Confusão

Compreensão, esse era o esperado. O tempo deles havia sido de compreender o silêncio um do outro, então qual o motivo das imagens voltarem tão intensamente? Um ano já tinha se passado desde o tempo deles, sem vontade de arrancar os botões da blusa dele, com lembrança vaga de momento em que um outro ser se importou e tentou entender o mínimo.

Entre braços, abraços, corpos, beijo e calor, pairava no ar algo de cumplicidade, cumplicidade do nada, dos dois corpos apenas tentando esquecer-se um no outro… E deu certo por meio tempo (ou tempo meio), ele usava uma máscara de querer tentar entender aquele ser confuso, cheio de gênio, vontades e falas desconexas. Era simpático aos olhos dela, supria a necessidade ideal daquele momento.

Vontade de carne, beijo, nada… Vontade de olhar nos olhos e não perceber nada. Eles eram isso, o exemplo profundo do vazio se relacionando, entrando, no nada. Mas aí tudo parou, a cama desarrumada e a sensação de que os olhos que deveriam estar no lugar do vazio estavam ali censurando tudo… Rubro, face muito rubra, sem coragem de encarar o par de olhos flutuantes; saiu apenas um sussurrado perdoe-me… Mas não era sincero.

O pedido não era verdadeiro, assim como o momento não era verdadeiro. Mas porque a lembrança agora? Justo no momento em que os olhos viraram sinônimo de isopor? Lembrar do momento e querer saber do parceiro daquilo tudo, que é nada. Não saber por motivos iguais aos que a moveram naquela noite, mas saber por carinho e apreço… Apenas…

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