BiDê Brasil

Setembro 10, 2009

Para reacender as convicções

Arquivado em: Blá Blá Blá, Brainstorm, Política — Luka @ 2:50 am

Passeta dos 100 mil no Rio de Janeiro em 1968

Passeta dos 100 mil no Rio de Janeiro em 1968

Há anos não me empolgo com uma candidatura ou com a disputa eleitoral em si, mesmo com alguns aninhos de militância política o Governo Lula e o PT me fizeram desacreditar na ferramenta eleitoral, mas felizmente não na transformação social e na luta por uma nova sociedade.

Hoje, após algumas semanas do término do II Congresso do PSoL, uma pré-candidatura me empolga novamente com o processo eleitoral, não me fez re-acreditar nesta ferramenta como a prioridade para se ter a transformação social, mas acende uma luz de qual deve ser a postura dos socialistas revolucionários frente ao período eleitoral…  Apresentar um projeto socialista para o país, colocar na pauta a necessidade de construir um programa de ruptura que não galgue os trôpegos passos de Lula e do PT.

A pré-candidatura de Plínio de Arruda Sampaio à presidência pelo PSoL me deixa tão empolgada quanto a candidatura à prefeito de Edmilson Rodrigues, em 1996, de Belém. Acende aquela euforiazinha de quando ouvi o então candidato do PT falar que o povo cabano ia para a luta, eu acredito piamente que o seu Plínio pode fazer uma campanha que fale para o povo ir lutar e se organizar frente as barbaridades com as quais nos deparamos dia-a-dia por aí.

Sim, acredito que Plínio de Arruda Sampaio pode dizer ao povo cabano, malê e farroupilho que eles não desistem na luta e vão para a rua mostrar a sua força, acredito que ele tem como dizer para as mulheres, negros, ameríndios, campesinos, homossexuais, trabalhadores e muitas outras pessoas que a opressão sofrida por eles é a opressão de um sistema cruel, de uma classe sobre a outra, sem ser academicista.

Antes eu acreditava na luta, na mudança pela auto-organização dos trabalhadores e na construção de um mundo socialista, onde meus netos não terão que enfrentar essa barbárie aí colocada nas nossas periferias, os trabalhadores não serão explorados e os camponeses terão sua terra garantida sem temer o agronegócio. Hoje eu acredito em tudo isso e também acredito que de todos os nomes aí colocados para a disputa à presidência de 2010 só o Plínio pode pautar todas essas questões sem ficar com medo de arrancar o cascão da ferida de alguém, pois o compromisso dele é com a construção do socialismo e não com a disputa pelo poder institucional.

Se nas eleições de 1996 eu me empolgava para ir a rua fazer campanha e defender algo em que eu acreditava no auge dos meus  11 anos de idade, hoje eu sinto essa vontade novamente e com mais noção do que significa ocupar um lugar político nas eleições burguesas… Eu acredito como acreditava em 96 e isso dá forças para continuar lutando pela transformação social, pela democratização da comunicação, pela emancipação da mulher e do homem e, principalmente, pelo socialismo.

Abril 18, 2009

Filmes, Conferências e um pouquinho de pessimismo

Arquivado em: Brainstorm, Política — Luka @ 2:06 am

A vida não é um filme da Disney, se fosse teríamos tido uma insurreição popular contra as reformas apresentadas pelo Governo Lula logo no comecinho do primeiro mandato. Não foi o que aconteceu, hoje acabamos por comemorar pequeníssimas vitórias que nem são tão vitoriosas assim.

Para o movimento pela democratização da comunicação isso se representa com a publicação do decreto convocando a Conferência Nacional de Comunicação, pauta antiga dos/das militantes e que finalmente foi atendida pelo governo federal recheada de poréns.

Em um filme da Disney a Confecom teria seu Grupo de Trabalho (GT) de organização formado proporcionalmente por governo, empresariado e sociedade civil e não paritária como o Governo Lula empurra goela abaixo do movimento pela democratização da comunicação. Um GT de organização em que o empresariado que já tem todas as benécias do Minicom (Ministério das Comunicações) tem o mesmo peso do resto da sociedade que só leva tapa na nuca do governo federal, este mesmo GT que nem ao menos foi discutido com a Comissão Nacional Pró-Conferência que vem há tempos solicitando a Conferência e formulando para se discutir com o governo de maneira franca e aberta.

Óbvio que se fosse um filme perfeito nem da Disney seria, seria de alguma produtora independente e teria sua distribuição feita em circuito diminuto e o que normalmente acontece com os bons filmes e informações que temos neste país.

Vencemos, pois o decreto saiu, mas um decreto meio manco, com um grau de astigmatismo complicado e acaba deixando mais dúvidas do que respostas concretas, mas uma coisa já assinala: Novamente o lado que o governo federal e o Minicom vão assumir é o lado do empresariado e não o lado do povo.

Esperemos para ver a portaria com os detalhes do funcionamento da Confecom, até dado momento as perspectivas não são das melhores, mas é necessário pressionar, colocar as formulações que temos sobre comunicação ou qualquer outro tema; mas também não os movimentos sociais não devem centralizar suas discussões, pois continuam rolando fusões de empresas de telecomunicações (Brasil Telecom e Oi; Intelig e TIM), demissões em diversos meios de comunicação, discussão no congresso sobre a Lei de Imprensa e muitas outras questões. Isso se só nos ativermos aos motes de comunicação…

É… Se a vida fosse um bom filme e a política também não passaria nem no Telecine Cult, muito menos na televisão aberta… Os empresários não deixariam e teriam ampla ajuda do Governo Lula e do Ministro das Comunicações Hélio Costa.

Abril 14, 2009

O Prólogo

Arquivado em: Brainstorm, Garoa City, Maternando — Luka @ 9:00 pm

Minha mãe morreu em setembro de 2006, ela vivia me dizendo o quão boa mãe eu seria e que queria ver os netos e netas dela crescerem. Infelizmente ela não pode passar comigo os momentos que aqui estarão descritos, isso fisicamente, pois senti ela do meu lado em cada ocasião que se relacione a alguma das minhas gestações.

Após a morte da minha mãe sentia uma vontade ainda maior de ser mãe, provavelmente por querer substituir aquele sentimento de medo e solidão que abarcou a minha vida. Acabei engravidando quase um ano depois da morte dela, mas àquela época resolvi interromper a gravidez, lembro de quando fiz o teste de farmácia e deu positivo… Na hora liguei para Curitiba e contei pra minha melhor amiga, era uma mistura de desespero, felicidade e uma grande dúvida sobre o que fazer.

Decidi por tirar, ia fazer um ano que minha mãe tinha morrido, minhas fichas estavam caindo, o clima em casa não era nenhum pouco bom e mesmo querendo muito ter um bebê não me sentia capaz de gestar saudavelmente uma criança naquele momento. Avisei pra minha amiga que veio de Curitiba para ficar comigo e acompanhar todo procedimento, acordei após da anestesia e a única coisa que conseguia fazer era chorar, doeu muito e eu passei o resto daquele ano chorando por conta dessa decisão.

Agora tenho certeza de que era a melhor opção mesmo, a gravidez da Rosa me fez elaborar bastante o meu aborto e há apenas uma coisa da qual me arrependo: A de só ter contado que estava grávida para a pessoa com quem estava à época depois do procedimento ter sido feito, devíamos ter decidido juntos por respeito ao que vivemos e pelo fato deu amá-lo muito até hoje… Ele tinha todo o direito de saber e opinar.

Nessa minha viagem de 39 semanas e 4 dias descobri que há tons de cinza e escolher é só o príncipio de alguém que pretende ser mãe. Em um país que não é dado o direito de escolher ser mãe ou não e que a parturiente tem tirado de suas mãos o protagonismo que é parir, buscar informação e ter certeza de suas escolhas seja quais forem e lutar por elas.

Março 31, 2009

Como criar uma pequena burocrata

Arquivado em: Blá Blá Blá, Brainstorm — Luka @ 12:14 pm

Como criar uma pequena burocrata

Primeiramente a criança deve ser apresentada ao mundo do sindicalismo, freqüentar alguns sindicatos para tal se faz fundamental. Escolha aqueles de sua preferência e a deixe confortável no espaço.

Pode demorar um pouco e se o sindicato for de esquerda provavelmente a criança demorará mais a se aquietar e começar a dormir, mas com perseverança isso acontecerá com sucesso. Tente levar alguns brinquedinhos com sonzinhos calmantes, o importante é ela não se interessar em mobilizar pessoas para campanha salarial, luta por saúde de qualidade e afins… A tarefa é árdua, mas os resultados são impressionantes.

Quando ela começar a dormir nos espaços sindicais entra o segundo passo, quando estiver em casa a faça ficar o mais acordada possível. Arranje brinquedos que chamem a atenção da criança e faça atividades divertidas em casa, isso ressaltará o hábito de que sindicato é lugar para dormir e prostrar e a casa é lugar de se fazer coisas individuais legais. Quanto menos socialização da criança melhor, não queremos que ela se importe com os outros, né?

É importantíssimo não levar a criança para atos como o 8 de março, contra os efeitos da crise ou do 1º de maio. As cores, animação e coletividade podem porpra perder um trabalho de anos para a burocratização da criança. É preciso ensiná-la que apenas o aparelho vale a pena e só valerá a pena se estiver a serviço apenas dela.

Seguindo estes poucos passos a possibilidade de que sua criança aos 15 anos esteja se filiando ao PT, PCdoB e afins é quase absoluta… Fazê-la encarar duras reuniões de sindicato, correntes e afins também podem ter o mesmo efeito, mas muito cuidado ao levá-la em atos, a mobilização do povo pode colocar tudo a perder e seu rebento virar um bolchevique-revolucionário.

Janeiro 30, 2009

Dreaming little girl

Arquivado em: Brainstorm — Luka @ 10:50 am

Em um unicórinio púrpura alguém virou pra mim e disse que eu sou boa o bastante para lutar pelas coisas que quero e pelos sonhos tidos…

Acho que era LSD.

Janeiro 12, 2009

Ih! Vai parir…

Arquivado em: Blá Blá Blá, Brainstorm — Luka @ 10:40 am

Estava em uma loja de tapetes orientais muito cara. Do nada senti um líqüido similar a água descendo pela minha perna, pensei: Ah vai! Eu não tenho incontinência urinária, tão de palhaçada comigo!. Era um líqüido bem clarinho e do nada caiu mais e eu bem em cima de um dos tapetes mais caros da loja.

Virei para a vendedora e falei: Então, mil desculpas, mas não posso ficar aqui para resolver o problema do tapete que acabei de molhar, não se preocupa é água… Eu preciso ir ao hospital, to entrando em trabalho de parto. A vendedora me olhou com uma cara de incredula e tentou me segurar na loja, mas aí eu comecei a gritar por conta das dores da contração e ela ficou com medo de eu ter a minha filha ali mesmo.

Gritava tanto que acabei me acordando de um dos sonhos mais nonsense sobre parto que eu já tive.

Dezembro 28, 2008

Crisis

Arquivado em: Blá Blá Blá, Brainstorm — Luka @ 12:18 pm

Não teria sido história se não houvesse crise. Ele saiu no meio da chuva pensando isso e nada mais que isso. Não teria história se não houvesse crise.

Tudo seria uma enorme negativa se não houvesse crise, nenhuma linha teria saído, nenhuma palavra falada e muito menos os passos seriam dados. Sem crise ele seria um papel em branco esperando eternamente a aquarela chegar e colorir os espaços da folha.

Sem crise o barco não teria atravessado a baía, ele não teria sonhado com o turquesa da seda chinesa e muito menos com o carvão e rouge do rosto dela.

Existiu, pois teve crise… Existiu, pois teve crise… E só soube que não era o caminho a ser seguido pelo fato de ter tido crise.

Dezembro 19, 2008

Quandos

Arquivado em: Brainstorm — Luka @ 2:00 pm

Quando a Rosa nascer vou povoar a casa de cores, odores e sabores diferentes para ela conhecer de tudo, os natais serão roxos e laranjas, pois verde e vermelho é bem demodê, aprenderei a encontrar as constelações no céu estrelado das praias que visitarmos só para mostrar pra ela, haverá brinquedos de madeira e passeios no parque para podermos cheirar a natureza.

Quando a Rosa nascer o mundo vai ser muito melhor, a crise mundial vai ter sido solucionada por uma revolução intergalática evocada por este pequeno arauto da esperança, a polícia não mais invadirá as comunidades da periferia matando as pessoas sem mais nem por que, a indústria do tráfico será diluída e o proletariado terá tomado o poder.

Quando a Rosa nascer as borboletas amarelas, laranjas, azuis, roxas e com pintinhas vermelhas invadirão São Paulo e quebrarão as rabugices das pessoas, os mal entendidos e os relacionamentos mal-resolvidos. Haverá cachoeiras rompendo dos arranha-céus com pontos brilhantes acabando com as maletas Louis Viton da vida e transformando em papel machê todos aqueles contratos horríveis que são feitos país a fora.

Quando a Rosa nascer tudo vai nascer novamente e ela terá milhares de álbuns de fotografia, histórias fantásticas de uma super-vó e dezenas de livros com letrinhas para entretê-la.

Outubro 8, 2008

Flubbers, cristal líqüido e bebês

Arquivado em: Brainstorm — Luka @ 10:34 pm

Pessoas da geração nascida nos anos 80 se depararam em algum momento da infância ou pré-adolescência com uma caixinha plástica colorida recheada de mínimos circuitos os quais faziam aparecer numa telinha de cristal líqüido um bichinho com jeito de dinossauro.

Seria muito mais fácil se a barriga de uma grávida tivesse botões parecidos com os do tamagochis e não precisar enfrentar os fedidos gases produzidos pelo intestino esmagado pelo útero, a bexiga servindo de saco de boxe para o feto e as tendências a Flubber que alguns bebês desenvolvem após o 5º mês de gestação.

A assepsia pela qual a geração nascida nos anos 80 passou é posta em cheque pela própria natureza em algumas fases da vida, principalmente para as mulheres. Não há nada mais paradoxal do que se sentir desconfortável ao usar determinadas roupas, perder o pudor ao peidar, ter vontades surreais e ao mesmo tempo ficar toda derretida quando o feto começa a usar o seu útero como uma cama elástica, a tentação de passar os dias falando com a barriga explicando as loucuras do dia-a-dia ou passar horas procurando entender o que está acontecendo dentro daquele invólucro de carne, líqüido amniótico e bebê.

Não é mais uma relação entre seres derivados de DNA e RNA e seres feitos de petróleo, é uma relação sem mediação de telas e códigos binários e no final é necessário confrontar de perto alguns medos que numa outra realidade seriam impensáveis.

Parece que a natureza acaba falando mais alto que a modernidade das telas de cristal líqüido.

Setembro 14, 2008

Rosa

Arquivado em: Blá Blá Blá, Brainstorm — Luka @ 5:54 pm

- Fácil de aprender a falar;

- Fácil de aprender a escrever;

- Não será substituído por apelidos;

- Simples;

- Bonito;

- E mesmo que tivesse outro nome ainda possuiria o mesmo perfume…

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