BiDê Brasil

Setembro 14, 2009

Puf

Arquivado em: Blá Blá Blá, Maternando — Luka @ 1:32 pm

Parando para pensar nas dificuldades iniciais do começo da vida. Alguém aí já parou e pensou o quanto é traumático o primeiro ano de vida de uma criança? Sistema digestivo aprendendo a funcionar, dentes crescendo e rasgando gengivinhas doces e rosadinhas, aprender a pegar as coisas, a soltar as coisas, a engatinhar, andar…

É muita informação para o primeiro ano de vida, muita mesmo, fora que deve ser uó sair de uma barriga hiper quentinha e de imediato entrar em contato com um mundo friozão, principalmente quando se vive em Sampa… É mas no final das contas o que vale mesmo é acordar com o sorrisão mais animal do mundo do meu lado.

Maio 21, 2009

Tempo

Arquivado em: Maternando — Luka @ 2:44 pm

Tempo. Não ter tempo para dar conta das tarefas antigas, não ter tempo para escrever direito, não ter tempo para sair com os amigos… Mas é ter tempo para construir um novo jeito de amar, tempo para re-aprender a olhar o mundo como se tudo fosse novo, tempo para fantasiar nuvens de marshmallow e dar mordidinhas nas perninhas de rã.

A mudança de tempo é real, porém o mais real é a qualidade do tempo.

Ainda bem que existem Rosas no meu quintal para me ensinar novos tempos…

Maio 12, 2009

A Crise dos 3 Meses

Arquivado em: Maternando — Luka @ 12:34 pm
Por volta de 2-3 meses de idade, alguns bebês tornam-se tão eficientes na mamada que são capazes de mamar tudo o que precisam em 5 ou 7 minutos, algumas vezes em 3 minutos. Se ninguém disso isso para a mãe e ela espera que a criança fique no seio por “pelo menos 10 minutos”, ela vai achar que seu filho não está mamando o suficiente, como esta mãe aqui:

Eu tenho uma filha de 4 meses. Meu problema é que não sei se ela está mamando o suficiente. Ela passa somente 3-4 minutos no peito e eu fico com receio de que ela não está mamando leite suficiente. Quando ela tinha 2 meses, ela mamava por 10 minutos de um lado e 5 do outro e ganhava peso rapidamente; agora ela está caindo na curva de crescimento.

Eu também notei que meus seios não enchem mais como antes, eles chegavam até a vazar!

O que mais me intriga é que nos primeiros 2 minutos ela engole muito leite, bem rápido e e depois começa a tirar a boca do peito e a colocar novamente, sem ficar quieta. Eu tenho que alternar os lados e tentar posições diferentes para ela mamar ao menos 10 minutos. Eu me pergunto se ela faz isso porque ainda está com fome.

Outra coisa que me preocupa é que ela está mamando mais vezes, especialmente de noite. Ela dormia 5-6 horas seguidas de noite, agora dorme no máximo 3-4 horas, até menos.

O pediatra me disse que eu posso começar a dar leite artificial na mamadeira. Já tentei, mas ela não aceita, mesmo que outra pessoa ofereça a mamadeira.

O caso desta mãe ilustra bem a crise dos 3 meses de idade:

1. O bebê que mamava 10 minutos agora termina em 5 minutos ou menos.
2. Os seios, antes cheios e pesados, agora estão macios e “vazios”.
3. O leite não vaza mais.
4. O ganho de peso do bebê diminui.

Tudo isso é absolutamente normal. O engurgitamento das mamas nas primeiras semanas pós-parto não tem nada a ver com a quantidade de leite produzida e sim com uma inflamação temporária que acontece no início da lactação. Mamas cheias e vazamento são problemas iniciais, que desaparecem assim que a amamentação está estabelecida.

E a diminuição no ganho de peso, claro, é esperada. Os bebês ganham menos e menos peso a cada mês que passa. É por isso que as curvas de crescimento são curvas e não retas. Entre 1 e 2 meses, uma menina amamentada ao seio ganha tipicamenate 400g a 1,3 kg, com a média sendo um pouco acima de 800g. Eliminamos o primeiro mês, porque sempre há perda de peso e depois ganho, o que faz a conta final muito variável. SE o bebê fosse continuar ganhando peso neste padrão, em 1 ano ganharia 5 a 15 kg, com média de 10 kg. Na realidade, durante o primeiro ano de vida, meninas ganham entre 4,5 a 6,5 kg, com a média sendo 5,5kg. Em outras palavras, uma menina que ganhou 500g no primeiro mês de vida (alguns podem achar muito pouco, mas na realidade é normal) ganhará menos peso eventualmente. Todos os pesos são medidas aproximadas. Meninos geralmente ganham um pouco mais que meninas.

Claro que o bebê da mãe do exemplo não aceitou a mamadeira com complemento; ela não estava com fome. Infelizmente nem todos os bebês mostram tal controle e, algumas vezes, especialmente se a mãe insiste muito, eles tomam a mamadeira msmo sem estarem com fome.

Se alguém tivesse explicado a esta mãe o que estaria para acontecer no terceiro mês, ela não teria se preocupado. Mas a mudança inesperada deixou-a insegura. Mesmo assim, se ela estivesse confiante na própria habilidade para amamentar, ela não teria se estressado. A explicação mais lógica para todas as mudanças é “eu tenho tanto leite que minha filha fica cheia em 3 minutos”. Mas o medo do fracasso na amamentação é tão incutido em nossa sociedade, que não importa o que acontece, a mãe sempre pensa (ou é convencida a pensar) que ela não tem leite suficiente.

A mãe também se preocupa com outro mito moderno: que as crianças, à medida em que o tempo passa, aprender a dormir mais. Na realidade, as crianças passam mais tempo acordadas quando vão crescendo. É verdade que um dia elas dormirão mais horas seguidas e vão começar a dormir a noite inteira, mas dificilmente isso acontece aos 4 meses de idade. Entre o nascimento e 4 meses de vida, é mais provável que você observe seu bebê dormindo menos. Muitos bebês mamam várias vezes por noite durante os primeiros anos de vida (o que é muito mais fácil que preparar mamadeiras de madrugada, especialmente se o bebê dorme na mesma cama que a mãe).

A mãe do exemplo já começou a forçar a filha a comer. É um beco sem saída. É fácil deduzir que, a menos que a mãe decida mudar radicalmente seus hábitos, a introdução de sólidos será uma luta.”

Retirado, na íntegra, de My Child Won’t Eat, do pediatra Carlos González, recomendado pela La Leche League.

Abril 23, 2009

Decolando

Arquivado em: Maternando — Luka @ 5:33 pm

A primeira Páscoa e as duas resolvem se lançar ao mar, na verdade ao ar.  É diferente sair viajando por aí quando se tem uma pequena companheira de aventuras, é necessário pensar em quantas roupinhas de frio carregar, quantas de calor, quantas disso ou daquilo… Em algumas ocasiões até pensar se deve levar um bercinho desmontável ou não.

Após separar a maioria das coisas que seriam necessárias para a viagem fomos ao aeroporto e lá o avião demorou a sair, tudo indica que o céu de Porto Alegre estava fechado. A pequena nem reclamou muito, mas eu já estava ligando pra São Pedro tomar tenência e abrir aquele céu de qualquer jeito!

Avião sobe, avião desce e a pequena capotada no colo e eu enlouquecida com mochila, travesseiro, carregador… Invejinha, invejinha do pinguinho! Sai do aeroporto encontra o pai, o tio e o céu mormaçado de PoA. O bebê acordando pra ver o lugar novo, arzinho mais saudável, sem muito stress… Ai vontade de voltar a ser bebê e ficar ali jogada no colo dos pais falando: Agu!

Uma aventura e tanto, Rosa conheceu tio, tia, avó, tia-avó, tio-avô, cachorros, tio Zé, tia Carmem, tio Alê, tio Japa, tio Alan, tiostiostios, tiastiastias e ainda se refestelou no colo do papai que tava morrendo de saudades do pinguinho. Fora a maravilhosa digivolução da Rosa que agora passou a dar mini-gargalhadinhas e conversar com barulhinhos conosco.

A primeira viagem foi uma ótima experiência, espero fazer mais coisas do tipo durante o ano.

Abril 18, 2009

Parir para se ocupar

Arquivado em: CP, Maternando — Luka @ 1:43 am

Há mais coisas entre o céu e a terra do mundo feminino que supõe a nossa vã filosofia e não é por conta das crendices que livros à lá Bridget Jones colocam no imaginário coletivo. Existem determinados momentos que a mulher precisa tomar as rédeas de suas decisões e ser protagonista em sua história, seja numa manifestação política, ao decidir se continua ou não com uma gravidez ou como será o seu parto.

Parir é um ato político da mulher! Li isso semanas antes de decidir pegar o meu próprio parto na mão e encarar inseguranças, medos e questões mal-resolvidas. Defender o protagonismo da mulher diante do seu parto e dar para ela a chance de um momento de empoderamento único é refutar diversas formas de procedimentos desnecessárias e muitas vezes enraizadas numa lógica altamente machista e capitalista.

Até chegar ao ápice do rito de passagem de filha para mãe diversas peripécias aconteceram, daria um capítulo de Reinações de Narizinho inteiro, foi campanha eleitoral municipal, ocupação de reitoria em Sergipe, viagem de ônibus entre Aracaju e Fortaleza, medo de não entrar em trabalho de parto, de cair numa cirurgia desnecessária e o pior deles que me bateu no final da gravidez: o de estar sozinha na cidade quando as contrações começassem. Nesse baú de acontecimentos todos resolvi encarar uma troca de médico aos 45 minutos do segundo tempo, algo meio Corinthians colocando o Ronaldinho para jogar, mas com resultados muito melhores e sem piadinhas sobre peso e joelhos.

Um intensivo emocional, tudo misturado e se resolvendo ao mesmo tempo. O aborto mal-resolvido na cabeça, a vontade crescente de ter a filhota nos braços e a danada resolve ficar sentada, como assim sentada?! Achou que a pélvis era um sofazinho confortável e ficou ali até a hora do tal trabalho de parto, que até o momento era uma abstração total, pois a grande maioria das mulheres conhecidas não haviam entrado no bendito.

A insegurança reinava completa, quando decido virar e dizer: Olha! Esse parto é meu e vai ser do jeitinho que eu quero, sem mais nem menos! . O bebê resolve sentar de vez e ainda dar uma encaixadinha, será possível? Há possibilidade de ainda ter um parto normal nestas condições?

Comecei a ler, pesquisar, conversar… Dava pra tentar, mas o médico precisava dar conta do recado e fazer as manobras necessárias, fui conversar com o médico… Dá pé fazer? Sim… Dá pé fazer.

39 semanas e 4 dias. Um dia após conversar com o médico sobre a possibilidade de um parto pélvico, um dia após ele me passar segurança… Sinto umas coisas esquisitas perto da pélvis, umas pontadas com uma dorzinha lá no fundo, nunca havia sentido aquilo na vida. Acordei e como não parecia nada muito enlouquecedor fui para o computador jogar algum jogo de internet, dá o horário e vou para a yoga e lá pergunto pra professora como é que é entrar em trabalho de parto… Ela responde dizendo que parece uma cólica, beleza! Eu nunca tive uma cólica na minha vida e fica difícil eu saber se era isso mesmo, descrevo o que a barriga tava fazendo e pimba! Era o comecinho do famoso TP, fiz a aula de yoga, contrações de 7 em 7 minutos, as vezes 10 em 10, super irregulares.

Nesta altura dos acontecimentos pelo menos uma pessoa já sabia da possibilidade de eu estar entrando em trabalho de parto (TP). Chega o final da aula e sinto um vazamento, não foi uma enxurrada feito o que vemos nos filmes, foi um vazamento, como se a menstruação tivesse descido. Lá se foi a bolsa d’água, o líqüido amniótico não ta clarinho… Tem cocô lá dentro, eu penso: Porra! Ela já vai nascer cagando em mim… Beleza! Ligo pros amigos e médico avisando que é TP e ao mesmo tempo acalmando dizendo que o TP ta bem no comecinho, um deles vai me buscar na yoga. Até o amigo chegar a professora de yoga pede para a obstetriz que atende no mesmo lugar onde eu tinha aula auscultar o bebê pra ver se está tudo certinho, precisava ter certeza, pois o bebê tinha cagado dentro da barriga.

Tudo certinho, contrações irregulares, coração do bebê fazendo tumtum dizendo que está bem e prontinho pra começar a jornada de saída, vamos então para casa arrumar o que levar pro hospital, almoçar. A irmã já está cantando: Tu vens, tu vens eu já escuto teus sinais… Escuto? Eu tava sentindo mesmo! Começo a almoçar mais contrações. Olha vamos logo pro hospital que não vai dar pé esperar por aqui mais…

Chegando ao hospital eu e meu amigo vamos andando até a admissão da maternidade, é de boa, mas precisei parar alguns momentos para as contrações virem e passarem. Entra na admissão, 5 cm de dilatação e contando. Subo para o quarto de parto andando, se sentasse numa cadeira de rodas naquele momento ia ser o pior martírio, chego ao quarto de parto e vou direto para dentro do chuveiro. Enquanto tudo isso acontecia iam chegando pessoas e mais pessoas no hospital para acompanhar o tal trabalho. Entro debaixo d’água e lá começa uma contração forte atrás da outra… Putaquepariu! O que eu to fazendo aqui? Ouvia as pessoas da equipe médica me dizendo pra respirar, que as contrações eram como ondas que vinham e depois passavam, tudo fazia muito sentido, mas doía e cansava. E as pessoas chegavam e ficavam na sala de espera ouvindo meus urros de dor.

Saí do chuveiro, fica um tempo na banheira para dar uma descansada antes de ir pra cama de parto… Parecia que tinha tomado morfina, entre uma contração e outra eu desmoronava de cansaço.

Vai pra cama de parto, o médico chega: Dá para ficar de 4 ? vai ser melhor para você e o bebê… Hã? Não havia mais forças para nada, só para ficar deitada naquela posição de frango assado. Determinando momento sinto meu corpo pegando fogo, como se entrasse em um daqueles círculos de fogo usados para treinar leões em circos! Era a bunda da minha filha saindo, ardendo… Eu vi o corpo dela sair aos poucos, descomprimindo. Mais força, manobras para tirar a cabeça e ela saiu e foi direto pra cima da minha barriga, sem chorar, mas nós duas sabíamos que estávamos bem. Pensava que já tivesse terminado tudo quando volto a sentir cólicas, hora de parir a placenta, basicamente um grande baby beef. Após parir o acessório da pequenina a minha filha voltou pros meus braços e mamou pela primeira vez, ela nasceu com os olhões abertos e mamou olhando tudo que podia, parecia querer descobrir o mundo todo numa olhada só.

Não estava mais sozinha, literalmente, nos meus braços estava o bebê mais esperado da minha vida e na sala de espera se configurava uma pequena assembléia estudantil discutindo o que fazer após o parir: se continuava no hospital, se saia, se compravam pizza, se compravam esfiha… Quase o hospital teve suas dependências ocupadas por aquele bando de tios e tias ávidos em conhecer a mais nova integrante da trupe. Um levante praticamente!

Abril 14, 2009

O Prólogo

Arquivado em: Brainstorm, Garoa City, Maternando — Luka @ 9:00 pm

Minha mãe morreu em setembro de 2006, ela vivia me dizendo o quão boa mãe eu seria e que queria ver os netos e netas dela crescerem. Infelizmente ela não pode passar comigo os momentos que aqui estarão descritos, isso fisicamente, pois senti ela do meu lado em cada ocasião que se relacione a alguma das minhas gestações.

Após a morte da minha mãe sentia uma vontade ainda maior de ser mãe, provavelmente por querer substituir aquele sentimento de medo e solidão que abarcou a minha vida. Acabei engravidando quase um ano depois da morte dela, mas àquela época resolvi interromper a gravidez, lembro de quando fiz o teste de farmácia e deu positivo… Na hora liguei para Curitiba e contei pra minha melhor amiga, era uma mistura de desespero, felicidade e uma grande dúvida sobre o que fazer.

Decidi por tirar, ia fazer um ano que minha mãe tinha morrido, minhas fichas estavam caindo, o clima em casa não era nenhum pouco bom e mesmo querendo muito ter um bebê não me sentia capaz de gestar saudavelmente uma criança naquele momento. Avisei pra minha amiga que veio de Curitiba para ficar comigo e acompanhar todo procedimento, acordei após da anestesia e a única coisa que conseguia fazer era chorar, doeu muito e eu passei o resto daquele ano chorando por conta dessa decisão.

Agora tenho certeza de que era a melhor opção mesmo, a gravidez da Rosa me fez elaborar bastante o meu aborto e há apenas uma coisa da qual me arrependo: A de só ter contado que estava grávida para a pessoa com quem estava à época depois do procedimento ter sido feito, devíamos ter decidido juntos por respeito ao que vivemos e pelo fato deu amá-lo muito até hoje… Ele tinha todo o direito de saber e opinar.

Nessa minha viagem de 39 semanas e 4 dias descobri que há tons de cinza e escolher é só o príncipio de alguém que pretende ser mãe. Em um país que não é dado o direito de escolher ser mãe ou não e que a parturiente tem tirado de suas mãos o protagonismo que é parir, buscar informação e ter certeza de suas escolhas seja quais forem e lutar por elas.

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