Maio 4, 2009
Abril 18, 2009
Parir para se ocupar
Há mais coisas entre o céu e a terra do mundo feminino que supõe a nossa vã filosofia e não é por conta das crendices que livros à lá Bridget Jones colocam no imaginário coletivo. Existem determinados momentos que a mulher precisa tomar as rédeas de suas decisões e ser protagonista em sua história, seja numa manifestação política, ao decidir se continua ou não com uma gravidez ou como será o seu parto.
Parir é um ato político da mulher! Li isso semanas antes de decidir pegar o meu próprio parto na mão e encarar inseguranças, medos e questões mal-resolvidas. Defender o protagonismo da mulher diante do seu parto e dar para ela a chance de um momento de empoderamento único é refutar diversas formas de procedimentos desnecessárias e muitas vezes enraizadas numa lógica altamente machista e capitalista.
Até chegar ao ápice do rito de passagem de filha para mãe diversas peripécias aconteceram, daria um capítulo de Reinações de Narizinho inteiro, foi campanha eleitoral municipal, ocupação de reitoria em Sergipe, viagem de ônibus entre Aracaju e Fortaleza, medo de não entrar em trabalho de parto, de cair numa cirurgia desnecessária e o pior deles que me bateu no final da gravidez: o de estar sozinha na cidade quando as contrações começassem. Nesse baú de acontecimentos todos resolvi encarar uma troca de médico aos 45 minutos do segundo tempo, algo meio Corinthians colocando o Ronaldinho para jogar, mas com resultados muito melhores e sem piadinhas sobre peso e joelhos.
Um intensivo emocional, tudo misturado e se resolvendo ao mesmo tempo. O aborto mal-resolvido na cabeça, a vontade crescente de ter a filhota nos braços e a danada resolve ficar sentada, como assim sentada?! Achou que a pélvis era um sofazinho confortável e ficou ali até a hora do tal trabalho de parto, que até o momento era uma abstração total, pois a grande maioria das mulheres conhecidas não haviam entrado no bendito.
A insegurança reinava completa, quando decido virar e dizer: Olha! Esse parto é meu e vai ser do jeitinho que eu quero, sem mais nem menos! . O bebê resolve sentar de vez e ainda dar uma encaixadinha, será possível? Há possibilidade de ainda ter um parto normal nestas condições?
Comecei a ler, pesquisar, conversar… Dava pra tentar, mas o médico precisava dar conta do recado e fazer as manobras necessárias, fui conversar com o médico… Dá pé fazer? Sim… Dá pé fazer.
39 semanas e 4 dias. Um dia após conversar com o médico sobre a possibilidade de um parto pélvico, um dia após ele me passar segurança… Sinto umas coisas esquisitas perto da pélvis, umas pontadas com uma dorzinha lá no fundo, nunca havia sentido aquilo na vida. Acordei e como não parecia nada muito enlouquecedor fui para o computador jogar algum jogo de internet, dá o horário e vou para a yoga e lá pergunto pra professora como é que é entrar em trabalho de parto… Ela responde dizendo que parece uma cólica, beleza! Eu nunca tive uma cólica na minha vida e fica difícil eu saber se era isso mesmo, descrevo o que a barriga tava fazendo e pimba! Era o comecinho do famoso TP, fiz a aula de yoga, contrações de 7 em 7 minutos, as vezes 10 em 10, super irregulares.
Nesta altura dos acontecimentos pelo menos uma pessoa já sabia da possibilidade de eu estar entrando em trabalho de parto (TP). Chega o final da aula e sinto um vazamento, não foi uma enxurrada feito o que vemos nos filmes, foi um vazamento, como se a menstruação tivesse descido. Lá se foi a bolsa d’água, o líqüido amniótico não ta clarinho… Tem cocô lá dentro, eu penso: Porra! Ela já vai nascer cagando em mim… Beleza! Ligo pros amigos e médico avisando que é TP e ao mesmo tempo acalmando dizendo que o TP ta bem no comecinho, um deles vai me buscar na yoga. Até o amigo chegar a professora de yoga pede para a obstetriz que atende no mesmo lugar onde eu tinha aula auscultar o bebê pra ver se está tudo certinho, precisava ter certeza, pois o bebê tinha cagado dentro da barriga.
Tudo certinho, contrações irregulares, coração do bebê fazendo tumtum dizendo que está bem e prontinho pra começar a jornada de saída, vamos então para casa arrumar o que levar pro hospital, almoçar. A irmã já está cantando: Tu vens, tu vens eu já escuto teus sinais… Escuto? Eu tava sentindo mesmo! Começo a almoçar mais contrações. Olha vamos logo pro hospital que não vai dar pé esperar por aqui mais…
Chegando ao hospital eu e meu amigo vamos andando até a admissão da maternidade, é de boa, mas precisei parar alguns momentos para as contrações virem e passarem. Entra na admissão, 5 cm de dilatação e contando. Subo para o quarto de parto andando, se sentasse numa cadeira de rodas naquele momento ia ser o pior martírio, chego ao quarto de parto e vou direto para dentro do chuveiro. Enquanto tudo isso acontecia iam chegando pessoas e mais pessoas no hospital para acompanhar o tal trabalho. Entro debaixo d’água e lá começa uma contração forte atrás da outra… Putaquepariu! O que eu to fazendo aqui? Ouvia as pessoas da equipe médica me dizendo pra respirar, que as contrações eram como ondas que vinham e depois passavam, tudo fazia muito sentido, mas doía e cansava. E as pessoas chegavam e ficavam na sala de espera ouvindo meus urros de dor.
Saí do chuveiro, fica um tempo na banheira para dar uma descansada antes de ir pra cama de parto… Parecia que tinha tomado morfina, entre uma contração e outra eu desmoronava de cansaço.
Vai pra cama de parto, o médico chega: Dá para ficar de 4 ? vai ser melhor para você e o bebê… Hã? Não havia mais forças para nada, só para ficar deitada naquela posição de frango assado. Determinando momento sinto meu corpo pegando fogo, como se entrasse em um daqueles círculos de fogo usados para treinar leões em circos! Era a bunda da minha filha saindo, ardendo… Eu vi o corpo dela sair aos poucos, descomprimindo. Mais força, manobras para tirar a cabeça e ela saiu e foi direto pra cima da minha barriga, sem chorar, mas nós duas sabíamos que estávamos bem. Pensava que já tivesse terminado tudo quando volto a sentir cólicas, hora de parir a placenta, basicamente um grande baby beef. Após parir o acessório da pequenina a minha filha voltou pros meus braços e mamou pela primeira vez, ela nasceu com os olhões abertos e mamou olhando tudo que podia, parecia querer descobrir o mundo todo numa olhada só.
Não estava mais sozinha, literalmente, nos meus braços estava o bebê mais esperado da minha vida e na sala de espera se configurava uma pequena assembléia estudantil discutindo o que fazer após o parir: se continuava no hospital, se saia, se compravam pizza, se compravam esfiha… Quase o hospital teve suas dependências ocupadas por aquele bando de tios e tias ávidos em conhecer a mais nova integrante da trupe. Um levante praticamente!
Outubro 7, 2007
Um novo olhar sobre o Araguaia
Por Luka Franca – lukissima@gmail.com
Desde o final dos anos de chumbo no Brasil, em 1985, a sociedade busca respostas para os acontecimentos ocorridos durante esta época, ações tanto dos militares quanto dos militantes contrários ao regime. Neste período, o país presenciou diversas formas de organização que faziam frente ao regime militar instaurado em 1964. Uma das mais famosas foi a Guerrilha do Araguaia, que teve como palco os estados do Pará, Maranhão e Tocantins – que naquela época ainda fazia parte do estado de Goiás. Até hoje uma boa parte do que é conhecido sobre o Araguaia tinha sido escrito com base em documentos dos próprios guerrilheiros e do PCdoB; mas durante suas pesquisas, Hugo Studart teve acesso a documentos fornecidos por militares que estiveram nas três campanhas da Operação Araguaia.
A Lei da Selva é uma dissertação de mestrado que teve seu conteúdo ampliado para a publicação. Studart faz uma análise de todo o imaginário que envolvia a situação, como os militares atuantes na região encaravam os atos dos guerrilheiros e os respeitavam. Tanto que quando se referem aos guerrilheiros desertores antes das operações militares começarem na região, parecem tratá-los com indiferença, como se os guerrilheiros presentes durante as incursões militares merecessem ser respeitados por enfrentarem os militares em combate. No livro, o autor usa como base um dossiê entregue a ele pelo exército que o ajudou durante a pesquisa. Para ter um contraponto das situações apresentadas no dossiê, foram utilizados três documentos escritos por guerrilheiros: Relatório Arroyo, Relatório Pomar e O Diário do Velho Mário.
Os documentos usados para a construção de A Lei da Selva tratam sobre o cenário anterior as três campanhas realizadas no Araguaia e a realidade vivida durante a operação. De todas as incursões, a terceira foi a que mais feriu as Convenções de Genebra e os direitos humanos, além de ser a mais obscura. Ao mesmo tempo em que Studart analisa os acontecimentos tendo como pano de fundo os relatos dos militares e de alguns guerrilheiros, também remete a outros fatos históricos: no trecho em que os militares relatam a execução da guerrilheira Dina, o escritor compara a história da execução com o mito de Aquiles e Perciléia – Aquiles teria se apaixonado por Perciléia no momento em que seus olhares se cruzaram, instante em que ele matara a moça. Em outras passagens são percebidas divergências naquilo que é contado pelos ex-guerrilheiros e militares, como no episódio em que o corpo de um dos líderes da guerrilha, Osvaldão, teria sido pendurado pelo pescoço em um helicóptero. Segundo os militares, tal acontecimento foi acidente.
O livro vai mostrando as discordâncias de imaginário, como os acontecimentos tinham uma significação diferente para os dois lados. Trata-se de mais uma peça que dá continuidade à montagem dessa parte do quebra-cabeça que é a época do regime militar, principalmente a Guerrilha do Araguaia.
Outubro 6, 2007
Midiativismo brasileiro mostra sua cara
Ativistas usam jornalismo e arte na luta por causas globais
Por Juliana Simon - julianasimon@uol.com.br
Luka Franca – lukissima@gmail.com
Sem lucros, propaganda, marcas ou glamour, o midiativismo reverte informação e arte em mobilização. Através de jornais, rádios, televisões e, principalmente, pela internet, os ativistas da mídia promovem ações pelas mais diversas causas, tais como manifestações anti-guerra, pela democratização da mídia e pela inclusão digital.
Desenvolvido nos EUA e na Europa no início dos anos 90, o midiativismo teve seu marco em 1999, na criação do primeiro coletivo de mídia independente, o Independent Media Center (Centro de Midia Independente), ou Indymedia, destinado à cobertura das manifestações anti-globalização no encontro da OMC, em Seattle. Desde então, as ações se espalharam pelo mundo e chegaram ao Brasil, onde já existem diversos grupos de ativismo midiático. Em uma sociedade acostumada com a militância política, mas não com o ativismo de práticas efetivas, o que se pode chamar midiativismo brasileiro?
Segundo Tatiana Wells, do Mídia Tática (www.midiatatica.org), o que diferencia o midiativismo brasileiro é “a tentativa de incentivar às pessoas na produção de mídia ‘faça-você-mesmo’, no uso do software livre, do ativismo low-tech”. Para o cartunista e ativista Carlos Latuff, as ações brasileiras são, geralmente, cópia do que é feito lá fora, principalmente nos Estados Unidos. “A maior parte de nossos referenciais são estadunidenses. Temos aqui as mesmas cadeias de fast-food, marcas de tênis, filmes da TV, músicas nas FMs. Por isso não me surpreende que até mesmo o ativismo midiático seja cópia dos EUA”.
Grandes X pequenas ações
Em 2004, no 20º aniversário do desastre de Bhopal, que matou mais de 18 mil pessoas com o vazamento de gás letal de uma fábrica química da Union Carbide, o canal britânico BBC transmitiu entrevista com um homem identificado como porta-voz da empresa Dow Chemical, hoje dona da Union Carbide, Jude Finisterra. Na ocasião, Finisterra declarou que a empresa assumira a responsabilidade sobre o episódio e que as vítimas seriam indenizadas em US$ 12 bilhões. Como resultado disso, as ações da Dow caíram 3,4% na bolsa de Frankfurt e 5 centavos de dólar na bolsa de Nova York. O porta-voz, na verdade, se tratava de um ativista do grupo norte-americano The Yes Men (www.theyesmen.org) , que já realizou ações contra World Trade Organisation (WTO), a campanha de George Bush, o McDonald´s e a Shell.Através de trotes na mídia e nas organizações e corporações globais, o grupo já é conhecido como um dos maiores representantes do midiativismo.
No dia 3 de julho-véspera do dia da independência nos EUA- um manifesto e uma imensa mancha em uma página inteira do The New York Times chamaram atenção para mais uma ação de anti-consumo do grupo canadense AdBusters Media Foundation (www.adbusters.org).O que impede de se fazer grandes ações no Brasil? A representante do Mídia Tática discorda da divisão entre grandes e pequenas ações, “um grafite na porta da Rede Globo ou manifestações de massa: todas as ações são importantes. Ao serem filmadas e disponibilizadas na internet, podem gerar resultados inesperados”.
Ativismo Festivo
O humor, o deboche e a ironia em relação a governos, corporações e situações são armas do midiativismo brasileiro e mundial. Entretanto, percebe-se que, para o grande público, essas manifestações não passam de ações festivas, sem que sejam revertidas para reflexão e mobilização. Latuff pensa que não há uma boa comunicação entre ativistas e população, não são adotadas abordagens ou linguagens para conscientizar o cidadão comum, que é o mais prejudicado pelo sistema. Afirma que “tanto os militantes de esquerda, quanto os ativistas, falam para quem já está inteirado sobre as coisas. Faltam metas claras, objetivando transformações radicais na percepção do povo em relação ao sistema que o engloba”.
Tatiana Wells vê a questão sob a perspectiva de que, no Brasil, a arte, a cultura e as festas trazem uma real mobilização. “Como melhor protestar contra o fechamento de ruas do que as ocupando por festas coletivas?”, indaga. Neste caso, a ativista cita a ação do “Reclaim the Streets”, que no Brasil acontece através de mobilizações de artistas contra as desocupações forçosas e violentas em São Paulo.
Para os entrevistados, a variedade de público e de temas também deve ser considerada. Segundo o cartunista, não existe “o público brasileiro”, e sim diversospúblicos com visões diferentes de acordo com a cultura e tradições locais. “Cada ativista deve conhecer, entender e respeitar as características de cada população e desenhar ações midiáticas observando atentamente estas particularidades”, declara. A ativista do Mídia Tática observa que as ações estão mais direcionadas a problemas específicos, porque quem visa tratar temas muito abstratos, como a miséria, “comete uma falácia, como a ONU, que não vai à raiz dos problemas”.
Infiltrações na “grande mídia”
A tática de infiltração na mídia corporativa das ações citadas do The Yes Men e do Adbusters, não é característica do midiativismo brasileiro. Tanto Latuff, quanto Welles, citam como ação midiática desta natureza a transmissão de imagens do PCC na Rede Globo, exigência do grupo no seqüestro do repórter Guilherme Portanova, em agosto.
Apesar da maior visibilidade e repercussão que ações como essas pudessem trazer, a representante do Mídia Tática diz que essas não seriam da mesma qualidade de oficinas para fins de contextualização, conscientização. “A ação é de baixo para cima. Queremos sim desestabilizar, mas acho que a proposta principal é disseminar conceitos e práticas para comunidades é muito mais eficiente do que 5 minutos de tv”, afirma.
Carlos Latuff também não utiliza a grande imprensa para publicar seus trabalhos. Considera que, a maior parte dos cartunistas seduzidos pelo “mainstream” estão mais interessados na própria carreira do que em um real ativismo. Sobre os meios utilizados para o midiativismo declara que “o que define um midiativista é a consciência, o incorformismo, a convicção de que algo deve ser feito. Se você tem isso, pode usar qualquer mídia,seja vídeo, cinema, música, literatura, cartum, em favor de uma causa”.
Setembro 30, 2007
Tv pública
O projeto da tv pública surge para mostrar mais uma vez ao povo a desorganização das ações políticas relacionadas às comunicações
Por Beatriz Carrasco – b.carrasco@terra.com.br
Luka Franca – lukissima@gmail.com
O ministro das comunicações Hélio Costa anunciou no dia 22 de março deste ano a criação de uma nova rede de televisão pública para o poder executivo do país. O projeto de tv apresentado pelo ministério das comunicações (Minicom) prevê que a rede comece a funcionar ainda este ano, juntamente com o início de operação da tv digital comercial no Brasil. A tv pública proposta por Costa foi orçada em 250 milhões de reais, sendo que 100 milhões seriam gastos durante o primeiro ano da tv para a compra de equipamentos, e os outros 150 milhões seriam aplicados durante o período de três anos seguintes para a expansão da rede.
A declaração não foi recebida com bons olhos pelo movimento pela democratização da comunicação existente no país e também pelos membros do Fórum de tvs públicas que é promovido pelo ministério da cultura (MINC). A discussão sobre um sistema público de tv não é de hoje, na verdade ela vem posta desde a regulamentação do sistema de radiodifusão brasileiro, quando a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pautava a existência de um sistema público de tv e não privado.
O surgimento da lei da tv a cabo em 1995 deu espaço para que as tvs estatais aparecessem, são abertos nesta época canais para o executivo, legislativo, comunitário entre outros; dando assim um pouco de espaço para canais estatais e públicos existentes hoje. O aparecimento destes canais através da lei do cabo foi uma conquista da sociedade civil tendo o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) a frente deste processo. “O sistema de tv público não está nem na tv aberta, nem na por satélite ou microondas, apenas na tv à cabo. Ainda há o agravante agora de que a Net com a digitalização ta tirando esses canais [estatais e públicos] mesmo a lei obrigando a existência deles” diz João Brant da ONG Intervozes que luta pela democratização da comunicação.
A proposta de tv pública do Minicom foi lançada de uma forma confusa, o FNDC publicou no dia 1º de abril um artigo ponderando justamente sobre a confusão sobre tv pública e estatal que foi feita pelo ministério de Costa. Alguns setores da sociedade civil organizada presentes na luta pela democratização da comunicação acreditam que a ação do ministro foi uma tentativa de enfraquecer o fórum de tv’s públicas e as proposições saídas desse espaço a respeito até mesmo de criação de tv’s estatais e públicas.
O caminho que o projeto deve tomar parece ser confuso até para o próprio governo.
A estratégia para a aceitação
Desde o início a proposta de Hélio Costa mostrou-se carente de aceitação inclusive de setores simpatizantes ao governo. Quando a tv já era referida pela mídia como “tv do executivo”, é anunciada a nomeação de um novo ministério, dessa vez ligado à secretaria de comunicação social, e o ocupante do cargo, Franklin Martins.
O passado de Franklin de Sousa Martins, jornalista político, está apoiado em diversas ações pela democracia no Brasil. Durante a ditadura militar teve papel importante nos movimentos formados por militantes de esquerda como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), sendo um dos mentores do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick.
A escolha de Franklin para assumir o Ministério da comunicação social mostra-se um passo estratégico, pois indica os planos para, caso haja o real interesse de criar-se uma tv interessada em divulgar o governo, a biografia do novo secretário de comunicação social do governo unida a repercussão positiva de sua posse, serviu para acalmar os ânimos de muitos críticos.
O novo ministro amenizou inclusive a posição do Ministério da cultura, sendo percebido após Gilberto Gil afirmar que Martins é “um colaborador de primeira ordem” do projeto. Porém, os dois ministérios não escondem ainda que haja divergências, especialmente quando relacionado ao das comunicações.
Fórum nacional de tv’s públicas
A secretaria do audiovisual do ministério da cultura (MINC) juntamente com a casa civil e entidades representantes do campo público da televisão tiveram a iniciativa de criar o I Fórum nacional de tv’s públicas. O espaço tem como objetivo discutir amplamente a tv pública brasileira e os desafios que esta encontra atualmente no cenário nacional e reúne os representantes de tvs públicas do país, do governo federal, congresso nacional e da sociedade civil.
A primeira parte do processo de formação do fórum foi de diagnose mais completa sobre os variados campos da tv pública do país e esse diagnóstico foi publicado de forma sintética no 1º caderno de debates que está disponível no sítio do MINC.
Para a segunda parte do fórum formaram-se oito grupos de trabalho temáticos para haver a verticalização dos resultados apresentados na primeira parte. A produção dos grupos de trabalho deram forma ao 2º caderno de debates – também disponível no sítio do MINC – compilando condições para a qualificação da terceira e última etapa do fórum que acontecerá de 8 a 11 de maio em Brasília, pois o 2º caderno é o material que auxiliará a preparação dos delegados participantes da plenária que acontecerá durante a última etapa.
Segundo Mario Borgneth, assessor especial do ministro da cultura / secretaria do audiovisual, em texto publicado no sítio do MINC no começo do processo de formação do fórum este “se pretende propositivo, indicador de recomendações fundamentais para o desenvolvimento do campo público de televisão, gerador do acúmulo necessário para a criação de políticas e medidas que viabilizem uma TV Pública à altura dos anseios do setor e da aspiração democrática da sociedade brasileira”.