cheiros e frialdade. Uma tentativa tímida do sol sair e banhar os corpos com raios dourados, mas tudo bem… Pelo menos até o céu ganhar faces de paredão concretado tudo estará poeticamente bem, mesmo que o azul de lugar ao branco acinzentado da fumaça e a garganta comece a falhar por conta da poluição, álcool e secura o inverno continuará a ser um inferno austral simpático e cheio de pequenos brilhos. Era exatamente assim que ela pensava, apesar de tudo conspirar contra suas pretenções ainda via beleza nas flores e borboletas resistentes ao frio cortante e aos sorrisos gélidos.

Andava pela cidade como nada estivesse acontecendo, não havia copa, tiroteio, prova de matemática e nem paixonites adolescentes… Havia apenas neve branca, tentativas de sol, máscaras curiosas, chocolate quente com vodka e sardinha com macarrão bem aquecidinho. A poesia voltara duma forma nunca vista, sentida e tocada. Não era mais o calor do inferno equatorial, a chuva com cheiro de fazenda de vó, pôr-do-sois na beira da praia fazendo tshhh como um tagifor… Era o laranja vibrante de um pôr-do-sol em meio as nuvens, um azul profundo das noites frias regadas a conhaque e conversas diversas, novos valores agregados, novos olhares e as mesmas saudades; mas agora sobreposta de novas lembranças afáveis, açucaradas e eternas.

Certos momentos tentava aproximar as duas realidades, outras não… Mas tudo se aproximava naturalmente, as sensações eram parecidas, os sons, o amor, os olhos brilhantes, o sorriso, a expansividade! É, tudo que antes era a terra dos outros estava virando a segunda casa, a morada de novas formas de pensar e agir. Virara borboleta-laranja novamente, mas com um voô tranqüilo e ao mesmo tempo elétrico, pensamentos esculpidos em cristal e madeira e não mais em pedra-pomes… Nada mais faltava, o primeiro ciclo se fechara – ou teria sido outro ciclo? Nunca soubera se estava começando ou terminando uma fase. Era feliz, saudosa, colorida e pela primeira vez sabia disso.

Foi aí que algumas certezas voltaram e outras confusões surgiram.

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