BiDê Brasil

Março 7, 2008

O meio de uma história de amor

Arquivado em: Blá Blá Blá, Cartas — Luka @ 12:41 am

Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas as vezes é necessário um punhado de letras juntas para poetizar um determinado momento e o quanto este é importante. Quando chegou o envelope nem acreditei que realmente havia sido lembrada e gostariam da minha presença em tão esperado acontecimento, abri o envelope e depois o plástico envolvendo o convite de casamento da Luciana e do Roberto. Lá estava em papel branco e destinado há um nome que não uso mais há quase um ano e meio, o importante era a lembrança e dentro da cabeça começou a borbulhar dezenas de coisas que precisava escrever para a Luguinha, ainda mais por não ter como comparecer ao casamento dela amanhã.

Sentei em frente ao Emac do trabalho e comecei a redigir um email meloso, mas que sintetiza um pouco o pensamento tido por mim sobre bodas, amor e relações pessoais foi algo meio assim:

É assim que histórias de amor são escritas, o primeiro contato em um lugar completamente incomun, a insistência de uma das partes em conquistar a outra pessoa, o começo de tudo e as desventuras por causa da distância. O casamento não é o final feliz, é o meio da história de amor, pois daqui para frente o capítulo seguinte desta epopéia vai ser escrito por duas pessoas e haverá muito mais a contar sobre as novas experiências do que os acontecimentos até aqui. Quem dera eu poder desejar um final feliz para ti assim como é descrito no final dos contos de fadas tanto conhecidos por nós, é mais um momento alegre, pois decidiste partilhar de vez os teus planos, desejos, fustrações e a tua vida com o homem que amas e isso precisamos celebrar.

Fiquei muito emocionada ao receber um envelope pardo com a tua letra endereçado a mim e ali dentro o convite do teu casamento, lembro como se fosse hoje quando contaste que começaras a namorar o Roberto. Éramos duas adolescentes do Moderno e talvez nem imaginaríamos o quanto esta história se extenderia e seria aquele rapaz do supermercado com quem casarias.

Nunca me casei antes, mas acredito ser um desses momentos que devemos levar com delicadeza. Momentos como uma gravidez, o pôr-do-sol, declarações de amor, sessões de filmes sobre a vida e essas coisas devem ser choradas com alegria e divididas com as amigas de infância, colégio e faculdade. Deve-se levar com mais delicadeza ainda por se tratar de uma decisão de colocar o teu coração na mão de uma outra pessoa, pois é a única coisa que realmente temos a oferecer quando amamos alguém, e recebemos o coração de outra pessoa em nossas mãos e ali dizemos em alto e bom som que somos responsáveis por aquilo que cativamos.

Decidir se casar por amor e por não conseguir mais ficar longe de determinada pessoa por muito tempo é também uma resposta à altura ao deuses que há muito separaram os seres humanos de suas metades bem na origem do amor, é respota à altura pois é prova do não poder separar o inseparável.

Vais ser uma bela noiva e amanhã quando der 20h eu estarei pensando em ti e esperando ver fotos do acontecido depois.

Amo-te muito e és uma pessoa rara que merece as delícias da vida em sua totalidade, pois sempre foste verdadeira com a tua família e amigos. Saudades sempre e agora que vais te mudar de país a saudade vai aumentar ainda mais, porém amizade verdadeira que supera o tempo, divergências políticas e, principalmente, as distâncias.

Foi mais ou menos isso, talvez menos floreado, talvez mais… A idéia central é a mesma, creio eu.

 

Novembro 21, 2007

Carta à Sherazade

Arquivado em: Cartas — Luka @ 1:34 pm

Sherazade,

Algumas coisas vão por caminhos tortuosos, mas infelizmente dessa vez não há como fugir igual feito há 3 anos. Talvez precise encarar algumas perdas mais de frente que outrora, mas dói de forma lancinante apenas cogitar isso. Dia desses revisitava algumas de tuas histórias, parei e fui reler o conto do Príncipe Kamar e da Princesa Budur… Admito chorei a cada página como não fazia há anos, as lágrimas simplesmente rolavam pela bochecha deixando o rosto todo úmido.

Sei que não deveria me deixar levar por histórias de romances com finais felizes, pois na realidade romances não possuem finais felizes… Existe apenas um fantasioso cenário cheio de músicas, água, borboletas e mão dadas pousando na nossa fértil imaginação, romance como o desses dois… Ah! Isso não!

Não precisa vir brigar comigo por eu ter relido tal história e voltado a fantasiar um roteiro bonito para mim, sabes da minha veia familiar… Apesar de revolucionária, ainda penso em ter filh@s e domingos em família num parque bem verdinho e colorido. Sim, sou uma sonhadora e talvez continue assim até a minha morte… Pena poucas pessoas saberem disso…

Há 3 anos eu amei, amei muito e talvez ainda ame, mas hoje a sensação é de amar mais do que outrora, é doer mais também… Não deu certo e não era para dar também, talvez nunca dê… Das 3 eu devo ser a que deve seguir um caminho sem amores e paixões, na verdade sem ser amada e nem alvo de paixões…

É só observar quantas pessoas sabem qual o meu suco favorito ou hobby especial, quantas pessoas realmente quiseram entrar na minha vida e saber quem eu sou e não apenas me comer por duas ou três noites e depois me deixar em cima da cama chorando baixinho? Não há, não haverá e nunca houve.

É… Estou mais que ressentida, me desiludi frente à todos os acontecimentos.

 Saudades de ti na cabeceira da cama contando histórias quando romances pareciam apenas palavras escritas em papel bonito e não perfuravam a minha pele feito trituradeiras.

 

Outubro 17, 2007

Carta para alguém, ou não…

Arquivado em: Brainstorm, Cartas — Luka @ 11:38 am

Beibe,

 Quanto tempo não nos vemos, falamos, tocamos, mas a vida tem dessas coisas. Uma hora lá estamos todos juntos passeando de carro pelas ruazinhas da cidade e na outra tá cada um no seu canto, alguns à milhas de distância e um outro tanto se divertindo com um grupo diferente… Isso não significa a não existência da saudade e do nosso tempo juntos, né?

Desde a nossa última volta de carro pela praia eu já rodei o mundo duas vezes, encontrei quatro homens da minha vida e seis mulheres, amo a todos, mas nenhum deu tão certo quanto eu e tu e sabemos bem o motivo disso, não? Sim… É por causa de todo aquele nosso não-compromisso infantil, dos programas no estilo jogar video game a manhã toda e deixar para sair de casa de tardinha só para assistir o pôr-do-sol e depois ir tomar um sorvete junto a nossa trupe.

Sinceramente, creio termos acertado ao colocar um ponto final na parte amorosa da nossa história… No finzinho eu só sabia falar de asas e tornozelos fracos e tu só sabias ficar vidrado naquela droga de Resident Evil. Ao mesmo tempo acredito que uma hora a gente acerta os ponteiros e volta a se beijar quando sair, até pelo fato de termos o pacto de viver toda a história juntos até o final e ela ainda não acabou… Só estamos num longo intervalo, agora tu te divertes com as meninices da praia e eu com as meninices da serra.

Não vou escrever o já sabido, o já acertado antes do primeiro final… Escrevo para avisar que finalmente irei a França e Portugal, juntei uma graninha nesses últimos tempos e agora dá para passar uma temporada por lá e qualquer coisa eu tento arranjar um bico pra me manter um pouco mais de tempo no velho continente… Se pá até visito aquela minha amiga na Alemanha.

O atual namorado teve um treco quando e contei, meus outros amores nunca entenderam a minha necessidade de jogar o corpo mundo afora, tendo companhia ou não… Só tu entendes, as vezes ias comigo nas minhas loucuras e outras me deixavas ir pois sabias que eu voltava logo, logo…

Já tentei falar para ele ir comigo, ele não ouve, não quer nem pensar na hipótese e disse que se eu embarcar não preciso voltar pra ele nunca mais. Esse egoísmo das pessoas ainda me matará! Sempre deixei elas irem para voltarem quando quiserem e quando é comigo sempre to na mão das possesivas, egoístas e podadoras de sonhos.

Escrevo também para dizer que este final de semana lembrei de ti, como sempre… Fui para a casa na praia e lá estava aquele álbum de fotos da nossa turma. Como éramos felizes! Línguas, caretas, fantasias, dancinhas, baladinhas dentro de casa, corridas na praia, aventuras nonsense… Acabei ouvindo os cds da Emilie Simon e lembrei de nós dois cantando em coro: I want to live in paradise… É muito a gente, é muito a nossa história. Só faltou assistir Eternal Sunshine of the Spotless Mind para completar o momento putaquepariu-hoje-a-saudade-é-maior-que-nunca!

É isso… To com saudades, quilométricas saudades e vou embora do país por tempo indeterminado, mas eu volto… Não pro meu atual namorado, mas pra ti como sempre…

Schuacks e Smacks,

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