Sobre finais

Eu não quero mais saber! Morre de uma vez, pelamordedeus!” Saiu batendo a porta e chutando tudo o que via pela frente, entre gritos, grunidos e choro era possível ouvir frases como “tu nunca me amaste” ou “para de falar besteira, que tu deverias me amar como eu sou e não como gostarias que eu fosse!” Do outro lado a garota ficava parada e não sabia o que fazer, ele parecia descontrolado e nada o acalmaria.

Haviam se conhecido do nada, numa festa ou talvez no parque… Para que precisar um momento que reunia vários? O importante é que estavam juntos desde então e raramente se separavam, se existisse alma gêmea os dois seriam o exemplo mais perfeito do mundo… Eles se completavam, eram os opostos que se encaixavam como peças de um quebra-cabeça.

Se acalma, por favor!” Lá ia ela atrás dele, nunca o tinha visto daquele modo. “Eu te amei, muito, sempre… Mas aconteceu!” Como uma história tão cheia de coisas boas poderia ter se tornar um escândalo daquele jeito? Ela só queria um tempo, um momento pra ver se era aquilo tudo mesmo, ou se preferia tentar outras vidas e histórias…

Nos primeiros meses ficavam juntos quase todos os dias, iam trabalhar e no final da tarde se encontravam em algum café e passavam o resto do tempo juntos. Os meses passaram e começaram a compartilhar a companhia de amigos, viajavam com grandes grupos, mas sempre estavam juntos. O casal perfeito, a história linear…

Vai logo! Não é isso que queres? Eu vendo a minha memória, faço qualquer coisa e te esqueço de vez! Não vou ficar sofrendo por ti! Não mesmo!” Entre um berro e outro ele chorava compulsivamente, não era de tristeza somente, mas de dor aguda… Não sabia se sobreviveria um dia sem acordar e olha-la dormindo feito anjo do lado dele. “Pelamordedeus! Vai logo, não me faz sofrer mais!

Ele tinha sido o primeiro amor dela, ela fora o sexto ou sétimo amor dele. O rapaz gostava de ficar em casa, era calmo e introvertido; já ela era esfuziante, gostava de sair e não parava quieta. Os amigos de ambos achavam que o caso não duraria muito, durou 11 anos… Exatamente 11 anos.

Eu não quero que paremos de nos falar assim! Tu és o pai da minha filha, meu melhor amigo, meu primeiro amor!” Ela não tinha a menor idéia de como tudo acabara naquela cena, ele era o homem da sua vida… Mas tava na hora de ver se ela poderia se reapaixonar por outro, ou se voltaria machucada tentando curar ao mesmo tempo as mágoas dele e as próprias feridas.

Não sabiam se estavam errando, nunca souberam de nada… Deixaram as vontades tomar conta de tudo e assim foi até o final, se é que acabou.

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